Estudo aponta que a ausência de obrigatoriedade na declaração de doações políticas de conselheiros cria lacunas na governança corporativa brasileira.
Um levantamento realizado pelo Observatório de Governança Corporativa revelou uma zona cega na transparência das companhias abertas brasileiras. Entre 2014 e 2022, 325 conselheiros destinaram R$ 69,5 milhões a campanhas políticas, mas a legislação atual da CVM não obriga a declaração dessas contribuições pessoais nos formulários de referência das empresas. Essa omissão dificulta o monitoramento de potenciais conflitos de interesse por parte dos investidores.
A ausência de clareza sobre o financiamento político individual de executivos e membros de conselhos é apontada como um risco relevante para a governança, sobretudo em empresas que operam em setores regulados ou que mantêm contratos com o Estado. Segundo especialistas, a proximidade política pode influenciar decisões estratégicas corporativas, impactando diretamente os interesses de acionistas minoritários e a percepção de risco do mercado sobre a independência da gestão.
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