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Príncipe Harry perde processo contra editora do Daily Mail

A Alta Corte de Londres rejeitou a ação movida pelo Príncipe Harry e outros famosos contra a Associated Newspapers por falta de provas de coleta ilegal de dados.

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Foto: NYTimes World
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07/07 às 10:34 · atualizado 13:05

Pontos principais

  • O Príncipe Harry e outros seis autores, incluindo Elton John, perderam a ação judicial contra a Associated Newspapers Limited (ANL).
  • A acusação alegava que o grupo, editor do Daily Mail, utilizou métodos ilegais como grampos telefônicos e detetives particulares.
  • O juiz Matthew Nicklin, da Alta Corte de Londres, concluiu que não houve evidências suficientes para sustentar as alegações de ilicitude.
  • O tribunal determinou que as informações publicadas pelo jornal poderiam ter origem em fontes legítimas.
  • A decisão representa um revés significativo na série de batalhas judiciais que o Duque de Sussex trava contra a imprensa britânica.
  • A ANL classificou a sentença como uma vitória para a liberdade de imprensa e para a integridade jornalística da empresa.

O Príncipe Harry sofreu uma derrota judicial importante em Londres após a Alta Corte rejeitar o processo movido contra a Associated Newspapers Limited (ANL), editora do tabloide Daily Mail. O Duque de Sussex, acompanhado por outras figuras públicas como o cantor Elton John, acusava a editora de conduzir uma campanha de coleta ilegal de informações ao longo de duas décadas. Entre as alegações, os autores citavam a interceptação de mensagens telefônicas, o uso de escutas e a contratação de detetives particulares para obter dados privados de forma ilícita. O caso era visto como um dos pilares da estratégia do príncipe para confrontar o que ele descreve como práticas abusivas da imprensa britânica. No entanto, o juiz Matthew Nicklin decidiu que os demandantes não apresentaram provas concretas que sustentassem as acusações. Segundo o magistrado, as evidências fornecidas foram insuficientes para comprovar que o jornal teria recorrido a métodos ilegais, sugerindo que o conteúdo publicado poderia ter sido obtido por meios legítimos. A decisão encerra, por ora, a tentativa do grupo de levar o caso a julgamento completo. Para a Associated Newspapers, o veredito foi recebido como uma vitória para a liberdade de imprensa e um reconhecimento da integridade de suas práticas jornalísticas. O resultado marca um revés relevante para o Príncipe Harry, que tem dedicado parte considerável de seu tempo e recursos a litígios contra tabloides do Reino Unido desde que se afastou de suas funções reais. A derrota reforça a dificuldade jurídica enfrentada pelo príncipe em provar alegações de invasão de privacidade contra grandes grupos de mídia, em um momento em que ele mantém residência na Califórnia e visitas esporádicas ao seu país de origem.

Fonte primária

Courts and Tribunals Judiciary (Mr Justice Nicklin, King's Bench Division)

Various Claimants -v- Associated Newspapers Limited [2026] EWHC 1637 (KB) — Summary

No julgamento de 7 de julho de 2026, o juiz Nicklin encerrou o processo movido por sete requerentes — Baroness Lawrence of Clarendon, Elizabeth Hurley, Sir Elton John, David Furnish, Sir Simon Hughes, o Príncipe Harry (Duque de Sussex) e Sadie Frost Law — contra a Associated Newspapers Limited, publicadora do Daily Mail, Mail on Sunday e MailOnline. O julgamento durou 46 dias (19 de janeiro a 31 de março de 2026) e examinou 57 artigos e incidentes individualmente. Os requerentes alegavam uso indevido de informação privada e/ou quebra de confidencialidade, decorrentes de suposta obtenção ilegal de informação (UIG) via detetives particulares, 'blagging' (obtenção por engano), grampo de celular e/ou pagamentos corruptos. A Associated negou toda irregularidade. O tribunal aplicou o padrão civil de prova (balanço de probabilidades), mas exigiu evidência mais robusta dado o caráter grave das alegações (desonestidade, conduta ilegal, provas falsas deliberadas). A Corte concluiu que suspeita, ainda que compreensível, não basta: os requerentes precisavam provar que a informação usada em cada artigo foi obtida ilegalmente, e rejeitou o argumento de que informação privada sem explicação de origem pela editora implica automaticamente fonte ilícita. O tribunal aceitou os depoimentos dos jornalistas da Associated, que deram explicações lícitas para a apuração dos artigos contestados, e negou as alegações de UIG. A Corte não decidiu se a obtenção ilegal era 'disseminada e habitual' na Associated — julgou apenas as alegações específicas pleiteadas. Todos os pedidos foram julgados improcedentes ('the claims are therefore dismissed'). Por não terem sido provados no mérito, a Corte não precisou decidir a defesa alternativa de prescrição (limitation) na maior parte dos casos, exceto quanto a reivindicações específicas de Sir Simon Hughes e Sadie Frost Law sobre os 'Miskiw/Anderson Emails', que teriam prescrito de qualquer forma. A Corte também rejeitou a alegação de que três executivos seniores da Associated (Paul Dacre, Elizabeth Hartley e Peter Wright) mentiram ao Leveson Inquiry. Uma audiência sobre as ordens consequentes ao julgamento está marcada para 29-30 de julho de 2026.

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