Gastos de brasileiros no exterior batem recorde de US$ 12,6 bi no 1º semestre
Impulsionados pela valorização do real, os gastos de turistas brasileiros em viagens internacionais atingiram o maior patamar da série histórica do Banco Central no primeiro semestre de 2026.
Pontos principais
- O montante de US$ 12,61 bilhões é o maior registrado para o primeiro semestre desde o início da série histórica em 1995.
- A valorização do real frente ao dólar, favorecida pela posição do Brasil como exportador de petróleo, barateou viagens e serviços internacionais.
- O valor gasto pelos brasileiros equivale a aproximadamente R$ 64,5 bilhões na cotação atual.
- O recorde reflete o comportamento do setor de turismo e o aumento do fluxo de viajantes brasileiros no exterior no período.
- Apesar do recorde em viagens, o déficit nas contas externas brasileiras recuou 16,34% no primeiro semestre, somando US$ 27,47 bilhões.
- O Banco Central associa a redução do déficit em transações correntes à desaceleração da economia brasileira.
Os gastos de brasileiros em viagens e serviços internacionais atingiram o patamar recorde de US$ 12,61 bilhões no primeiro semestre de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O volume, que representa o maior montante para o período desde 1995, foi impulsionado pela valorização do real frente ao dólar, o que tornou as viagens ao exterior mais acessíveis para os brasileiros. A força da moeda nacional está atrelada, em parte, à posição estratégica do país como exportador de petróleo em um cenário de tensões globais.
Embora o aumento nos gastos com turismo tenha pressionado a conta de serviços, que registrou déficit de US$ 5,1 bilhões apenas em junho, o cenário macroeconômico das contas externas apresentou melhora. O déficit total em transações correntes do país recuou 16,34% no primeiro semestre, totalizando US$ 27,47 bilhões. Segundo o Banco Central, essa redução no déficit é explicada tanto pelo desempenho das exportações, que atingiram recordes em setores como petróleo, soja e carne, quanto por uma desaceleração na atividade econômica interna.
Fontes primárias
Estatísticas do Setor Externo — Nota para a Imprensa (junho/2026)
Segundo a nota do Banco Central, as despesas líquidas de viagens internacionais somaram US$ 1,4 bilhão em junho de 2026, alta de 21,0% ante junho de 2025. As despesas brutas dos brasileiros no exterior subiram 19,6% no mês, de US$ 1,8 bilhão para US$ 2,2 bilhões, enquanto as receitas com estrangeiros no Brasil cresceram 17,2%, de US$ 0,7 bilhão para US$ 0,8 bilhão. O déficit total em serviços passou de US$ 4,4 bilhões para US$ 5,1 bilhões na mesma comparação. A nota traz gráfico com o acumulado de transações correntes de janeiro a junho, no qual a linha 'Viagens' figura entre as contas de maior variação no primeiro semestre de 2026 frente a 2025.
Série 22742 — Viagens, despesa mensal (dados abertos)
A série mensal de despesas brutas com viagens internacionais, publicada pelo próprio Banco Central no Sistema Gerenciador de Séries Temporais, mostra os seis meses de 2026 em US$ milhões: jan 2.210,5; fev 1.843,5; mar 1.990,4; abr 2.293,4; mai 2.061,9; jun 2.217,4 — soma de US$ 12,62 bilhões no primeiro semestre. No mesmo período de 2025 a soma foi de US$ 10,30 bilhões, o que confirma a alta de 22,5% e o caráter de recorde para um primeiro semestre citado na manchete.
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