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Fifa libera jogador americano após intervenção de Donald Trump

A Fifa reverteu a suspensão do atacante Folarin Balogun após contato de Donald Trump, gerando críticas internacionais sobre a autonomia da entidade.

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Foto: G1 Mundo
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06/07 às 16:45 · atualizado há 9min

Pontos principais

  • O presidente Donald Trump admitiu ter solicitado a Gianni Infantino a revisão da expulsão do jogador Folarin Balogun.
  • A Fifa aplicou o artigo 27 do seu Código Disciplinar para suspender a punição do atleta, permitindo sua escalação nas oitavas de final.
  • Trump classificou a arbitragem do brasileiro Raphael Claus como suspeita, o que levou a CBF a emitir nota em defesa da integridade do árbitro.
  • A Uefa e a Federação Belga de Futebol protestaram contra a decisão, alegando interferência política e risco à integridade da competição.
  • O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou a medida, classificando o episódio como uma interferência política inaceitável.
  • A Fifa rejeitou o recurso da Bélgica, mantendo a decisão sob o argumento de independência dos seus órgãos judiciais.
  • Parlamentares e federações europeias agora buscam isonomia, solicitando a revisão de punições de outros atletas com base no precedente aberto.

A decisão da Fifa de reverter a suspensão automática do atacante americano Folarin Balogun, após uma conversa direta entre o presidente Donald Trump e o mandatário da entidade, Gianni Infantino, gerou uma crise de credibilidade na Copa do Mundo. Trump admitiu publicamente ter solicitado a revisão da punição, classificando a expulsão aplicada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus como injusta e suspeita. Em resposta, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) emitiu um comunicado oficial repudiando as declarações do presidente americano e reafirmando a integridade e o histórico profissional de Claus.

Para viabilizar a presença de Balogun nas oitavas de final, a Fifa utilizou o artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite a suspensão parcial de sanções sob um período probatório de um ano. Embora a entidade sustente que a decisão foi tomada de forma independente por seu Comitê Disciplinar, a celeridade do processo e a confirmação do contato político provocaram reações severas. A Uefa, a Federação Belga de Futebol e o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, apontaram o caso como uma interferência política inaceitável que fere a igualdade da competição.

O impacto do precedente já reverbera fora dos gramados, com parlamentares europeus e outras federações nacionais solicitando isonomia na aplicação das regras disciplinares. A União Europeia e dirigentes esportivos reforçaram que decisões de natureza técnica devem permanecer restritas às instâncias esportivas, alertando que a influência de chefes de Estado sobre o regulamento da Fifa compromete a autonomia da organização. Enquanto a Bélgica teve seu recurso rejeitado por falta de legitimidade processual, o caso permanece como um ponto de tensão sobre os limites da diplomacia e a governança do futebol mundial.

Fontes primárias

FIFA

USA's Balogun available for Belgium

A Comissão Disciplinar da FIFA informou, em nota publicada em 5 de julho de 2026, que suspendeu a aplicação do cartão vermelho recebido pelo atacante americano Folarin Balogun aos 64 minutos da vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina nas oitavas de final. O texto oficial diz: "por aplicação do Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA (FDC), a execução da suspensão automática de jogo do jogador dos EUA Folarin Balogun fica suspensa por um período probatório de um (1) ano" — ou seja, o jogador está liberado para atuar, mas a sanção pode ser reativada caso ele cometa nova infração de natureza e gravidade semelhantes dentro desse prazo. A nota da FIFA não menciona o telefonema do presidente Donald Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, nem apresenta outra justificativa para a decisão além da citação do artigo regulamentar.

Sepp Blatter (@SeppBlatter, ex-presidente da FIFA)

Post de Sepp Blatter no X sobre a reversão do cartão de Balogun

No X, o ex-presidente da FIFA Sepp Blatter criticou a reversão da suspensão de Balogun: "cartões vermelhos não são revertidos por ligações políticas. São revertidos por regras, evidências e órgãos independentes. Se um presidente dos EUA intervém junto ao presidente da FIFA — e um jogador é subitamente liberado antes de um jogo eliminatório da Copa do Mundo — a pergunta é inevitável: Quo vadis, FIFA?". Ele encerra dizendo que "o futebol nunca deve se tornar um playground para o poder político", numa referência direta ao telefonema de Donald Trump a Gianni Infantino pedindo revisão do cartão vermelho de Balogun.

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