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Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita a laços com Israel

O presidente Donald Trump afirmou que a cooperação nuclear civil com Riad depende da adesão saudita aos Acordos de Abraão e normalização com Israel.

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Foto: G1 Mundo
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23/07 às 09:45 · atualizado 13:04

Pontos principais

  • O acordo de energia nuclear civil permite à Arábia Saudita o enriquecimento de urânio e a construção de reatores.
  • Donald Trump condicionou a formalização do pacto à normalização das relações diplomáticas sauditas com Israel.
  • O documento foi assinado por secretários de energia, mas depende de aprovação do Congresso americano.
  • Críticos apontam a ausência do Protocolo Adicional da AIEA, que permitiria inspeções nucleares surpresa.
  • A Arábia Saudita justifica o programa como uma estratégia para diversificar sua matriz energética.
  • O governo dos EUA enfrenta pressão interna e questionamentos sobre um possível padrão duplo em acordos nucleares.
  • A medida visa fortalecer a influência diplomática americana no Oriente Médio em meio a tensões regionais.

O presidente Donald Trump anunciou que a viabilidade de um acordo de cooperação nuclear civil entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita está estritamente condicionada à adesão do reino aos Acordos de Abraão. A iniciativa, que visa a normalização das relações diplomáticas entre Riad e Israel, foi apresentada como um pilar central da política externa americana para o Oriente Médio. O pacto, assinado recentemente pelos secretários de energia de ambos os países, prevê uma cooperação de 30 anos e autoriza o enriquecimento de urânio em solo saudita para fins civis, incluindo a construção de reatores do modelo AP1000 pela Westinghouse.

A proposta, contudo, enfrenta forte resistência no Congresso dos EUA e entre especialistas em não proliferação. O ponto de maior controvérsia é a ausência de exigências rigorosas, como o 'padrão ouro' e o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que permitiria inspeções sem aviso prévio. Legisladores e analistas alertam que a flexibilização dessas salvaguardas pode facilitar o desenvolvimento de armas nucleares pelo reino, desencadeando uma corrida armamentista na região e enfraquecendo a postura de Washington frente ao programa nuclear iraniano.

Além das preocupações com a segurança, a decisão expôs tensões geopolíticas e críticas sobre a consistência da política externa de Trump. O governo da Coreia do Sul, que há anos busca permissão semelhante para suas atividades nucleares, apontou o que considera um tratamento diferenciado concedido aos sauditas. Enquanto o governo de Riad defende o projeto como uma necessidade estratégica para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, o Congresso americano terá um prazo de 90 dias para avaliar os termos do acordo, período no qual o debate sobre os riscos de proliferação e o equilíbrio de poder no Oriente Médio deve se intensificar.

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