IPCA-15 desacelera para 0,41% em junho e impulsiona Ibovespa
A prévia da inflação abaixo do esperado reduziu expectativas de alta de juros, levando o Ibovespa a subir 0,87% com o desempenho de bancos e Vale.
Pontos principais
- O IPCA-15 de junho registrou alta de 0,41%, desacelerando frente aos 0,62% de maio.
- O resultado ficou abaixo da estimativa de 0,44% projetada pelo mercado financeiro.
- A inflação acumulada em 12 meses permanece em 4,80%, acima do teto da meta oficial.
- O Ibovespa fechou em alta de 0,87%, impulsionado por ações de bancos e da Vale.
- A desaceleração da inflação reduziu o temor por novas altas de juros pelo Banco Central.
- O Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB para 2026 de 1,6% para 2,0%.
- A Braskem recuou 10,50% após anunciar pedido de mediação com credores.
- O petróleo Brent subiu após relatos de ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.
- Especialistas alertam que o processo de desinflação é lento, exigindo juros restritivos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,41% em junho de 2026, conforme dados do IBGE, apresentando uma desaceleração pelo segundo mês consecutivo em relação aos 0,62% de maio. O desempenho, que ficou abaixo da expectativa de 0,44% do mercado, foi o principal catalisador para o otimismo na Bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,87%, sustentado pelo desempenho positivo de papéis de grandes bancos e da mineradora Vale, que reagiram ao alívio nas projeções de juros futuros. Paralelamente, o setor corporativo apresentou movimentos distintos, com a Braskem registrando queda de 10,50% após a empresa comunicar o início de um processo de mediação com seus credores.
Apesar do alívio inflacionário, a taxa acumulada em 12 meses permanece em 4,80%, patamar que ainda supera o teto da meta oficial, mantendo o cenário de cautela para a política monetária. O Banco Central, ao mesmo tempo em que revisou a projeção de crescimento do PIB para 2026 de 1,6% para 2,0%, mantém um cenário de referência com inflação de 5,2% para o fechamento do ano. Essa divergência entre a atividade econômica resiliente e a inflação persistente reforça a necessidade de manutenção de juros restritivos, com instituições financeiras projetando a Selic em torno de 14% ao final do exercício.
O ambiente externo também contribuiu para a volatilidade dos ativos, com o petróleo Brent registrando valorização após relatos de ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, o que adiciona um componente de incerteza aos custos de energia. Analistas seguem monitorando a persistência dos preços, alertando que fatores climáticos, como o fenômeno El Niño, e a pressão sobre alimentos representam riscos para o segundo semestre. O mercado agora concentra atenções nas sinalizações de Gabriel Galípolo sobre a trajetória da política monetária diante dos novos indicadores de atividade e inflação.
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