Daily Journal
Daily Journal

Delcy Rodríguez encerra mandato sob pressão por novas eleições na Venezuela

Presidente interina deixa o cargo sob críticas à gestão do terremoto e pressão por novas eleições, enquanto María Corina Machado articula seu retorno.

Daily Journal
Foto: SCMP - World
||
03/07 às 12:31 · atualizado 05/07 às 20:55

Pontos principais

  • Delcy Rodríguez conclui mandato de 180 dias com 63,3% de desaprovação popular.
  • O governo enfrenta críticas severas pela lentidão no socorro às vítimas dos recentes terremotos.
  • Dados oficiais apontam 2.600 mortes, enquanto a oposição estima mais de 38 mil desaparecidos.
  • Cerca de metade da população prioriza a convocação de novas eleições em vez da reconstrução nacional.
  • A líder opositora María Corina Machado, exilada no Panamá, articula seu retorno ao cenário político venezuelano.
  • Donald Trump reafirmou o apoio dos EUA à administração interina apesar da instabilidade.
  • O desastre natural tornou-se um teste crítico para a estabilidade do governo atual.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, encerra seu mandato de 180 dias nesta sexta-feira sob intenso desgaste político e críticas crescentes à gestão da crise humanitária decorrente dos recentes terremotos. Enquanto o governo defende publicamente a eficácia de suas ações de socorro e busca manter a estabilidade logística, opositores e cidadãos afetados contestam a condução da resposta à tragédia. A divergência entre os números oficiais de vítimas e as estimativas da oposição sobre desaparecidos aprofunda a crise de legitimidade, que se soma à insatisfação popular com a reconstrução das áreas atingidas.

Diante do cenário, a pressão por novas eleições tornou-se a prioridade da população, superando o interesse imediato na reconstrução nacional. A líder opositora María Corina Machado, atualmente exilada, detém os maiores índices de aprovação no país e busca ativamente seu retorno ao cenário político venezuelano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém o apoio diplomático à administração de Rodríguez, mas o fim do mandato abre um período de incertezas sobre a sucessão e a viabilidade de uma transição política, em um momento em que a extensão dos danos causados pelos tremores coloca à prova a estabilidade do governo.

Fonte primária

Delcy Rodríguez / RNV — Radio Nacional de Venezuela (emisora oficial del Estado)

Presidenta encargada Delcy Rodríguez ofrece balance sobre el despliegue gubernamental

Em coletiva com imprensa nacional e internacional em 2 de julho de 2026, a presidente encarregada Delcy Rodríguez classificou os terremotos de 24 de junho como "uma tragédia natural de uma escala que nunca imaginamos" e afirmou que a população recebeu instruções preventivas prévias e manteve estado de prontidão. Detalhou o despliegue governamental: 4 mil funcionários mobilizados já no primeiro dia, escalando para 14 mil no dia seguinte e ultrapassando 19 mil atualmente em La Guaira, sob um Comando Conjunto formalizado para centralizar resgate e assistência humanitária. Rejeitou críticas de lentidão na resposta e a sugestão de que o número real de mortos seria maior que o divulgado (balanço oficial: 2.595 mortos, 12.400 feridos). Descartou que moradia social mal construída tenha agravado o desastre, precisando que "80% dos edifícios que colapsaram são de empreendimentos privados". Acusou "laboratórios midiáticos" de fabricar narrativas (como o chamado à evacuação em massa de La Guaira) para gerar caos e obstruir os resgates, chamando os responsáveis de "miseráveis e sem alma". Agradeceu a solidariedade de 147 países (34 das Américas, 43 da Ásia, 19 da África, 46 da Europa, 3 da Oceania, mais 31 organismos internacionais/multilaterais), citando nominalmente EUA, México, Brasil, Espanha, Catar, El Salvador, Itália e Portugal. Revelou publicamente um problema de saúde e voz debilitada, dizendo preferir "converter minha dor interna ou minha condição de saúde em ação para ajudar e trabalhar incansavelmente".

Comentários

Carregando comentários...