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Trump aprova acordo nuclear com a Arábia Saudita

O presidente Donald Trump autorizou um pacto de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, permitindo o possível enriquecimento de urânio no país.

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Foto: G1 Mundo
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21/07 às 22:15 · atualizado 22/07 às 09:33

Pontos principais

  • O acordo de cooperação nuclear civil tem duração prevista de 30 anos.
  • O pacto permite que a Arábia Saudita desenvolva tecnologia de enriquecimento de urânio para fins civis.
  • Empresas americanas serão beneficiadas com contratos para a infraestrutura do programa nuclear saudita.
  • Críticos e parlamentares americanos alertam para o risco de proliferação nuclear na região.
  • O governo saudita já sinalizou anteriormente que poderia buscar armas nucleares caso o Irã obtenha a bomba atômica.
  • O acordo enfrenta resistência no Congresso dos EUA devido a preocupações com a falta de monitoramento internacional rigoroso.
  • A decisão marca um movimento estratégico de Trump para fortalecer a parceria com Riade em meio às tensões regionais.

O presidente Donald Trump aprovou um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, uma medida que visa impulsionar a indústria nuclear americana e fortalecer os laços estratégicos com o reino. O pacto, que deve ter duração de 30 anos, prevê a transferência de tecnologia dos Estados Unidos para o desenvolvimento da infraestrutura energética saudita, incluindo a possibilidade de construção de instalações para o enriquecimento de urânio em solo árabe após estudos conjuntos. A iniciativa é vista como uma vitória diplomática para o governo de Mohammed bin Salman, que busca diversificar a matriz energética do país.

A decisão, contudo, gerou preocupações imediatas entre especialistas em segurança e parlamentares americanos. O principal temor é que a tecnologia cedida para fins civis possa ser desviada para o desenvolvimento de armamentos, alimentando uma corrida armamentista no Oriente Médio. O receio é agravado pelo fato de que o acordo pode não incluir o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que limitaria a capacidade de inspeções internacionais rigorosas sobre as atividades nucleares sauditas.

O contexto regional, marcado pela persistente ameaça de mísseis iranianos e pela instabilidade política, intensifica o debate sobre a proliferação nuclear. O príncipe herdeiro saudita já havia declarado anteriormente que o reino consideraria buscar armas atômicas caso o Irã obtivesse tal capacidade. Enquanto o governo Trump defende que o acordo é uma oportunidade comercial estratégica para empresas dos EUA, a oposição no Congresso promete escrutinar os termos do pacto, citando riscos significativos à segurança global e à estabilidade do Oriente Médio.

Fonte primária

Reuters (apuração exclusiva de Timothy Gardner, via The Spokesman-Review)

Trump to seek Congress approval for Saudi Arabia nuclear energy pact that lacks safeguards, sources say

Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, o governo Trump vai submeter ao Congresso dos EUA, dentro de dias, um '123 Agreement' de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, a ser assinado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman — que já haviam firmado um acordo preliminar em Riade no ano passado. O texto, batizado a partir da Seção 123 do Atomic Energy Act de 1954, abre caminho legal para empresas americanas cooperarem com entidades sauditas no desenvolvimento de uma indústria nuclear civil bilionária, incluindo o ciclo do combustível (enriquecimento de urânio), sem no entanto obrigar os EUA a transferir tecnologia. As fontes dizem que o acordo NÃO inclui o 'Gold Standard' (que bloquearia enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível usado pela Arábia Saudita) nem o 'Protocolo Adicional' da AIEA (inspeções-surpresa em locais não declarados) — as duas salvaguardas que os EUA historicamente exigiam nesse tipo de acordo, e que os Emirados Árabes aceitaram no acordo 123 deles em 2009. Uma vez submetido, o texto entra em período de revisão de ~90 dias de sessões contínuas do Congresso; para barrá-lo, seria preciso resolução conjunta com maioria de dois terços capaz de derrubar veto presidencial. A Reuters nota contradição entre isso e declarações públicas do secretário Wright, que chamou o acordo preliminar de 'sem enriquecimento' e com 'os padrões de não-proliferação mais fortes do mundo'. Democratas e republicanos — incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, quando ainda senador — já haviam cobrado salvaguardas mais rígidas.

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