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Preços do petróleo recuam com tentativa de trégua entre EUA e Irã

O mercado de petróleo registrou queda após o início de negociações mediadas pelo Paquistão para um cessar-fogo temporário entre Washington e Teerã.

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Foto: G1 - Economia
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21/07 às 03:15 · atualizado 13:03

Pontos principais

  • O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, busca mediação no Paquistão para conter a escalada militar.
  • Proposta de cessar-fogo de dez dias visa preservar o memorando de entendimento firmado em junho.
  • Preços do petróleo Brent e WTI recuaram 0,9% com a expectativa de uma possível desescalada no conflito.
  • Confrontos entre forças americanas e a Guarda Revolucionária iraniana persistem há dez dias.
  • O Irã reivindicou ataques a bases militares e instalações da Amazon no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
  • O Comando Central dos EUA confirmou bombardeios contra centros de comando e sistemas de defesa iranianos.
  • O presidente Donald Trump prometeu retaliação severa após a confirmação de 17 militares americanos mortos.
  • Rebeldes Houthis declararam um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando rotas vitais no Mar Vermelho.
  • A Agência Internacional de Energia alertou para riscos à segurança energética global devido à instabilidade marítima.
  • Apesar das negociações, ataques a navios-tanque no Estreito de Ormuz mantêm a tensão sobre o transporte de energia.

Os mercados globais de energia reagiram com alívio nesta semana após o início de esforços diplomáticos para mediar um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã. Após uma escalada de dez dias de bombardeios mútuos, que elevou o preço do petróleo Brent para a marca de US$ 90 por barril, a notícia de que o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, iniciou negociações no Paquistão provocou uma queda de 0,9% nas cotações do petróleo. A proposta em discussão prevê uma trégua de dez dias para estabilizar a região e evitar o colapso definitivo do memorando de entendimento vigente desde junho.

Apesar do otimismo diplomático, o cenário no terreno permanece crítico. As forças americanas mantêm uma campanha de ataques contra centros de comando e sistemas de defesa aérea iranianos, em resposta a ofensivas de Teerã contra bases militares no Bahrein, Kuwait e Jordânia, além de instalações corporativas. O presidente Donald Trump reiterou que os Estados Unidos responderão com força a qualquer morte de soldados americanos, confirmando o óbito de 17 militares no conflito. A situação é agravada pela atuação dos rebeldes Houthis, que declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, ameaçando o fluxo de 2,5 milhões de barris diários de petróleo.

A instabilidade nas rotas marítimas estratégicas, especialmente nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, continua sendo a principal preocupação da Agência Internacional de Energia (AIE). O diretor da entidade, Fatih Birol, destacou que a segurança energética global depende da reabertura incondicional dessas passagens. Embora a China tenha reduzido suas importações e a AIE esteja liberando estoques de emergência para conter a volatilidade, a persistência de ataques a navios-tanque mantém o mercado em estado de alerta, evidenciando que a trégua proposta ainda enfrenta desafios significativos para ser consolidada em um ambiente de hostilidades ativas.

Fonte primária

Axios (Barak Ravid)

Iran mediators push new ceasefire as Trump eyes all-out war

Reportagem exclusiva da Axios (Barak Ravid, publicada 21/07/2026) diz que Trump se aproxima de uma bifurcação decisiva na guerra com o Irã, com autoridades dos EUA e de Israel enxergando só dois desfechos viáveis: (1) um novo cessar-fogo de 10 dias voltado a reabrir o Estreito de Ormuz, ou (2) uma campanha militar conjunta com Israel para forçar a capitulação de Teerã. Segundo duas fontes regionais com conhecimento direto do esforço, Catar, Egito, Paquistão e outros mediadores apresentaram aos EUA e ao Irã uma proposta de trégua de 10 dias que suspenderia os combates, reabriria as duas rotas de navegação do Estreito de Ormuz (a rota sul por águas de Omã, livre de ataques iranianos, e a rota norte por águas iranianas, livre do bloqueio dos EUA) e daria espaço para salvar o memorando de entendimento (MoU) EUA-Irã em colapso. Durante os 10 dias, EUA e Irã negociariam um arranjo de mais longo prazo para a passagem pelo estreito — uma opção discutida é permitir que o Irã cobre "taxas de serviço razoáveis" por segurança marítima e proteção ambiental, nos moldes do Estreito de Malaca. O governo Trump está avaliando a proposta e pediu a Israel que evite ações que fechem a janela diplomática, mas ao mesmo tempo se prepara para o fracasso das negociações: enviou dezenas de caças e aeronaves de reabastecimento à região, e fontes israelenses dizem que as Forças de Defesa de Israel estão em alerta máximo para uma possível campanha coordenada em larga escala. Nem Trump nem o Irã aceitaram a proposta até o momento. Dez noites seguidas de bombardeios dos EUA não quebraram o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz; ao menos três militares americanos morreram nos confrontos recentes, e o petróleo bateu brevemente US$ 90 o barril no fim de semana após o Irã ampliar ataques a navios comerciais e infraestrutura no Golfo. Os houthis do Iêmen declararam bloqueio marítimo aos portos sauditas, abrindo nova frente. Mediadores tentam construir sobre uma proposta discutida por Omã, Irã e Catar em Mascate em 11/07, que terminou sem acordo. Entre os nomes envolvidos na mediação: o primeiro-ministro do Catar Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, o enviado catari Ali Al-Thawadi, o chefe do Exército do Paquistão marechal de campo Asim Munir, o chanceler egípcio Badr Abdelatty e o chanceler de Omã Badr al-Busaidi. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou em coletiva que os mediadores estão trabalhando para evitar nova escalada ("as propostas transmitidas pelos mediadores foram recebidas por nós, mas nesta fase prefiro não discutir os detalhes"), acrescentando que as forças armadas iranianas vão continuar a "responder com força e esmagar a fonte da agressão dos EUA". Uma autoridade sênior dos EUA disse à Axios que Trump ainda não terminou de retaliar pela morte dos militares americanos antes de considerar seriamente a proposta.

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