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Apple processa OpenAI por apropriação de segredos comerciais

A Apple acusa a OpenAI de utilizar dados confidenciais e ex-funcionários para obter vantagem competitiva, encerrando a colaboração estratégica entre ambas.

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Foto: G1 - Economia
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10/07 às 10:02 · atualizado 18:15

Pontos principais

  • A Apple alega que ex-funcionários subtraíram arquivos confidenciais e dados de fornecedores antes de migrarem para a OpenAI.
  • O processo cita o uso indevido de tecnologias proprietárias de fabricação e acabamento de metal da Apple.
  • A disputa judicial marca o fim da colaboração estratégica entre as duas gigantes do setor de tecnologia.
  • A OpenAI comprou a startup IO Products, fundada por Jony Ive, para expandir sua atuação em dispositivos físicos.
  • A Apple busca indenizações e uma ordem judicial para impedir que a OpenAI continue utilizando as informações sigilosas.
  • O caso eleva a tensão no Vale do Silício sobre a proteção de propriedade intelectual e o desenvolvimento de modelos de IA.
  • A ação judicial pode gerar precedentes significativos para a contratação de talentos e a proteção de dados no setor.

A Apple iniciou uma ação judicial contra a OpenAI, acusando a empresa de inteligência artificial de apropriação indevida de segredos comerciais. Segundo a petição, ex-funcionários da Apple, incluindo o atual diretor de hardware da OpenAI, Tang Tan, teriam facilitado o acesso a dados confidenciais sobre processos de fabricação e tecnologias de hardware. A Apple sustenta que a OpenAI utilizou essas informações para obter vantagem competitiva, induzindo parceiros a adotarem técnicas proprietárias de acabamento de metal da fabricante do iPhone. O conflito ganha relevância à medida que a OpenAI expande sua estratégia para o mercado de dispositivos físicos, reforçada pela recente compra da startup IO Products.

Este litígio marca o fim da colaboração estratégica entre as duas companhias, que anteriormente planejavam integrar o ChatGPT aos sistemas operacionais da Apple. Além das implicações diretas na parceria técnica, o caso ressalta a crescente tensão no Vale do Silício sobre a proteção de propriedade intelectual e a movimentação de talentos entre empresas. Enquanto a OpenAI lida com pressões regulatórias e questionamentos sobre o uso de dados em treinamentos de modelos, a disputa judicial com a Apple cria um cenário de incerteza sobre o futuro da cooperação tecnológica e o equilíbrio competitivo no setor de IA.

Fonte primária

United States District Court for the Northern District of California (via CourtListener/RECAP)

Complaint for Trade Secret Misappropriation and Breach of Contract — Apple Inc. v. Liu et al. (Case No. 5:26-cv-07078, N.D. Cal., San Jose Division)

A petição (Caso 5:26-cv-07078, N.D. Cal., Divisão de San Jose), movida pela Apple Inc. contra Chang Liu, Tang Yew Tan, OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products, LLC, alega apropriação indevida de segredos comerciais sob o Defend Trade Secrets Act (18 U.S.C. § 1836) e quebra de contrato do Intellectual Property Agreement (IPA) assinado por ambos os réus individuais. Segundo a petição, Chang Liu — engenheiro sênior de sistemas elétricos por oito anos na Apple, hoje na OpenAI desde janeiro de 2026 — reteve um notebook corporativo da Apple após sair, explorou uma falha de autenticação até então desconhecida para acessar pastas de rede da Apple sem autorização, baixou dezenas de arquivos confidenciais sobre produtos não lançados (especificações técnicas, apresentações de engenharia, dados de projeto) e orientou uma ex-colega sobre como 'evitar problemas com a equipe de segurança' da Apple antes de entrevistas na OpenAI. A petição também acusa Tang Yew Tan — 24 anos na Apple, ex-VP de Design de Produto para iPhone e Apple Watch, hoje Chief Hardware Officer da OpenAI e cofundador da io Products — de usar nomes-código de projetos internos da Apple ao recrutar candidatos, pedir que levassem peças físicas ('actual parts') da Apple para sessões de entrevista 'show and tell', reter um documento interno da Apple marcado 'Need to Know' sobre procedimentos de segurança para desligamentos, e compartilhá-lo com novos contratados antes de pedirem demissão. A Apple afirma que a OpenAI e a io (incorporada à OpenAI em 2025) agiram 'em concerto', inclusive induzindo um fornecedor parceiro da Apple a demonstrar uma técnica proprietária de acabamento em metal, levando-o a crer que tinha autorização da fabricante do iPhone. Segundo a petição, a Apple notificou a OpenAI por carta em fevereiro de 2026 pedindo explicações sobre o uso indevido de suas informações confidenciais e nunca obteve resposta, o que motivou a ação judicial movida pelo escritório Weil, Gotshal & Manges LLP em nome da Apple.

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