PF amplia Operação Disclosure e mira acionistas e bancos em fraude da Americanas
A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (25), aprofunda a investigação sobre acionistas e executivos no rombo da Americanas.
Pontos principais
- A Polícia Federal cumpre mandados contra acionistas de referência da varejista e executivos de bancos como Itaú, Bradesco e Santander.
- Paulo Alberto Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saggioro Garcia estão entre os alvos de busca e apreensão.
- A Justiça Federal determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
- As investigações focam no uso de 'risco sacado' e contratos fictícios de publicidade para inflar resultados financeiros.
- A fraude, revelada em janeiro de 2023, envolveu a criação de lucros fictícios que totalizaram cerca de R$ 20 bilhões em inconsistências iniciais.
- A apuração abrange crimes de manipulação de mercado, insider trading, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
- A Americanas afirmou em nota oficial que a companhia não foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação.
- O escândalo levou a empresa à recuperação judicial, processo que foi encerrado formalmente em março de 2026.
A Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal, intensificou a Operação Disclosure ao deflagrar, nesta quinta-feira (25), sua segunda fase, focada no rombo contábil de R$ 54 bilhões nas Lojas Americanas. Esta etapa recente ampliou significativamente o escopo das diligências, cumprindo mandados de busca e apreensão contra figuras centrais ligadas à companhia, incluindo Paulo Alberto Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saggioro Garcia, além de executivos de grandes instituições financeiras, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. A Justiça Federal autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite total do prejuízo estimado, como medida cautelar para assegurar o futuro ressarcimento de danos decorrentes das fraudes estruturadas. Em meio ao desdobramento, a Americanas divulgou um comunicado oficial esclarecendo que a empresa não foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta fase específica da operação e que segue colaborando com as autoridades.
O escândalo, considerado o maior caso de fraude contábil da história do Brasil, veio a público em 11 de janeiro de 2023, logo após a renúncia do então CEO Sérgio Rial. Na ocasião, a empresa admitiu inconsistências contábeis que somavam cerca de R$ 20 bilhões, revelando que a antiga diretoria inflou resultados financeiros através de lucros fictícios durante anos. Enquanto a fase inicial da operação concentrou-se na alta cúpula da varejista, o desdobramento atual busca consolidar provas sobre a possível participação de agentes externos no esquema, investigando se acionistas e representantes bancários tinham conhecimento ou participação ativa na manipulação de resultados por meio de operações de 'risco sacado' e verbas de propaganda sem lastro.
Os impactos operacionais do caso foram severos. Desde a revelação das inconsistências, a Americanas passou por uma reestruturação drástica, que incluiu o fechamento de centenas de unidades e o corte de quase metade de seu quadro de funcionários. Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu novos inquéritos para investigar a participação de bancos nas operações de risco sacado, aprofundando a análise sobre a governança das instituições envolvidas. Embora a varejista tenha encerrado formalmente seu processo de recuperação judicial em março de 2026, a responsabilização dos antigos controladores e a apuração criminal seguem em disputa judicial.
A nova fase da operação marca um ponto de inflexão na apuração, ao deixar de focar exclusivamente nos executivos da companhia para examinar a responsabilidade de acionistas e a governança das instituições financeiras que mantiveram o esquema que inflou artificialmente os balanços da empresa por anos. As autoridades continuam a análise de documentos apreendidos para determinar o grau de envolvimento de cada agente externo na fraude bilionária, dando continuidade ao trabalho iniciado em junho de 2024. O objetivo central é mapear como a estrutura de governança permitiu que a fraude persistisse sem detecção pelos órgãos de controle e pelos auditores externos durante um longo período.
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