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Apple processa OpenAI por suposto roubo de segredos comerciais

A Apple acusa a OpenAI de utilizar segredos industriais obtidos por ex-funcionários para acelerar o desenvolvimento de hardware de consumo.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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10/07 às 18:15 · atualizado 20:31

Pontos principais

  • A Apple protocolou uma ação judicial contra a OpenAI em um tribunal federal da Califórnia na última sexta-feira.
  • O processo alega que ex-funcionários violaram acordos de confidencialidade ao transferir segredos comerciais para a OpenAI.
  • A denúncia cita nominalmente Chang Liu e Tang Yew Tan, atual chefe de hardware da OpenAI, como envolvidos na apropriação indevida.
  • A Apple afirma que a OpenAI utilizou informações confidenciais sobre processos de fabricação e cadeia de suprimentos para seu novo braço de hardware.
  • A fabricante do iPhone alega que a OpenAI instruiu fornecedores a replicarem técnicas exclusivas de acabamento de metal da Apple.
  • A OpenAI negou as acusações em comunicado oficial, afirmando não ter interesse em segredos comerciais de terceiros.
  • O litígio ocorre após a aquisição da startup io Products pela OpenAI, movimento visto como estratégico para sua entrada no mercado de dispositivos.

A Apple iniciou uma ofensiva judicial contra a OpenAI, acusando a startup de inteligência artificial de orquestrar um roubo sistemático de segredos comerciais. Segundo a petição protocolada na Califórnia, a OpenAI teria se beneficiado de informações confidenciais subtraídas por ex-funcionários da Apple, incluindo projetos de produtos, processos de fabricação e estratégias de cadeia de suprimentos. A gigante de tecnologia descreveu o braço de hardware da OpenAI como dependente de práticas ilegais, alegando que a empresa teria até instruído fornecedores a replicar técnicas proprietárias de acabamento de metal utilizadas no iPhone. O processo cita nominalmente dois ex-colaboradores, Chang Liu e Tang Yew Tan, este último atualmente responsável pela divisão de hardware da OpenAI. A Apple sustenta que tentou resolver a questão diretamente com a liderança da OpenAI antes de recorrer à justiça, mas não obteve resposta. Em contrapartida, a OpenAI refutou as alegações, declarando formalmente que não possui interesse em segredos comerciais de outras companhias e que suas operações seguem padrões éticos de mercado. O caso ganha relevância por marcar uma escalada significativa na rivalidade entre as duas empresas, especialmente após a OpenAI adquirir a startup io Products, fundada pelo designer Jony Ive, em um esforço para expandir sua presença no setor de dispositivos de consumo. A disputa judicial coloca em xeque a integridade das práticas de contratação e a proteção de propriedade intelectual no competitivo ecossistema de IA, onde a transição de talentos entre grandes players tem se tornado um ponto crítico de atrito. O desfecho desta ação pode estabelecer precedentes importantes sobre como segredos industriais são protegidos quando empresas de software migram para o desenvolvimento de hardware físico.

Fonte primária

U.S. District Court, Northern District of California (San Jose Division) / Apple Inc. (Weil, Gotshal & Manges LLP)

Apple Inc. v. Chang Liu, Tang Yew Tan, OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC, and io Products, LLC — Complaint for Trade Secret Misappropriation and Breach of Contract (Case No. 5:26-cv-07078)

Apple processou, em 10 de julho de 2026, no Tribunal Distrital Federal do Distrito Norte da Califórnia (Divisão de San Jose), dois ex-funcionários — Chang Liu e Tang Yew Tan — além de OpenAI Foundation, OpenAI Group PBC e io Products, LLC, por apropriação indevida de segredos comerciais (Defend Trade Secrets Act) e quebra de contrato. A petição alega um "padrão de furto" de segredos comerciais de hardware da Apple (design de produto, arquitetura de sistema, processos de manufatura, ligas metálicas proprietárias, relações com fornecedores) por ex-funcionários que hoje trabalham na OpenAI, beneficiando o esforço da empresa de entrar no mercado de hardware de consumo. Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos com 8 anos na Apple, teria deixado de devolver um notebook corporativo, explorado uma falha de autenticação para acessar o repositório de rede da Apple após sair (chegou a comemorar em mensagem: "LOL, descobri que consigo acessar [o armazenamento de rede], que engraçado"), baixado dezenas de arquivos confidenciais — incluindo uma apresentação técnica sobre placas lógicas principais (MLBs) — e orientado uma colega ainda na Apple (Yu-Ting "Alyssa" Peng) a copiar arquivos evitando a equipe de segurança antes de também migrar para a OpenAI. Tang Yew Tan, ex-VP de Design de Produto para iPhone e Apple Watch por 24 anos e hoje Chief Hardware Officer da OpenAI (cofundador da io Products, adquirida pela OpenAI por ~US$ 6,5 bi), é acusado de usar nomes de projetos internos da Apple em entrevistas de contratação para extrair informação de candidatos, e de instruir candidatos a levar peças físicas ("baterias", "SiP", placas lógicas) para sessões de "mostra e conta". A Apple diz ter notificado a OpenAI em fevereiro de 2026 sobre suspeitas de uso indevido de suas informações confidenciais, sem resposta. A petição traz seis causas de ação: apropriação indevida de segredos comerciais (DTSA) contra Liu, Tan, OpenAI e io Products (individualmente), e quebra do Acordo de Propriedade Intelectual (IPA) contra Liu e Tan. Apple pede liminar impedindo uso/divulgação dos segredos, devolução de todo material, indenização por danos (incluindo royalty razoável e danos exemplares por apropriação dolosa) e honorários advocatícios. A petição destaca que a disputa não afeta o acordo comercial existente entre as empresas para integração do ChatGPT à Apple Intelligence.

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