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Marine Le Pen lança candidatura à presidência da França após decisão judicial

Após ter sua pena de inelegibilidade reduzida, Marine Le Pen oficializa sua quarta tentativa à presidência da França em 2027, enfrentando protestos e desafios jurídicos.

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Foto: G1 Mundo
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08/07 às 04:31 · atualizado 16:16

Pontos principais

  • Marine Le Pen foi condenada por desviar fundos do Parlamento Europeu, com valores entre 1,4 e 4 milhões de euros.
  • A Corte de Apelações de Paris reduziu a pena de inelegibilidade, permitindo que ela concorra ao cargo em 2027.
  • A sentença inclui três anos de prisão, com um ano em regime aberto e uso de tornozeleira eletrônica.
  • Esta será a quarta tentativa de Le Pen de alcançar o cargo mais alto do executivo francês.
  • O lançamento da campanha em La Flèche foi marcado por protestos de grupos de esquerda que a chamaram de criminosa.
  • A candidata adota uma retórica antissistema, traçando paralelos com o estilo político de Donald Trump para mobilizar sua base.
  • Apesar da viabilidade eleitoral garantida, a incerteza jurídica permanece como um ponto de pressão constante na campanha.

A líder de extrema-direita Marine Le Pen oficializou sua candidatura à presidência da França para 2027, logo após uma decisão da Corte de Apelações de Paris alterar sua situação jurídica. Embora o tribunal tenha confirmado sua condenação por desviar fundos do Parlamento Europeu — com estimativas que variam entre 1,4 milhão e 4 milhões de euros —, a sentença reduziu a pena de inelegibilidade que a impedia de disputar cargos públicos. A decisão judicial final impõe três anos de prisão, sendo um deles em regime aberto com o uso de monitoramento eletrônico, mas garante sua elegibilidade para o pleito. O evento de lançamento ocorreu em La Flèche, onde Le Pen esteve acompanhada de seu vice, Jordan Bardella, e enfrentou manifestações de opositores que protestaram contra sua condenação.

Esta será a quarta tentativa de Le Pen de alcançar o cargo mais alto do executivo francês. A condenação anterior por desvio de recursos públicos gerou incertezas significativas sobre sua viabilidade política, mas a candidata conseguiu contornar o impedimento legal que ameaçava encerrar sua trajetória eleitoral. Ao minimizar os impactos de suas questões jurídicas, ela busca transferir a decisão sobre seu futuro político diretamente para as urnas, consolidando sua base em um cenário de forte polarização.

Em sua nova fase de campanha, Le Pen tem adotado uma retórica que evoca o estilo de Donald Trump, posicionando-se como uma figura antissistema e uma "Joana d'Arc moderna". A estratégia visa atrair eleitores descontentes com o establishment político tradicional francês, focando em temas como soberania nacional e resistência às estruturas de poder vigentes. Com o caminho legal liberado, a candidata tenta transformar o desgaste judicial em um trunfo político, reforçando sua narrativa de perseguição e resiliência perante o eleitorado, ainda que o "ruído jurídico" continue a ser um ponto central de crítica por parte de seus adversários políticos.

Fontes primárias

Cour d'appel de Paris (Première présidence)

Communiqué de presse — Décision de la cour d'appel de Paris du 7 juillet 2026 (affaire dite « des assistants parlementaires du Front National »)

A chambre des appels correctionnels da Cour d'appel de Paris confirma, em 7 de julho de 2026, a culpa de Marine Le Pen (então eurodeputada e depois presidente do partido) por desvio de fundos públicos e cumplicidade de desvio de fundos públicos, no esquema em que assistentes parlamentares do Front National/Rassemblement National no Parlamento Europeu eram na prática pagos pelo partido nacional — prejuízo total estimado em 2,8 milhões de euros ao Parlamento Europeu, ao longo de mais de 11 anos. A pena: 3 anos de prisão, sendo 2 com sursis, com a parte firme cumprida em detenção domiciliar com monitoramento eletrônico. A pena de inelegibilidade foi fixada em 45 meses, dos quais 30 meses com sursis — ante os ~15 meses efetivos já cumpridos desde 31 de março de 2025, a corte considera que essa execução já 'reparou o dano à probidade' de forma compatível com as garantias fundamentais do cidadão, e que ignorar isso violaria o princípio da liberdade de candidatura, condição essencial da expressão democrática do sufrágio universal — o que na prática restaura a elegibilidade de Le Pen para a eleição presidencial de 2027. A decisão (acórdão de 339 páginas) admite recurso de cassação em 10 dias.

Marine Le Pen (@MLP_officiel)

Post de Marine Le Pen confirmando candidatura à presidência (X/@MLP_officiel)

'A Cour d'appel me devolveu minha elegibilidade. Sou agora candidata à eleição presidencial, com Jordan Bardella ao meu lado, e milhões de franceses, prontos para fazer campanha conosco para convencer uma maioria de nossos compatriotas de que só o nosso projeto permitirá o renascimento da França.' — publicado horas após a decisão da Cour d'appel de Paris que reduziu sua pena de inelegibilidade.

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