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EUA e Arábia Saudita assinam acordo de cooperação nuclear civil

O governo Trump firmou um pacto de 30 anos para o desenvolvimento de energia nuclear na Arábia Saudita, permitindo a transferência de tecnologia americana e gerando debates sobre riscos de proliferação na região.

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Foto: G1 Mundo
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22/07 às 10:32 · atualizado 20:15

Pontos principais

  • O acordo estabelece uma base legal de 30 anos para a cooperação nuclear entre Washington e Riade.
  • O pacto permite que empresas americanas construam reatores e instalações de enriquecimento de urânio no reino saudita.
  • A assinatura foi realizada pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro de Energia saudita, Abdulaziz bin Salman.
  • O governo americano afirma que o acordo visa diversificar a matriz energética saudita e fortalecer laços comerciais.
  • O texto enfrenta resistência no Congresso dos EUA devido à ausência de salvaguardas como o 'padrão ouro' de não proliferação.
  • Israel manifestou preocupação oficial com o risco de o programa desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio.
  • A iniciativa busca conter a influência da estatal russa Rosatom no setor energético da região.
  • O acordo será submetido ao Congresso americano para análise e ratificação formal.
  • A Arábia Saudita justifica o projeto como uma estratégia para reduzir sua dependência interna de petróleo e gás.
  • Especialistas apontam que o pacto altera o equilíbrio estratégico e diplomático entre as duas nações.

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita formalizaram um acordo histórico de cooperação nuclear civil, marcando uma mudança significativa na política externa da administração do presidente Donald Trump. O pacto, que estabelece uma parceria de 30 anos, permite que empresas americanas, como a Westinghouse, exportem tecnologia nuclear e participem da construção de reatores e instalações de enriquecimento de urânio em território saudita. O governo americano defende que a iniciativa fortalece os laços estratégicos com o reino e oferece maior visibilidade sobre as atividades nucleares sauditas, além de atuar como um contrapeso à influência russa no setor energético do Oriente Médio.

Apesar da justificativa de que o programa é estritamente voltado para fins pacíficos e para a diversificação da matriz energética saudita — atualmente dependente de combustíveis fósseis —, o acordo gerou reações imediatas. Críticos e parlamentares americanos apontam que o texto não inclui salvaguardas rigorosas, como o chamado 'padrão ouro' ou o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que levanta temores sobre a possibilidade de desvio de tecnologia para fins militares. Analistas de segurança internacional têm avaliado detalhadamente as diretrizes do pacto, destacando que as implicações geopolíticas desse desenvolvimento podem redefinir a estabilidade regional a longo prazo.

No cenário regional, Israel expressou apreensão oficial com o desenvolvimento do programa. Autoridades israelenses temem que a transferência de tecnologia nuclear sensível possa desencadear uma corrida armamentista atômica no Oriente Médio, desestabilizando ainda mais a segurança da região. O receio é amplificado pelo contexto de tensões militares entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, cujas próprias ambições nucleares têm sido alvo de sanções e ações diretas por parte de Washington. O impacto dessa cooperação na segurança coletiva do Oriente Médio permanece como um dos pontos centrais do debate público.

O acordo agora segue para o Congresso dos Estados Unidos, onde deve enfrentar um escrutínio rigoroso. Legisladores de ambos os partidos já sinalizaram que pretendem questionar os termos do pacto e as implicações de longo prazo para a política de não proliferação global. A ratificação do tratado é vista como um teste para a estratégia diplomática da administração Trump, que busca equilibrar interesses comerciais multibilionários com a manutenção da estabilidade geopolítica em uma das regiões mais voláteis do mundo.

Fontes primárias

Reuters (Timothy Gardner) via The Spokesman-Review

Trump to seek Congress approval for Saudi Arabia nuclear energy pact that lacks safeguards, sources say

Reportagem exclusiva da Reuters (Timothy Gardner, 21/07), com duas fontes familiarizadas com o acordo e uma terceira que não comentou sobre salvaguardas: o governo Trump vai submeter ao Congresso, em questão de dias, o 'Acordo 123' de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, a ser assinado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro saudita Abdulaziz bin Salman. Citando o próprio relatório enviado ao Congresso, a Reuters descreve que o texto 'coloca a indústria americana no centro' do desenvolvimento nuclear civil saudita, mas abre caminho ao enriquecimento de urânio em solo saudita ao prever apenas 'salvaguardas e medidas de verificação adicionais para as áreas mais sensíveis'. Faltam ao texto o chamado 'padrão ouro' de não proliferação (que barraria enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível) e o 'Protocolo Adicional' da AIEA (que daria à agência poder de inspeção mais amplo). Uma vez submetido, o Congresso terá cerca de 90 dias de sessão contínua para objetar; bloquear exigiria resolução conjunta com maioria de dois terços para superar veto presidencial. Esta é a etapa noticiada em 22/07 (aprovação final e envio ao Congresso do Acordo 123 propriamente dito); até a publicação, nenhum órgão dos EUA ou da Arábia Saudita havia divulgado comunicado oficial sobre ela — a informação circulava via agências (Reuters, AP, WSJ) com fontes anônimas.

U.S. Department of Energy

U.S. Energy Secretary and Saudi Arabia's Energy Minister Announce Deal on Civil Nuclear Cooperation

Comunicado oficial do Departamento de Energia dos EUA (18/11/2025) — artefato fundacional do acordo bilateral. O secretário de Energia Chris Wright e o ministro saudita da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram a 'Joint Declaration on the Completion of Negotiations on Civil Nuclear Cooperation', que estabelece a base legal da parceria nuclear civil e confirma EUA e empresas americanas como parceiros preferenciais do reino. Wright: 'Today is a historic day for the United States and the Kingdom of Saudi Arabia. We've come together on a deal for civil nuclear cooperation.' O texto prevê acordos bilaterais de salvaguardas, transferência de tecnologia nuclear americana e compromisso com a não proliferação. É a etapa anterior (conclusão das negociações) à aprovação/envio ao Congresso noticiado em 22/07.

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