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Justiça da União Europeia mantém multa de 4,1 bilhões de euros ao Google

O Tribunal de Justiça da União Europeia rejeitou o recurso final do Google, mantendo a multa de 4,12 bilhões de euros por práticas anticompetitivas no Android.

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Foto: WSJ Tech
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02/07 às 05:45 · atualizado 03/07 às 08:38

Pontos principais

  • O Tribunal de Justiça da União Europeia confirmou a multa de 4,12 bilhões de euros aplicada ao Google em 2018.
  • A decisão concluiu que a empresa usou o Android para consolidar sua posição dominante no mercado de buscas.
  • O Google foi acusado de forçar fabricantes a pré-instalar seus aplicativos de busca e navegador.
  • A empresa argumentou que a decisão ignora investimentos para manter o Android aberto e gratuito.
  • O Google já acumula cerca de 11 bilhões de euros em multas aplicadas pela UE por infrações antitruste.
  • O caso ocorre sob um cenário de crescente escrutínio da UE contra empresas como Apple e Meta.
  • O presidente Donald Trump tem criticado a postura regulatória europeia, ameaçando possíveis retaliações comerciais.
  • A penalidade de 4,12 bilhões de euros é considerada a maior já aplicada pelo bloco contra a gigante de tecnologia.
  • O desfecho representa um revés significativo para a estratégia de defesa da companhia no continente europeu.

O Tribunal de Justiça da União Europeia encerrou uma longa batalha jurídica ao rejeitar o recurso final da Alphabet contra uma multa antitruste de 4,12 bilhões de euros. A penalidade, aplicada originalmente pela Comissão Europeia em 2018, refere-se a práticas anticompetitivas relacionadas ao sistema operacional Android. Segundo a decisão, a gigante de tecnologia abusou de sua posição dominante ao exigir que fabricantes pré-instalassem serviços como o buscador e o navegador Chrome em novos aparelhos, bloqueando a entrada de concorrentes no mercado. Em sua defesa, o Google argumentou que a decisão ignora os investimentos realizados para manter o Android como uma plataforma aberta e gratuita, ressaltando que já adaptou seus acordos para cumprir as exigências iniciais.

Com o esgotamento de todas as instâncias, a sentença torna-se definitiva, reforçando a postura rigorosa de Bruxelas no combate ao poder das 'Big Techs', setor no qual a empresa já acumula cerca de 11 bilhões de euros em multas aplicadas pela UE ao longo dos anos. O desfecho do caso ganha contornos geopolíticos, uma vez que o presidente Donald Trump tem manifestado críticas à atuação regulatória europeia contra empresas americanas, sinalizando a possibilidade de retaliações comerciais. A decisão estabelece um precedente relevante para futuras regulações, em um momento em que a União Europeia intensifica a fiscalização sobre outras gigantes de tecnologia, como Apple e Meta.

Este veredito é visto por especialistas como um marco na regulação digital europeia, consolidando a capacidade do bloco de impor sanções financeiras significativas a companhias globais. A manutenção da multa, que figura como a maior já aplicada pela UE contra a empresa, reforça a estratégia da Comissão Europeia de limitar o controle das companhias sobre o ecossistema de dispositivos móveis, garantindo condições de concorrência mais equitativas. O Google, embora tenha sofrido a derrota judicial definitiva, mantém sua posição de que as exigências da UE podem impactar negativamente a experiência do usuário e a inovação tecnológica no setor, enquanto analistas apontam que a empresa ainda pode enfrentar desdobramentos legais adicionais decorrentes desta decisão.

Fonte primária

Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE)

Press Release No 93/26 — Judgment of the Court in Case C-738/22 P, Google and Alphabet v Commission

O TJUE nega provimento ao recurso final do Google e da Alphabet contra a decisão do Tribunal Geral, confirmando a multa por abuso de posição dominante via Android. Em 2018 a Comissão Europeia havia multado o Google em €4.342.865.000 (Alphabet solidariamente responsável por €1.921.666.000), por exigir, via acordos de distribuição, pré-instalação do Google Search e do Chrome como condição para licenciar a Play Store, e por acordos antifragmentação e de partilha de receita que reforçavam essa posição. O Tribunal Geral, em 14/9/2022, manteve a classificação de infração única e continuada mas anulou parte da decisão relativa aos acordos de partilha de receita com pré-instalação exclusiva, reduzindo a multa para €4.125.000.000 (Alphabet: €1.520.605.895). Agora o TJUE confirma esse valor revisado, rejeitando os cinco fundamentos do recurso: (1) o Tribunal Geral podia avaliar o contexto econômico como um todo, sem análise contrafactual sistemática, e confirmar o viés de status quo a favor de apps pré-instalados; (2) provar abuso de posição dominante não exige demonstrar capacidade de excluir apenas concorrentes igualmente eficientes, dadas as características dos mercados digitais; (3) os acordos antifragmentação eram aptos a limitar mercados de versões Android incompatíveis e reforçar a posição dominante, sem exigir contrafactual; (4) as justificativas objetivas do Google para os acordos antifragmentação foram corretamente rejeitadas, e a infração seguiu única e continuada apesar da anulação parcial; (5) o TJUE endossa o exercício da jurisdição plena do Tribunal Geral para fixar a multa, considerando suficiente a fundamentação e respeitados os princípios processuais, incluindo direitos de defesa.

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