Itamaraty critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas
Governo brasileiro aponta riscos à soberania nacional e ausência de diálogo após medida unilateral do governo Trump contra facções criminosas.
Pontos principais
- O Itamaraty afirma que não houve notificação formal dos EUA sobre a classificação das facções como organizações terroristas.
- O governo brasileiro manifestou preocupação com a possibilidade de ações militares e judiciais extraterritoriais em seu território.
- A medida impõe sanções financeiras e bloqueio de ativos contra indivíduos e empresas com supostos vínculos aos grupos criminosos.
- O Ministério das Relações Exteriores defende que os mecanismos de cooperação existentes são suficientes para o combate ao crime transnacional.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou forte oposição à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em documento enviado à Câmara dos Deputados, o chanceler Mauro Vieira destacou que a medida foi tomada de forma unilateral, sem comunicação prévia ou diálogo formal com as autoridades brasileiras. O governo avalia que a iniciativa, em vigor desde junho de 2026, é juridicamente inadequada e representa uma ameaça à soberania nacional, ao abrir precedentes para intervenções externas e ações judiciais extraterritoriais.
Além das implicações diplomáticas, o Itamaraty alertou para os riscos de que a classificação seja utilizada para justificar o uso de força militar em solo brasileiro. Paralelamente, o Departamento do Tesouro dos EUA já iniciou a aplicação de sanções econômicas, incluindo o bloqueio de ativos e restrições a cidadãos e empresas suspeitos de ligação com as facções. O governo brasileiro sustenta que a estratégia norte-americana não traz benefícios práticos para o combate ao crime organizado e defende a manutenção dos acordos de cooperação internacional já estabelecidos para o enfrentamento à lavagem de dinheiro e ao tráfico transnacional.
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