Brasil registra recorde de recuperações judiciais em 2026
O país atingiu 6.341 casos de recuperação judicial no primeiro semestre, enquanto grandes empresas optam por acordos extrajudiciais bilionários.
Pontos principais
- O estoque de empresas em recuperação judicial cresceu 6,2% no primeiro semestre de 2026, totalizando 6.341 casos no núcleo relevante da economia.
- Grandes companhias como Raízen, GPA e Oncoclínicas renegociaram cerca de R$ 75 bilhões via recuperação extrajudicial no período.
- O setor do agronegócio é o epicentro da crise, com alta de 66% no número de recuperações judiciais em 12 meses.
- Decisão do STJ em fevereiro permitiu que o Fisco peça a falência de devedores, resultando em casos como o do Grupo Dolly, com dívida de R$ 15,75 bilhões.
- O estoque de empresas falidas subiu para 2.798 ao fim de junho, revertendo a estabilidade observada ao longo de 2025.
- A crise apresenta um movimento de 'descida da pirâmide', com aumento de casos em empresas menores, enquanto grandes grupos utilizam a via extrajudicial.
O Brasil atingiu um patamar recorde de insolvência empresarial no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do Monitor RGF-BIZDOC, o núcleo relevante da economia contabilizou 6.341 empresas em recuperação judicial ao final de junho, uma alta de 6,2% no semestre. O cenário é agravado pela persistência dos juros reais elevados, que pressionam o fluxo de caixa das companhias e elevam o custo do crédito, com projeções de alívio efetivo apenas para o final de 2026 ou 2027.
Paralelamente, o topo da pirâmide empresarial tem priorizado a recuperação extrajudicial para reestruturar passivos. Grandes nomes como Raízen, GPA e Oncoclínicas movimentaram cerca de R$ 75 bilhões em acordos dessa natureza, que, por serem mais céleres, não são contabilizados nas estatísticas oficiais de recuperação judicial. Além disso, a mudança na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que autorizou o Fisco a solicitar a falência de devedores, adicionou um novo risco aos passivos tributários, impactando diretamente o mercado de crédito e a confiança dos investidores.
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