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Federal Reserve mantém juros estáveis, mas sinaliza alta e pressiona DIs

O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% com tom rígido, citando a inflação impulsionada pelo petróleo e pressionando os mercados brasileiros.

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Foto: Bloomberg - Economics
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17/06 às 15:45 · atualizado 17:35

Pontos principais

  • O Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% na reunião de junho de 2026.
  • Quase metade dos membros do comitê defende novos aumentos este ano devido à inflação persistente.
  • O aumento do preço do petróleo, decorrente da guerra no Irã, é o principal fator de pressão inflacionária.
  • O comunicado removeu sinalizações de cortes futuros, adotando um tom 'hawkish'.
  • As taxas dos DIs no Brasil subiram mais de 15 pontos-base após a sinalização do Fed.
  • O mercado brasileiro passou a precificar chances de alta da Selic em agosto, elevando a percepção de risco.
  • O Copom decide a nova taxa Selic nesta quarta-feira, com apostas divididas entre manutenção ou corte.

O Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas entre 3,50% e 3,75% em sua reunião de junho de 2026. O encontro, que marcou a estreia de Kevin Warsh na presidência do banco central americano, foi marcado por uma postura 'hawkish', com a remoção de sinalizações de cortes futuros e a indicação de que a inflação persistente pode exigir novos aumentos ainda este ano. O 'dot plot' reforça essa cautela, com quase metade dos diretores projetando ao menos uma alta adicional, em um cenário onde o crescimento do PIB americano para 2026 foi revisado para 2,2%.

A persistência da inflação é atribuída, em grande medida, ao cenário geopolítico instável. Formuladores de política monetária expressaram ceticismo sobre a eficácia da manutenção dos juros atuais diante da escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã. Esse choque de oferta coloca a meta de inflação de 2% sob pressão, elevando as incertezas sobre a trajetória econômica global e forçando o Fed a considerar um endurecimento adicional da política monetária para conter a escalada de preços.

A decisão repercutiu negativamente no Brasil, onde as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) registraram altas firmes, superando 15 pontos-base em diversos vencimentos. A sinalização do Fed elevou a percepção de risco local, levando o mercado a precificar chances de um ciclo de alta da Selic já em agosto. Esse movimento ocorre em um contexto de atividade econômica moderada, com o IBC-Br apresentando alta de 0,5% em abril, resultado abaixo do esperado. Agora, o foco se volta para a decisão do Copom desta quarta-feira, com expectativas divididas entre a manutenção da taxa básica ou um corte de 0,25 p.p.

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