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Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais e aliciamento

A Apple acusa a OpenAI de extrair dados confidenciais e recrutar mais de 400 ex-funcionários para desenvolver seu próprio hardware de consumo.

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Foto: Época Negócios
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10/07 às 18:15 · atualizado há 9min

Pontos principais

  • A Apple abriu um processo judicial em San Jose, na Califórnia, contra a OpenAI por roubo de segredos comerciais.
  • A fabricante do iPhone alega que a OpenAI recrutou mais de 400 ex-funcionários em uma campanha sistemática de extração de dados.
  • O processo cita Tang Tan, diretor de hardware da OpenAI e ex-executivo da Apple, por supostamente coordenar a obtenção de informações confidenciais.
  • O engenheiro Chang Liu é acusado de acessar arquivos confidenciais de hardware da Apple após ter sido contratado pela OpenAI.
  • A Apple afirma que candidatos a vagas na OpenAI eram instruídos a levar protótipos e documentos proprietários para entrevistas.
  • A ação busca uma ordem judicial para interromper o uso de tecnologias da Apple e pleiteia indenização por danos.
  • O conflito ocorre em meio ao desenvolvimento de hardware próprio pela OpenAI, que compete diretamente com o ecossistema da Apple.

A Apple iniciou uma disputa judicial contra a OpenAI, acusando a startup de inteligência artificial de realizar uma campanha sistemática para roubar segredos comerciais e aliciar talentos. O processo, registrado em um tribunal federal na Califórnia, detalha alegações de que a OpenAI utilizou ex-funcionários da Apple para obter acesso indevido a tecnologias, processos de fabricação e projetos de hardware ainda não lançados. Segundo a Apple, mais de 400 ex-colaboradores foram contratados pela empresa de IA, que teria incentivado a extração de documentos confidenciais e até de protótipos físicos durante processos de recrutamento. A companhia busca agora uma ordem judicial para impedir o uso de suas propriedades intelectuais e exige compensação financeira pelos danos causados.

Entre os nomes citados na ação estão Tang Tan, ex-executivo da Apple e atual diretor de hardware da OpenAI, e o engenheiro Chang Liu. A Apple acusa Tan de orquestrar a obtenção de dados sigilosos, enquanto Liu é apontado por acessar arquivos confidenciais da rede interna da Apple mesmo após sua transição para a OpenAI. A empresa alega que a conduta faz parte de uma estratégia deliberada da liderança da OpenAI para acelerar o desenvolvimento de seus próprios dispositivos de hardware, visando competir no mercado de consumo, um setor onde a Apple detém uma posição dominante.

Esta disputa marca uma deterioração significativa na relação entre as duas gigantes do Vale do Silício, que haviam estabelecido uma parceria estratégica em 2024. A escalada das tensões reflete a intensa concorrência no setor de tecnologia, onde a corrida pelo desenvolvimento de dispositivos integrados com IA de nova geração tem levado empresas a disputar agressivamente talentos e inovações proprietárias. Para a Apple, a proteção de seus segredos industriais é vital para manter sua vantagem competitiva em um mercado cada vez mais saturado por inovações em hardware e inteligência artificial.

Fonte primária

Apple Inc. (via Weil, Gotshal & Manges LLP) / U.S. District Court for the Northern District of California

Apple Inc. v. Chang Liu, Tang Yew Tan, OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products, LLC — Complaint (Caso 5:26-cv-07078, N.D. Cal., San Jose Division)

Apple protocolou em 10/07/2026 ação na Corte Distrital do Distrito Norte da Califórnia (caso 5:26-cv-07078) contra dois ex-funcionários — Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos (8 anos na linha do iPhone) e Tang Yew Tan, ex-VP de design de produto do iPhone/Apple Watch (24 anos de casa) — além da OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products LLC (startup de hardware de Tan comprada pela OpenAI por ~US$ 6,5 bi em 2025), por violação da Defend Trade Secrets Act e quebra de contrato de propriedade intelectual. A denúncia alega que Liu, após deixar a Apple em 22/01/2026 e ir para a OpenAI, usou sem autorização o computador ainda ativo de Yu-Ting 'Alyssa' Peng (funcionária Apple que permaneceu na empresa) para acessar armazenamento em nuvem da Apple via falha de autenticação, baixando dezenas de arquivos confidenciais — incluindo um compilado técnico de mais de 1.000 páginas e material sobre fabricação de placas-mãe (MLBs) — e instruindo Peng a copiar arquivos 'para evitar problemas com a equipe de segurança' e a se comunicar por LINE Messenger para escapar de detecção. A Apple também alega que Tan usava nomes-código internos da Apple em entrevistas de contratação da OpenAI para perguntar sobre produtos não anunciados, pedia que candidatos levassem peças físicas da Apple (baterias, SIP, MLB, blindagens) para 'mostrar e contar', obteve e circulou um documento interno de segurança sobre desligamento de gerentes, e orientava novos contratados a não revelar o próximo empregador à Apple e a adiar a saída para manter acesso confidencial por mais tempo. Em nível institucional, a Apple acusa a OpenAI de estruturar seu processo de entrevistas com 'Technical Deep Dives' que extraem segredos comerciais (CAD, protótipos, fornecedores), de levar um fornecedor de acabamento metálico da Apple a repassar técnica proprietária multi-etapas sob falsa impressão de consentimento da Apple, e de abordar outro fornecedor (baterias) usando terminologia interna da Apple para obter especificações proprietárias. A Apple pede indenização, arbitramento de royalties, danos punitivos por má-fé sob a DTSA, devolução de todo material, e injunção permanente contra uso ou divulgação dos segredos comerciais.

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