Brasil dá primeiro passo formal para emitir Panda Bonds no mercado chinês
O ministro Dario Durigan protocolou na China a carta que abre caminho para o Brasil emitir até 5 bilhões de yuans (US$ 735 milhões) em títulos soberanos denominados na moeda chinesa, os Panda Bonds, nos próximos meses.
Pontos principais
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, formalizou a intenção de emitir os títulos em Pequim.
- A operação visa captar cerca de 5 bilhões de yuans, equivalentes a US$ 735 milhões.
- O Brasil torna-se o primeiro país da América Latina a acessar o mercado interbancário chinês para dívida soberana.
- A estratégia busca aproveitar taxas de juros mais atrativas e reduzir a dependência do dólar.
- A captação está prevista para ocorrer nos próximos dois a três meses como um teste de mercado.
O governo brasileiro deu o primeiro passo formal para emitir títulos soberanos denominados em yuan, os chamados Panda Bonds. Em missão oficial à China, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, protocolou na quinta-feira (25) a Carta de Apresentação da República junto aos reguladores do mercado de capitais chinês, documento recebido em Pequim pelo presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng. "Estamos prontos para emitir os Panda Bonds e pretendemos fazer isso nos próximos meses, à medida que damos os próximos passos junto ao Banco Popular da China", afirmou Durigan. Com a operação, o Brasil se torna o primeiro país latino-americano a acessar o mercado interbancário chinês, com meta de captar até 5 bilhões de yuans, cerca de US$ 735 milhões, em dois a três meses.
A emissão integra a estratégia de diversificação da Dívida Pública Federal prevista no Plano Anual de Financiamento de 2026, que já havia rendido uma captação de € 5 bilhões no mercado europeu em abril. Ao captar em yuan, o Tesouro busca juros mais competitivos e menor dependência do dólar, além de abrir uma referência de preço para empresas brasileiras que queiram acessar capital asiático. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, ressalvou que a entrega da carta é apenas um primeiro passo e que as características e a realização da operação ainda dependem da conclusão de trâmites legais e operacionais e das condições de mercado. O peso da estreia está menos no volume, modesto diante da dívida externa, do que no precedente: o país diversifica credores e moedas e referencia preço para emissores privados, ainda que o risco cambial recaia sobre o Tesouro caso o real recue ante o yuan.
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