Trump anuncia acordo com Irã, mas Teerã questiona cronograma
Presidente Trump projeta assinatura de acordo para este domingo visando o Estreito de Ormuz e exige cessar-fogo entre Israel e Hezbollah enquanto negocia com o Irã.
Pontos principais
- Donald Trump prevê a assinatura de um acordo de paz com o Irã para este domingo.
- O pacto prioriza a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do financiamento a grupos regionais.
- Trump exigiu que Israel e Hezbollah cessem as hostilidades para facilitar a estabilidade regional.
- Questões sobre o programa nuclear iraniano serão tratadas em discussões técnicas nos 60 dias seguintes ao acordo.
- Autoridades iranianas confirmam progresso, mas evitam confirmar a assinatura imediata devido a pendências em cláusulas.
- A mediação das negociações conta com o apoio do Catar e do Paquistão.
- O acordo pode incluir o levantamento de bloqueios portuários e a liberação de ativos iranianos congelados.
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de formalizar um acordo de paz com o Irã, com a assinatura prevista para este domingo. O foco imediato do pacto é garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz, o levantamento de bloqueios portuários e o fim do apoio iraniano a grupos como Hezbollah, Hamas e Houthis. Em uma mudança estratégica, as complexas questões sobre o programa nuclear do país serão postergadas para discussões técnicas nos 60 dias seguintes à formalização do tratado, que também pode contemplar a liberação de ativos iranianos congelados. O anúncio trouxe alívio aos mercados globais, reduzindo a volatilidade nos preços do petróleo, que acumularam alta de 40% este ano e pressionam a inflação norte-americana.
Como parte de sua estratégia para reduzir a instabilidade no Oriente Médio, Trump também interveio diretamente no conflito entre Israel e o Hezbollah, solicitando que ambos os lados cessem as hostilidades imediatamente. A pressão diplomática visa criar um ambiente favorável para a conclusão das negociações com Teerã, que contam com a mediação do Catar e do Paquistão. Apesar do otimismo do governo americano, as autoridades iranianas mantêm uma postura cautelosa, confirmando o progresso nas conversas, mas evitando garantir o prazo de domingo devido a análises jurídicas e pendências em cláusulas do memorando.
O cenário regional permanece sob tensão, com a continuidade de confrontos militares, incluindo ataques israelenses em Beirute. Enquanto Israel mantém sua postura de defesa independente, Trump reiterou que, caso as negociações atuais não alcancem um desfecho positivo, os Estados Unidos possuem uma alternativa definitiva para lidar com o impasse. A expectativa é que o sucesso do acordo possa mitigar os riscos geopolíticos que têm impactado a economia global e a segurança na região.
Fontes primárias
Post no Truth Social sobre o acordo EUA–Irã
Trump anuncia que "o acordo está marcado para ser assinado amanhã" (domingo, 14/jun) e que, imediatamente após a assinatura, o Estreito de Ormuz estará "ABERTO A TODOS". Diz que seu acordo é o exato oposto do JCPOA de Obama: "UM MURO CONTRA ARMA NUCLEAR" — afirma que o Irã não quer mais arma nuclear e não a terá "por compra, desenvolvimento ou qualquer outra forma de aquisição". Garante que nenhum dinheiro mudará de mãos (contrastando com os pagamentos de Obama, incluindo US$ 1,7 bi em dinheiro vivo). Acrescenta que, "no momento apropriado, quando tudo estiver calmo", os EUA irão "buscar a poeira nuclear" (urânio enriquecido) enterrada sob as montanhas de granito para destruí-la, e encerra dizendo que, se o processo não funcionar, há "a alternativa definitiva, que espero nunca mais ser usada".
Briefing do porta-voz da Chancelaria do Irã sobre o memorando com os EUA
Em coletiva em Hamedan, o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, contesta o cronograma: a assinatura "não será amanhã" (domingo), embora não descarte que ocorra "nos próximos dias". "Devemos esperar pela hora exata da assinatura; não temos planos de viagem a Genebra ou outros lugares nos próximos dois dias." Diz que o Irã conduz o processo "com cautela e grande prudência", citando "promessas quebradas" dos EUA e a "hesitação do outro lado". Esclarece que o memorando foca exclusivamente em encerrar a guerra em todas as frentes (incluindo o Líbano) e que o programa nuclear iraniano NÃO está coberto neste estágio. Frisa que o documento não constitui um tratado bilateral final, mas um entendimento.
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