Indústria de bebidas adiciona nutrientes a produtos ultraprocessados
Empresas lançam cervejas e refrigerantes com proteínas e fibras para atrair o público fitness, gerando alertas de especialistas sobre o custo-benefício.
Pontos principais
- Empresas como Ambev e Starbucks investem em bebidas funcionais para reposicionar itens tradicionais no mercado de bem-estar.
- Especialistas alertam para o 'efeito halo de saúde', que pode levar consumidores a ignorar os impactos negativos do açúcar e do álcool.
- Nutricionistas apontam que a suplementação via bebidas indulgentes é desnecessária, dado que a população não apresenta deficiência proteica.
- O custo-benefício é questionado, pois fontes convencionais de proteína oferecem maior aporte nutricional por um preço inferior.
A indústria de alimentos e bebidas tem adotado a estratégia de adicionar nutrientes, como proteínas e fibras, a produtos tradicionalmente considerados ultraprocessados. O movimento, que inclui cervejas proteicas e cafés enriquecidos, busca atrair consumidores focados em bem-estar. No entanto, o setor cervejeiro, que registrou queda de 5% no consumo em 2025, enfrenta críticas de especialistas. Nutricionistas alertam para o 'efeito halo de saúde', onde a adição de um nutriente isolado mascara os efeitos negativos do açúcar ou do álcool. Além disso, profissionais destacam que a suplementação por meio desses produtos é desnecessária para a maior parte da população brasileira e apresenta um custo-benefício desfavorável em comparação a fontes proteicas convencionais, como ovos e carnes, que oferecem maior valor nutricional por um preço significativamente menor.
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