Governo anuncia Plano Safra 2026/2027 com R$ 608 bilhões
O novo Plano Safra destina R$ 608 bilhões ao setor agropecuário, incluindo um pacote de 20 medidas específicas para fortalecer a agricultura familiar.
Pontos principais
- O aporte total do Plano Safra 2026/2027 alcança R$ 608 bilhões, sendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial.
- O valor para a agricultura empresarial representa um aumento de 1,7% em relação ao ciclo anterior.
- O governo lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, acompanhado de 20 novas iniciativas de apoio ao setor.
- As taxas de juros para o setor empresarial variam entre 8% e 12,5% ao ano, com teto de 9% para o Pronamp.
- Produtores com CAR regular podem obter descontos de até 1 ponto percentual nos juros, reforçando critérios ambientais.
- Novas regras proíbem o uso de recursos subsidiados em áreas com supressão de vegetação nativa.
- O agronegócio representa atualmente mais de 25% do PIB nacional e metade das exportações brasileiras.
- O anúncio oficial foi conduzido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Agricultura, André de Paula.
O governo federal oficializou o Plano Safra 2026/2027, totalizando R$ 608 bilhões em investimentos para o setor agropecuário. Do montante global, R$ 525,1 bilhões foram alocados para a agricultura empresarial — um incremento de 1,7% em relação ao ciclo anterior —, enquanto R$ 83 bilhões foram reservados para a agricultura familiar. O anúncio, realizado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Agricultura, André de Paula, reforçou o compromisso da gestão com a modernização do crédito e o desenvolvimento tecnológico no campo, visando garantir a competitividade do setor frente aos desafios globais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, complementou que o governo buscou harmonizar as necessidades do agronegócio com as possibilidades das contas públicas.
Complementando o anúncio, o Ministério do Desenvolvimento Agrário apresentou 20 novas medidas voltadas especificamente para a agricultura familiar. Essas iniciativas visam fortalecer a produção de alimentos básicos e a sustentabilidade dos pequenos produtores, integrando-se às diretrizes gerais do Plano Safra. A estratégia busca reduzir desigualdades regionais e promover a inclusão produtiva, garantindo que o suporte financeiro chegue de forma mais eficiente aos agricultores que compõem a base da segurança alimentar do país.
Apesar do volume expressivo, o valor total ficou R$ 127 bilhões abaixo do pleito das entidades do setor, com a equipe econômica justificando a limitação pela necessidade de controlar o custo fiscal em um cenário de Selic elevada. Para viabilizar as condições de crédito, foram destinados R$ 5,56 bilhões do Tesouro para a subvenção aos juros. Além do volume financeiro, o plano introduz critérios ambientais rigorosos, proibindo o uso de recursos subsidiados em empreendimentos que envolvam supressão de vegetação nativa. Produtores que adotarem práticas sustentáveis e mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular podem obter descontos de até 1 ponto percentual nos juros, incentivando a conformidade ambiental.
No âmbito operacional, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá R$ 72,6 bilhões disponíveis, com teto de juros fixado em 9% ao ano. Para garantir a segurança do crédito, a renegociação de operações de custeio passa a ser vinculada à contratação obrigatória de seguro rural ou Proagro. O cenário atual impõe desafios adicionais ao campo, como o endividamento dos produtores e a pressão sobre as margens de lucro, o que tem levado o mercado de capitais a ganhar protagonismo como fonte alternativa de financiamento, especialmente através das CPRs.
O lançamento, realizado no Palácio do Planalto, contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Alckmin destacou a importância do plano para a estabilidade econômica, enquanto Motta ressaltou o papel estratégico do setor na geração de empregos e renda. O parlamentar reafirmou o compromisso do Legislativo com pautas de interesse do agronegócio, enfatizando a necessidade de buscar um equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a manutenção de políticas públicas fundamentais para o desenvolvimento do país.
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