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Crise no PL cearense expõe racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Divergências sobre alianças e disputas por protagonismo no bolsonarismo geram atritos públicos entre Michelle Bolsonaro e lideranças do PL.

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Foto: G1 Política
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25/06 às 13:45 · atualizado 22:32

Pontos principais

  • Michelle Bolsonaro criticou a aliança do PL cearense com o grupo de Ciro Gomes, defendendo o nome de Eduardo Girão.
  • A ex-primeira-dama relatou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro ao questionar estratégias para 2026.
  • O deputado André Fernandes, presidente do PL no Ceará, reafirmou o apoio a Ciro Gomes, ignorando as ressalvas de Michelle.
  • Analistas políticos apontam que o vídeo de Michelle sinaliza uma disputa pelo protagonismo no bolsonarismo.
  • A peça audiovisual de Michelle utiliza símbolos religiosos para reforçar sua identidade política junto ao eleitorado conservador.
  • Especialistas comparam o desgaste do episódio ao caso Dark Horse, destacando o rompimento da unidade do grupo.
  • Michelle busca consolidar espaço próprio junto ao eleitorado feminino e evangélico, afastando-se de um papel meramente simbólico.

A crise interna no PL, deflagrada pelas críticas de Michelle Bolsonaro à aliança do diretório cearense com o grupo de Ciro Gomes, continua a gerar repercussões sobre a unidade do bolsonarismo. A ex-primeira-dama, que defende a candidatura de Eduardo Girão ao governo estadual, afirmou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro ao questionar as estratégias do partido para 2026. O conflito centraliza-se na figura de André Fernandes, presidente do PL no Ceará, que reafirmou o apoio a Ciro Gomes mesmo após a pressão de Michelle, que atribui a Ciro responsabilidade pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Além da divergência sobre o governo, o racha abrange as indicações para o Senado, colocando em lados opostos Priscila Costa, apoiada por Michelle, e Alcides Fernandes.

Analistas políticos avaliam que o episódio transcende a disputa regional e reflete uma luta pelo protagonismo dentro da direita. O vídeo gravado por Michelle, que utiliza elementos simbólicos e religiosos, é interpretado como uma estratégia de comunicação voltada para consolidar sua identidade política junto ao eleitorado conservador. Segundo o cientista político Thomas Traumann, o conteúdo possui potencial de desgaste superior ao caso Dark Horse, evidenciando um racha na unidade que historicamente orbitava em torno de uma liderança central. Para o comentarista Octavio Guedes, a postura da ex-primeira-dama representa um 'grito de independência' contra tentativas de restringi-la a um papel simbólico no partido, enquanto Flávio Bolsonaro, atual senador e pré-candidato à Presidência, enfrenta o desafio de gerir as divisões que ameaçam a coesão eleitoral do grupo.

Fontes primárias

Michelle Bolsonaro (declaração em vídeo no Instagram)

Declaração de Michelle Bolsonaro — dois vídeos no Instagram, 24/6/2026 (27 min)

Em dois vídeos publicados em seu Instagram em 24 de junho de 2026 (totalizando 27 minutos), Michelle Bolsonaro narrou o conflito com o enteado Flávio Bolsonaro originado em novembro de 2025 pela articulação do PL cearense com Ciro Gomes. Relatou que, após criticar a aliança e pedir desculpas publicamente, Flávio retornou a ligação de forma ríspida: 'Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele.' Afirmou que ele disse que ela 'havia chegado ontem e não entendia nada de política' e que 'seria melhor ficar fora das decisões do partido', episódio que classificou como 'humilhação' e 'punhalada'. Sobre Ciro Gomes, declarou: 'Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido. Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Deu aos meus enteados um apelido: ovos de serpentes nazistóides.' Posicionou-se contra a aliança no primeiro turno: 'Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que a adie para o segundo turno.' Defendeu sua legitimidade política como presidente do PL Mulher: 'Eu percorri o Brasil inteiro, instalei diretórios em todas as 27 unidades da Federação, ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem. Mas eu não sou.' Afirmou que Jair Bolsonaro, ainda preso, havia mandado recado claro: 'Priscila será candidata', em referência à vereadora Priscila Costa (PL-CE). Em follow-up no dia seguinte (25/6), escreveu no Instagram: 'Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno.'

Flávio Bolsonaro (texto nas redes sociais)

Resposta de Flávio Bolsonaro às acusações de Michelle — texto nas redes sociais, 24/6/2026

Em texto publicado nas redes sociais na mesma quarta-feira (24/6/2026), Flávio Bolsonaro pediu desculpas sem admitir explicitamente ter ofendido Michelle: 'Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil.' Afirmou ter ligado para convidá-la 'de coração aberto' para reunião com lideranças femininas conservadoras na manhã do mesmo dia e não ter sido atendido: 'Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo.' Sustentou que 'divergências de estratégia não significam divergências de princípios' e concluiu: 'O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT. O Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade.'

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