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Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais

A Apple acusa a OpenAI de aliciar funcionários e extrair dados confidenciais para desenvolver hardware, marcando o fim da parceria estratégica entre as empresas.

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Foto: Época Negócios
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10/07 às 18:15 · atualizado 20:02

Pontos principais

  • A Apple alega que a OpenAI recrutou mais de 400 ex-funcionários para extrair segredos industriais.
  • O processo cita Tang Tan e Chang Liu como figuras centrais na obtenção indevida de dados.
  • A Apple afirma que candidatos eram instruídos a levar protótipos e documentos confidenciais para entrevistas.
  • Chang Liu é acusado de acessar arquivos da Apple após ter sido contratado pela OpenAI.
  • A ação judicial busca uma ordem para interromper o uso de tecnologias proprietárias e indenização por danos.
  • O conflito ocorre enquanto a OpenAI desenvolve seu próprio hardware, competindo diretamente com a Apple.
  • O processo foi registrado em um tribunal federal em San Jose, na Califórnia.

A Apple abriu um processo judicial contra a OpenAI, acusando a startup de inteligência artificial de roubo sistemático de segredos comerciais e aliciamento agressivo de talentos. Segundo a fabricante do iPhone, a OpenAI coordenou uma campanha para extrair informações confidenciais sobre tecnologias e processos de hardware ainda não lançados, utilizando ex-funcionários como ponte para acessar dados proprietários. A ação, protocolada em um tribunal federal na Califórnia, marca uma ruptura drástica na relação entre as duas companhias, que haviam estabelecido uma parceria estratégica em 2024.

O processo aponta nominalmente Tang Tan, ex-executivo da Apple e atual diretor de hardware da OpenAI, e o engenheiro Chang Liu como peças-chave na operação. A Apple alega que Tan incentivou recrutas a burlar protocolos de segurança e que Liu acessou arquivos confidenciais da rede da empresa mesmo após sua contratação pela OpenAI. Além disso, a companhia afirma que mais de 400 ex-funcionários foram contratados pela startup, sendo que, em alguns casos, candidatos teriam sido instruídos a levar protótipos e documentos sigilosos para entrevistas de emprego.

A disputa reflete a crescente tensão no Vale do Silício à medida que a OpenAI expande sua atuação para o mercado de hardware, competindo diretamente com o ecossistema da Apple. A Apple busca agora uma ordem judicial para impedir o uso de seus segredos comerciais, a destruição de materiais proprietários e o pagamento de indenizações. A gravidade das acusações, que incluem a indução de fornecedores terceirizados a compartilhar metodologias sob falsas alegações, coloca em xeque a integridade dos projetos de hardware da OpenAI, cujo primeiro dispositivo é esperado para 2027.

Fonte primária

Apple Inc. (via Weil, Gotshal & Manges LLP) / U.S. District Court for the Northern District of California

Apple Inc. v. Chang Liu, Tang Yew Tan, OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products, LLC — Complaint (Caso 5:26-cv-07078, N.D. Cal., San Jose Division)

Apple protocolou em 10/07/2026 ação na Corte Distrital do Distrito Norte da Califórnia (caso 5:26-cv-07078) contra dois ex-funcionários — Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos (8 anos na linha do iPhone) e Tang Yew Tan, ex-VP de design de produto do iPhone/Apple Watch (24 anos de casa) — além da OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products LLC (startup de hardware de Tan comprada pela OpenAI por ~US$ 6,5 bi em 2025), por violação da Defend Trade Secrets Act e quebra de contrato de propriedade intelectual. A denúncia alega que Liu, após deixar a Apple em 22/01/2026 e ir para a OpenAI, usou sem autorização o computador ainda ativo de Yu-Ting 'Alyssa' Peng (funcionária Apple que permaneceu na empresa) para acessar armazenamento em nuvem da Apple via falha de autenticação, baixando dezenas de arquivos confidenciais — incluindo um compilado técnico de mais de 1.000 páginas e material sobre fabricação de placas-mãe (MLBs) — e instruindo Peng a copiar arquivos 'para evitar problemas com a equipe de segurança' e a se comunicar por LINE Messenger para escapar de detecção. A Apple também alega que Tan usava nomes-código internos da Apple em entrevistas de contratação da OpenAI para perguntar sobre produtos não anunciados, pedia que candidatos levassem peças físicas da Apple (baterias, SIP, MLB, blindagens) para 'mostrar e contar', obteve e circulou um documento interno de segurança sobre desligamento de gerentes, e orientava novos contratados a não revelar o próximo empregador à Apple e a adiar a saída para manter acesso confidencial por mais tempo. Em nível institucional, a Apple acusa a OpenAI de estruturar seu processo de entrevistas com 'Technical Deep Dives' que extraem segredos comerciais (CAD, protótipos, fornecedores), de levar um fornecedor de acabamento metálico da Apple a repassar técnica proprietária multi-etapas sob falsa impressão de consentimento da Apple, e de abordar outro fornecedor (baterias) usando terminologia interna da Apple para obter especificações proprietárias. A Apple pede indenização, arbitramento de royalties, danos punitivos por má-fé sob a DTSA, devolução de todo material, e injunção permanente contra uso ou divulgação dos segredos comerciais.

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