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Apple processa OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais

A Apple iniciou uma ação judicial contra a OpenAI, acusando a startup de utilizar segredos comerciais roubados por ex-funcionários para desenvolver hardware de IA.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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10/07 às 18:15 · atualizado há 40min

Pontos principais

  • A ação judicial foi protocolada em um tribunal federal da Califórnia na última sexta-feira.
  • A Apple alega que ex-funcionários violaram acordos de confidencialidade ao ingressarem na OpenAI.
  • O processo aponta que a OpenAI utilizou informações confidenciais para acelerar sua entrada no mercado de dispositivos de consumo.
  • Dois funcionários da OpenAI foram citados nominalmente na denúncia por apropriação indevida de dados.
  • A Apple afirma que tentou resolver a disputa internamente com a liderança da OpenAI, mas não obteve resposta.
  • A empresa acusa a OpenAI de normalizar condutas ilícitas e basear seu negócio de hardware em propriedade intelectual roubada.

A Apple formalizou um processo judicial contra a OpenAI, acusando a startup de inteligência artificial de orquestrar um esforço sistemático para obter segredos comerciais. Segundo a petição, a OpenAI teria se beneficiado da contratação de centenas de ex-funcionários da Apple, que teriam levado informações ultrassecretas sobre o desenvolvimento de hardware de consumo para a nova empresa. A gigante de Cupertino sustenta que essa transferência de conhecimento técnico foi fundamental para acelerar os projetos de hardware da OpenAI, configurando uma violação direta de contratos de confidencialidade e propriedade intelectual.

O litígio marca uma escalada significativa na rivalidade entre as duas empresas no setor de tecnologia. A Apple descreve o ambiente da OpenAI como um local onde a má conduta foi normalizada, alegando que a divisão de hardware da startup estaria fundamentada em práticas ilegais. Além de buscar reparação, a Apple destaca que tentou resolver o impasse diretamente com a liderança da OpenAI antes de recorrer à esfera judicial, porém não obteve sucesso. O caso agora segue para análise em um tribunal federal da Califórnia, colocando em xeque a estratégia de expansão da OpenAI no mercado de dispositivos físicos.

Fonte primária

U.S. District Court, Northern District of California (San Jose Division) / Apple Inc. (Weil, Gotshal & Manges LLP)

Apple Inc. v. Chang Liu, Tang Yew Tan, OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC, and io Products, LLC — Complaint for Trade Secret Misappropriation and Breach of Contract (Case No. 5:26-cv-07078)

Apple processou, em 10 de julho de 2026, no Tribunal Distrital Federal do Distrito Norte da Califórnia (Divisão de San Jose), dois ex-funcionários — Chang Liu e Tang Yew Tan — além de OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products, LLC, por apropriação indevida de segredos comerciais (Defend Trade Secrets Act) e quebra de contrato. A petição alega um "padrão de furto" de segredos comerciais de hardware da Apple (design de produto, arquitetura de sistema, processos de manufatura, ligas metálicas proprietárias, relações com fornecedores) por ex-funcionários que hoje trabalham na OpenAI, beneficiando o esforço da empresa de entrar no mercado de hardware de consumo. Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos com 8 anos na Apple, teria deixado de devolver um notebook corporativo, explorado uma falha de autenticação para acessar o repositório de rede da Apple após sair (chegou a comemorar em mensagem: "LOL, descobri que consigo acessar [o armazenamento de rede], que engraçado"), baixado dezenas de arquivos confidenciais — incluindo uma apresentação técnica sobre placas lógicas principais (MLBs) — e orientado uma colega ainda na Apple (Yu-Ting "Alyssa" Peng) a copiar arquivos evitando a equipe de segurança antes de também migrar para a OpenAI. Tang Yew Tan, ex-VP de Design de Produto para iPhone e Apple Watch por 24 anos e hoje Chief Hardware Officer da OpenAI (cofundador da io Products, adquirida pela OpenAI por ~US$ 6,5 bi), é acusado de usar nomes de projetos internos da Apple em entrevistas de contratação para extrair informação de candidatos, e de instruir candidatos a levar peças físicas ("baterias", "SiP", placas lógicas) para sessões de "mostra e conta". A Apple diz ter notificado a OpenAI em fevereiro de 2026 sobre suspeitas de uso indevido de suas informações confidenciais, sem resposta. A petição traz seis causas de ação: apropriação indevida de segredos comerciais (DTSA) contra Liu, Tan, OpenAI e io Products (individualmente), e quebra do Acordo de Propriedade Intelectual (IPA) contra Liu e Tan. Apple pede liminar impedindo uso/divulgação dos segredos, devolução de todo material, indenização por danos (incluindo royalty razoável e danos exemplares por apropriação dolosa) e honorários advocatícios. A petição destaca que a disputa não afeta o acordo comercial existente entre as empresas para integração do ChatGPT à Apple Intelligence.

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