Michelle Bolsonaro relata atritos com Flávio e cita omissão de aliados
A ex-primeira-dama expôs desavenças com o enteado e frustrou pressões do PL para que atue na campanha, enquanto o partido busca recuperar votos entre mulheres e evangélicos.
Pontos principais
- Michelle Bolsonaro relatou ter sido desrespeitada e tratada com rispidez por Flávio Bolsonaro durante um telefonema.
- A ex-primeira-dama afirmou que Jair Bolsonaro está ciente dos ataques e mentiras que ela tem sofrido por parte de aliados.
- O conflito central envolve a resistência de Michelle à aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, defendida por Flávio.
- Flávio Bolsonaro publicou um pedido de desculpas nas redes sociais, negando a intenção de ofender a ex-primeira-dama.
- A divulgação dos vídeos é vista como uma resposta à pressão do PL para que Michelle atue na campanha eleitoral.
- O partido busca reverter a queda de intenções de voto de Flávio Bolsonaro entre o público evangélico e feminino.
- A crise foi agravada pelo escândalo envolvendo o Banco Master e o filme 'Dark Horse'.
- Michelle é considerada peça-chave na interlocução com o ministro André Mendonça, relator de um caso envolvendo o Banco Master.
- A ex-primeira-dama confirmou que não mantém diálogo com o enteado desde o final de 2025.
- Aliados do PL temem que a exposição pública do conflito afaste o eleitorado feminino, considerado estratégico para a campanha.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais para expor um conflito interno com o senador Flávio Bolsonaro. Em vídeos, Michelle relatou ter sido humilhada e maltratada pelo enteado durante um telefonema, descrevendo o comportamento dele como ríspido ao pedir que ela não interferisse nas decisões do Partido Liberal (PL). O desentendimento central gira em torno de divergências sobre alianças da legenda, especificamente a aproximação com Ciro Gomes no Ceará, estratégia defendida por Flávio, mas rejeitada por Michelle, que aponta o histórico de ataques de Ciro contra Jair Bolsonaro como impeditivo para a coalizão. A ex-primeira-dama reforçou que não mantém diálogo com o senador desde o final de 2025 e negou que seu depoimento tenha fins eleitorais imediatos.
Após a repercussão negativa, Flávio Bolsonaro buscou atenuar a crise publicando um pedido de desculpas nas redes sociais e realizando uma live. O senador negou as acusações de desrespeito e afirmou que não teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama. Segundo Flávio, o vídeo de Michelle foi gravado após ela não retornar uma mensagem enviada por ele, e ele reiterou que mantém o convite para uma reunião com lideranças femininas de 'coração aberto'. Apesar da tentativa de conciliação, Michelle confirmou que não pretende participar da campanha presidencial do enteado, evidenciando um distanciamento que vai além de divergências pontuais.
Além do atrito direto, a divulgação dos vídeos é interpretada por analistas como uma resposta à pressão do PL para que Michelle atue na campanha. O partido enfrenta dificuldades para reverter a queda de intenções de voto de Flávio entre o público evangélico e feminino, setores onde a ex-primeira-dama possui forte influência. A crise interna foi agravada por episódios recentes, como o escândalo envolvendo o Banco Master e o filme 'Dark Horse', temas que geraram ruídos na base. Michelle, inclusive, é vista como uma figura-chave na interlocução com o ministro André Mendonça, relator de um caso envolvendo a instituição financeira, o que torna sua ausência na articulação política ainda mais sensível para a legenda.
Michelle afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está ciente dos ataques e das mentiras que ela tem sofrido por parte de supostos aliados. A ex-primeira-dama criticou a postura dos filhos do ex-presidente, alegando que eles a tratam como alguém que não entende de política, evidenciando um desgaste profundo nas relações familiares. Esse cenário de isolamento tem levado Michelle a manter uma postura de crescente independência, evitando se envolver nas articulações partidárias atuais, que também incluem disputas pela escolha de candidatos a cargos legislativos.
A exposição pública do racha familiar gerou preocupações imediatas entre aliados do PL. Parlamentares temem que o conflito afaste o eleitorado feminino e evangélico, considerados estratégicos para a campanha de Flávio, cuja popularidade já havia sido afetada por episódios anteriores. Enquanto parte da legenda tenta minimizar o episódio como uma crise passageira, outros membros veem falta de maturidade e um risco real ao projeto eleitoral do partido para 2026. O episódio evidencia o aprofundamento das tensões no clã Bolsonaro, refletindo uma disputa de protagonismo que coloca em xeque a coesão do PL em meio ao cenário de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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