Preços do petróleo sobem com escalada de tensões entre EUA e Irã
O aumento no preço do petróleo, impulsionado pelo conflito no Estreito de Ormuz, eleva temores inflacionários e altera apostas sobre juros nos EUA.
Pontos principais
- Preços do petróleo registram alta após novos ataques e divergências entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz.
- Mercados financeiros reagem com volatilidade, com ações de tecnologia liderando quedas nas bolsas.
- Probabilidade de alta de 25 pontos-base nos juros pelo Fed em setembro subiu para 72,8%.
- Ouro recua 2,62% pressionado pela valorização do dólar e pelo aumento dos rendimentos dos títulos americanos.
- Investidores aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA e depoimento de Kevin Warsh ao Congresso.
- Analistas temem que possíveis interrupções no fornecimento de energia acelerem a inflação global.
Os mercados globais enfrentam um início de semana marcado pela instabilidade geopolítica no Golfo Pérsico. A escalada de tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã, centrada na navegabilidade do Estreito de Ormuz, provocou uma rápida valorização dos preços do petróleo. A preocupação central dos investidores reside no risco de interrupções no fornecimento de energia, o que poderia agravar as pressões inflacionárias globais e complicar o cenário macroeconômico atual. Em resposta, as bolsas de valores, especialmente o setor de tecnologia, registraram quedas significativas, enquanto o mercado de commodities observa de perto os desdobramentos dos confrontos na região. Paralelamente, o ouro sofreu uma desvalorização de 2,62%, pressionado pela alta do dólar e pelo ajuste nas expectativas de política monetária. O mercado financeiro agora projeta uma postura mais rígida do Federal Reserve, com as apostas de um aumento de 25 pontos-base nos juros americanos para setembro subindo para 72,8%. A expectativa é que o presidente do Fed, Kevin Warsh, reitere o combate à inflação como prioridade absoluta em seu próximo depoimento ao Congresso. O foco dos investidores está voltado para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho, que será determinante para confirmar se a inflação persistirá como um desafio estrutural diante da crise energética. A volatilidade deve permanecer elevada enquanto o mercado aguarda sinais claros sobre a duração do impasse no Estreito de Ormuz e seus impactos diretos na oferta global de petróleo. Analistas do setor financeiro, como os do Citi e Macquarie, reforçam que a combinação de tensões geopolíticas e dados econômicos sensíveis cria um ambiente de cautela extrema para os próximos dias, exigindo atenção redobrada aos indicadores de inflação e aos resultados corporativos que serão reportados em Wall Street.
Fontes primárias
IRGC Navy: Strait of Hormuz closed until US ends regional intervention
Em comunicado de 11/07/2026, a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) declarou o Estreito de Ormuz "fechado até nova ordem" e afirmou que a via só será reaberta quando cessar "a intervenção dos Estados Unidos na região". O IRGC diz ter disparado um tiro de advertência contra uma embarcação que ignorou instruções de navegação e havia desligado seus sistemas de rastreamento, justificando o fechamento pela "situação de insegurança causada pela interferência ilegal de potências estrangeiras". A nota atribui aos EUA, a Israel e a países que hospedam bases militares usadas contra o Irã a responsabilidade por qualquer consequência, e ameaça "resposta contundente" com ataques a "bases inimigas adicionais na região" caso o incidente seja usado como pretexto para nova agressão.
CENTCOM Completes Another Wave of Strikes Against Iran
Em nota de 12/07/2026, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirma ter concluído uma nova onda de ataques ofensivos contra o Irã, atingindo "dezenas de alvos em múltiplos locais" com munição de precisão para "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o transporte marítimo internacional que passa pelo Estreito de Ormuz". As forças americanas atingiram sistemas de defesa aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações iranianas, usando caças, navios de guerra e, pela primeira vez, drones navais de ataque de uso único ("one-way attack sea drones"). O CENTCOM declara que "o Estreito de Ormuz é um corredor marítimo vital para o comércio global. O Irã não o controla" e que as forças dos EUA seguem posicionadas para garantir a liberdade de navegação diante do que chama de "agressão, assédio, ameaças e declarações arbitrárias" contínuas do Irã.
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