Daily Journal
Daily Journal

Fifa anula suspensão de Balogun após intervenção de Donald Trump

A Fifa reverteu a punição do atacante americano Folarin Balogun após pressão direta de Donald Trump, gerando críticas internacionais sobre a autonomia da entidade.

Daily Journal
Foto: Politico White House
||
06/07 às 16:45 · atualizado 23:03

Pontos principais

  • O atacante americano Folarin Balogun foi liberado para jogar as oitavas de final após a Fifa suspender sua punição automática.
  • A decisão ocorreu após o presidente Donald Trump telefonar pessoalmente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.
  • Trump criticou publicamente o árbitro brasileiro Raphael Claus, classificando a expulsão como suspeita e injusta.
  • A Fifa utilizou o artigo 27 de seu Código Disciplinar para aplicar um período probatório, permitindo a reversão da sanção.
  • A CBF e a Conmebol emitiram notas oficiais em defesa da integridade e do profissionalismo do árbitro Raphael Claus.
  • A Federação Belga de Futebol recorreu da decisão, mas o pedido foi considerado inadmissível pela entidade máxima do futebol.
  • Entidades como a Uefa e a União Europeia criticaram a intervenção, alegando que a Fifa ultrapassou limites de independência.
  • Gianni Infantino negou interferência política, sustentando que a decisão foi tomada de forma autônoma pelos órgãos judiciais da Fifa.
  • Apesar da polêmica, a seleção dos Estados Unidos acabou eliminada da Copa do Mundo após derrota por 4 a 1 para a Bélgica.

A Copa do Mundo de 2026 foi marcada por uma crise diplomática e esportiva sem precedentes após a reversão da suspensão do atacante americano Folarin Balogun. O jogador, que havia recebido um cartão vermelho em partida contra a Bósnia e Herzegovina, foi liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica após uma intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mandatário admitiu ter contatado o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para questionar a punição, a qual classificou como injusta, além de levantar suspeitas infundadas sobre a conduta do árbitro brasileiro Raphael Claus. Em resposta, tanto a CBF quanto a Conmebol manifestaram apoio público a Claus, reforçando a integridade do profissional diante das acusações da Casa Branca. A Fifa justificou a liberação de Balogun baseando-se no artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite a suspensão parcial de medidas punitivas sob regime de período probatório. A manobra jurídica, contudo, foi recebida com forte ceticismo pela comunidade internacional. A Uefa e a Federação Belga de Futebol protestaram formalmente, argumentando que a intervenção política compromete a credibilidade e a igualdade da competição. O caso gerou um debate global sobre a autonomia das entidades esportivas frente a pressões de chefes de Estado. Enquanto a Fifa insiste na independência de seus órgãos judiciais, críticos apontam que o episódio fragiliza a governança do futebol e coloca em xeque a imagem da Copa como um evento regido estritamente por normas técnicas. A polêmica também levantou questionamentos sobre a eficácia do sistema de arbitragem tecnológica, que foi alvo de críticas por parte do governo americano durante o processo. Mesmo com a liberação de Balogun, a trajetória dos Estados Unidos no torneio foi encerrada com uma derrota por 4 a 1 para a Bélgica. O impacto do caso, porém, deve perdurar, com parlamentares e federações exigindo maior transparência e isonomia na aplicação de sanções disciplinares em futuras edições da Copa do Mundo, visando evitar que pressões políticas externas continuem a influenciar decisões esportivas de alto nível.

Fontes primárias

FIFA

USA's Balogun available for Belgium

A Comissão Disciplinar da FIFA informou, em nota publicada em 5 de julho de 2026, que suspendeu a aplicação do cartão vermelho recebido pelo atacante americano Folarin Balogun aos 64 minutos da vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina nas oitavas de final. O texto oficial diz: "por aplicação do Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA (FDC), a execução da suspensão automática de jogo do jogador dos EUA Folarin Balogun fica suspensa por um período probatório de um (1) ano" — ou seja, o jogador está liberado para atuar, mas a sanção pode ser reativada caso ele cometa nova infração de natureza e gravidade semelhantes dentro desse prazo. A nota da FIFA não menciona o telefonema do presidente Donald Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, nem apresenta outra justificativa para a decisão além da citação do artigo regulamentar.

Sepp Blatter (@SeppBlatter, ex-presidente da FIFA)

Post de Sepp Blatter no X sobre a reversão do cartão de Balogun

No X, o ex-presidente da FIFA Sepp Blatter criticou a reversão da suspensão de Balogun: "cartões vermelhos não são revertidos por ligações políticas. São revertidos por regras, evidências e órgãos independentes. Se um presidente dos EUA intervém junto ao presidente da FIFA — e um jogador é subitamente liberado antes de um jogo eliminatório da Copa do Mundo — a pergunta é inevitável: Quo vadis, FIFA?". Ele encerra dizendo que "o futebol nunca deve se tornar um playground para o poder político", numa referência direta ao telefonema de Donald Trump a Gianni Infantino pedindo revisão do cartão vermelho de Balogun.

Tópicos relacionados

Comentários

Carregando comentários...