Ataques aéreos do Paquistão deixam 36 civis mortos no Afeganistão
Bombardeios paquistaneses em solo afegão resultam em 36 mortes e 163 feridos, elevando a tensão diplomática após atentado em Karachi.
Pontos principais
- O balanço oficial do governo afegão contabiliza 36 civis mortos e 163 feridos após os bombardeios.
- O Paquistão afirma que a operação visou esconderijos do grupo militante Jamaat-ul-Ahrar, alegando ter eliminado até 32 combatentes.
- A ofensiva foi motivada por um atentado recente contra forças paramilitares em Karachi, no Paquistão.
- O governo afegão classificou a operação como um ato de agressão e ameaçou retaliações militares.
- Diplomatas de ambos os países foram convocados para consultas após o incidente, considerado o mais letal dos últimos meses.
- Os ataques atingiram áreas residenciais na fronteira, agravando o histórico de instabilidade regional entre as nações.
Forças militares do Paquistão realizaram ataques aéreos e terrestres contra o território afegão, gerando versões conflitantes sobre o saldo da ofensiva. Enquanto autoridades do Taliban relatam a morte de 36 civis e 163 feridos em áreas residenciais no leste do Afeganistão, o governo paquistanês sustenta que a operação foi uma resposta direta a um atentado contra forças paramilitares em Karachi no último fim de semana. Islamabad alega que a ação foi direcionada a alvos estratégicos do grupo militante Jamaat-ul-Ahrar, sustentando ter eliminado entre 29 e 32 combatentes.
A discrepância nos dados sobre as vítimas intensificou a crise diplomática, levando à convocação de diplomatas de ambos os países para prestar esclarecimentos. O governo afegão condenou veementemente a operação, classificando-a como um ato de agressão e emitindo ameaças de retaliação em resposta às baixas civis registradas durante os ataques noturnos. A situação é vista como o ponto mais crítico de uma escalada de tensões que perdura há meses na região fronteiriça.
Este episódio marca um agravamento severo nas relações entre os dois países, que enfrentam um histórico complexo de disputas territoriais e acusações mútuas de apoio a insurgentes. O conflito ocorre em um cenário de instabilidade regional, onde o Paquistão também atua como mediador em negociações internacionais, complicando ainda mais o equilíbrio geopolítico na Ásia Central. A situação permanece volátil, com ambos os lados mantendo posições rígidas sobre a legitimidade das operações militares e a responsabilidade pelas mortes ocorridas.
Fontes primárias
Operação Ghazb Lil Haq — Ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, confirmou no X que, no âmbito da Operação Ghazb Lil Haq, as forças de segurança realizaram ataques de precisão na noite de 28 para 29 de junho contra campos e esconderijos dos grupos Jamaat-ul-Ahrar e Fitna al-Khawarij nas províncias afegãs de Paktia, Paktika e Kunar, eliminando terroristas e destruindo estoques de armas e munições. Antes dos ataques aéreos, uma operação terrestre em Bajaur em 28 de junho havia eliminado 4 militantes, incluindo o comandante Khan Farosh (alias Zabal). O total declarado de terroristas mortos foi de 29.
Declaração sobre baixas civis — Hamdullah Fitrat (porta-voz adjunto do governo Taliban afegão)
O porta-voz adjunto do governo Taliban, Hamdullah Fitrat, declarou no X que os ataques paquistaneses às províncias orientais afegãs de Paktia, Paktika e Kunar mataram 36 civis — incluindo crianças — e feriram 163 outras pessoas. O governo afegão convocou o encarregado de negócios paquistanês e entregou uma nota de protesto pela violação do espaço aéreo afegão e pelo bombardeio de residências civis.
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