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Tensões entre EUA e Irã elevam petróleo e derrubam bolsas globais

O fim do acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, anunciado por Donald Trump, disparou o preço do petróleo e gerou aversão ao risco nos mercados.

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Foto: G1 - Economia
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08/07 às 06:45 · atualizado 18:32

Pontos principais

  • O presidente Donald Trump declarou o fim do memorando de entendimento com o Irã, encerrando o cessar-fogo vigente.
  • O preço do petróleo Brent disparou mais de 6% devido ao risco de interrupção no fornecimento pelo Estreito de Ormuz.
  • Bolsas em Nova York e na Europa operam em queda acentuada diante da escalada geopolítica no Oriente Médio.
  • O Ibovespa recuou 0,79%, pressionado pela aversão ao risco, apesar da alta pontual de ações de petroleiras.
  • O dólar à vista subiu frente ao real, refletindo a busca por proteção em ativos considerados mais seguros.
  • Taxas de juros futuros no Brasil avançaram com receios de que o petróleo caro pressione a inflação local.
  • O governo brasileiro avalia adiar o fim da subvenção à gasolina para conter o impacto da alta da commodity.
  • Investidores aguardam a ata do Federal Reserve em busca de sinais sobre a trajetória de juros nos EUA.
  • Ataques militares entre forças americanas e iranianas no Golfo Pérsico intensificaram a instabilidade global.

Os mercados financeiros globais enfrentam um dia de forte instabilidade após o presidente Donald Trump declarar o fim do acordo de cessar-fogo com o Irã. A decisão, anunciada em meio a uma escalada de ataques militares no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, reverteu expectativas de estabilidade diplomática e provocou uma corrida por ativos de proteção. Como consequência imediata, o preço do petróleo disparou mais de 6% nos mercados internacionais, elevando o temor de que uma interrupção no fornecimento global de energia possa pressionar a inflação em diversos países. Em Nova York e na Europa, os principais índices acionários registraram quedas significativas, refletindo a aversão ao risco dos investidores diante da incerteza geopolítica.

No Brasil, o cenário não foi diferente. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,79%, pressionado pela cautela global, embora o setor de petroleiras tenha registrado ganhos devido à valorização da commodity. O dólar à vista apresentou alta frente ao real, enquanto as taxas de juros futuros subiram, impulsionadas pelo receio de que o choque de oferta do petróleo dificulte a convergência da inflação à meta e interrompa o ciclo de cortes da taxa Selic. Diante desse cenário, o governo brasileiro sinalizou que pode adiar o fim da subvenção à gasolina e ao diesel, medida que visa mitigar o impacto do aumento dos combustíveis no orçamento das famílias e nos custos de produção nacional.

Além da crise no Oriente Médio, o mercado financeiro mantém o foco na agenda econômica dos Estados Unidos. A expectativa pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fomc) domina as atenções, com investidores buscando pistas sobre a política monetária sob a gestão de Kevin Warsh. Há uma preocupação crescente de que a inflação persistente, agravada pela alta dos preços de energia, force o banco central americano a manter juros restritivos por um período mais longo do que o inicialmente previsto.

Analistas alertam que a volatilidade deve permanecer elevada enquanto não houver clareza sobre os próximos passos do conflito entre Washington e Teerã. O histórico de declarações do governo americano e a retórica iraniana sobre o fechamento de rotas estratégicas de navegação mantêm o prêmio de risco em patamares elevados. Para o investidor, o momento exige cautela, dado que a combinação de tensões geopolíticas e incertezas sobre a política monetária global reduz a previsibilidade para o planejamento de empresas e a alocação de capital nos próximos meses.

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