Estudo da USP aponta que pessoas escravizadas utilizavam cadernetas de poupança para acumular recursos e financiar a própria liberdade.
Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe à tona uma faceta pouco explorada da história do Brasil ao analisar 145 cadernetas de poupança do período escravocrata. A pesquisa demonstra que pessoas escravizadas utilizavam o sistema bancário da época para acumular pecúlio, transformando a gestão financeira em uma ferramenta estratégica para a conquista da própria alforria. Entre os registros encontrados, destaca-se que mais de 100 das cadernetas pertenciam a mulheres, evidenciando um papel central na organização econômica voltada à liberdade.
Esses documentos históricos são fundamentais para reavaliar a agência e a resistência de indivíduos escravizados, que não eram apenas sujeitos passivos, mas agentes ativos na gestão de seus recursos. Ao utilizar o sistema financeiro para financiar a compra de sua liberdade, essas pessoas desafiaram as dinâmicas sociais vigentes, oferecendo aos historiadores uma nova compreensão sobre as complexas relações econômicas e a luta pela autonomia durante o regime escravista.
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