PF mira secretário e ex-gestores por desvios no Iprev de Maceió
Operação investiga o investimento de R$ 97 milhões do Iprev no Banco Master, com bloqueio de bens de gestores e consultores envolvidos.
Pontos principais
- A Operação Compliance Zero apura irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Iprev em letras financeiras do Banco Master.
- O STF autorizou oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo, além do bloqueio de bens dos investigados.
- Entre os alvos estão o secretário de Fazenda de Maceió, ex-gestores do Iprev e dirigentes da consultoria Crédito & Mercado.
- A PF aponta indícios de direcionamento de investimentos e ausência de análise técnica de risco na escolha da instituição financeira.
- O Banco Master, que recebeu os aportes, teve sua liquidação extrajudicial decretada em 2025.
- Especialistas jurídicos reforçam que a prioridade de fundos previdenciários deve ser a segurança, não a especulação financeira.
- A investigação foca em crimes de gestão temerária, fraudulenta e possível organização criminosa.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar irregularidades na gestão e aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev). A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo. Entre os investigados, estão o atual secretário de Fazenda de Maceió, ex-gestores do Iprev e dirigentes da consultoria Crédito & Mercado, suspeitos de articular o direcionamento de recursos para o Banco Master, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada em 2025.
Segundo as investigações, que contam com o suporte da Controladoria-Geral da União (CGU), o negócio envolveu a compra de letras financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. A PF aponta que a consultoria teria atuado para favorecer o banco, ignorando critérios técnicos de segurança e rentabilidade exigidos para o patrimônio dos servidores públicos. Como medida cautelar, o STF determinou a indisponibilidade de bens dos investigados até o limite do valor aplicado, visando o ressarcimento de eventuais prejuízos ao fundo previdenciário.
Especialistas em direito, como o advogado Washington Fonseca, destacam que a natureza dos recursos previdenciários exige cautela extrema, visto que não possuem caráter especulativo. A investigação busca determinar se houve má gestão ou conduta ilícita, ressaltando que a prioridade de fundos públicos deve ser a segurança dos benefícios dos servidores, e não a busca por retornos elevados em ativos de alto risco. Eventuais prejuízos ao fundo podem exigir medidas de recomposição financeira que impactam diretamente o poder público e os beneficiários.
O inquérito busca esclarecer a legalidade das operações realizadas entre 2023 e 2024 e identificar a responsabilidade individual dos envolvidos. O caso integra uma apuração mais abrangente sobre a exposição de diversos regimes próprios de previdência ao Banco Master, que soma cerca de R$ 1,8 bilhão em aplicações sob análise das autoridades. A complexidade das engenharias financeiras sob suspeita exige rigor na coleta de evidências, sendo a preservação da cadeia de custódia das provas um desafio central para a validade do processo judicial.
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