EUA impõem restrições severas à seleção do Irã na Copa de 2026
A seleção iraniana enfrenta desafios logísticos e burocráticos sem precedentes, com base no México e restrições de vistos impostas pelo governo Trump.
Pontos principais
- A seleção do Irã estabeleceu sua base de preparação em Tijuana, no México, para contornar restrições impostas pelo governo Trump.
- Jogadores e comissão técnica deverão entrar nos Estados Unidos apenas para disputar as partidas e retornar ao México logo em seguida.
- O governo dos EUA negou vistos a 15 membros da delegação com vínculos à Guarda Revolucionária Islâmica.
- A equipe foi forçada a mudar seu centro de treinamento de última hora devido às dificuldades logísticas e burocráticas.
- O Departamento de Estado proibiu a entrada de torcedores iranianos no país para o torneio.
- O Irã está no Grupo G e enfrentará Bélgica, Egito e Nova Zelândia em cidades como Los Angeles e Seattle.
- O governo dos EUA defende que a concessão de vistos é limitada e monitorada para garantir a segurança nacional.
A seleção do Irã iniciou sua preparação para a Copa do Mundo de 2026 em Tijuana, no México, consolidando o país como sua base operacional após a impossibilidade de se hospedar no Arizona. A decisão é uma resposta direta às restrições severas impostas pelo governo do presidente Donald Trump, que proibiu a delegação de pernoitar em solo americano por preocupações com a segurança nacional. Como resultado, a equipe precisará realizar deslocamentos constantes através da fronteira para cada partida, elevando a complexidade logística da participação iraniana no torneio. O embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, criticou publicamente o esquema, argumentando que o cansaço das viagens recorrentes prejudicará o desempenho dos atletas em campo.
Além dos desafios de transporte, a preparação enfrenta obstáculos burocráticos significativos. Quinze integrantes da delegação tiveram seus vistos negados pelo Departamento de Estado, que alega a necessidade de monitoramento rigoroso para evitar a entrada de indivíduos indesejados sob falsos pretextos. A instabilidade na emissão de vistos de última hora forçou a comissão técnica a realizar mudanças emergenciais no planejamento e no centro de treinamento, tornando a trajetória iraniana uma das mais atípicas e complexas da história recente do torneio.
O governo iraniano classificou as medidas como uma violação das normas da Fifa, enquanto o governo americano mantém a postura de restrição. Com jogos previstos em Los Angeles e Seattle contra Bélgica, Egito e Nova Zelândia, a presença iraniana na competição permanece como um dos temas mais sensíveis desta edição da Copa do Mundo, refletindo a persistente tensão diplomática entre Teerã e Washington. A situação segue sendo monitorada por observadores internacionais, dado o impacto direto das decisões políticas na organização logística do evento esportivo.
Fontes primárias
Depoimento de Marco Rubio ao Subcomitê de Apropriações da Câmara — seleção do Irã na Copa (2 jun 2026)
Em depoimento ao Subcomitê de Apropriações da Câmara, o secretário de Estado articulou a política de restrição dos EUA: não há objeção aos atletas iranianos nem ao staff de apoio necessário, mas Washington não permitirá que a delegação iraniana inclua pessoas ligadas à Guarda Revolucionária (IRGC). Nas palavras dele: "We have no problem with the athletes, as we stated earlier, or their support staff. But what we're not going to allow is for them to embed in their delegation a bunch of people that we know have nothing to do with athletics and have ties to the IRGC or things of that nature. So we were going to watch that very closely, and we'll continue to watch that very closely." Rubio disse que o governo examinaria de perto a comitiva para barrar quem tivesse vínculos não esportivos com a IRGC.
Comunicado oficial da Federação de Futebol do Irã sobre a recusa de vistos pelos EUA
Em comunicado oficial, a federação afirma que, às vésperas da Copa, o governo dos EUA, "dando continuidade às suas ações rancorosas contra a seleção do nosso país", tomou uma decisão "não esportiva e completamente política" ao se recusar a emitir vistos para quadros importantes da gestão e da administração da seleção iraniana — decisão que considera contrária às normas esportivas internacionais. Diz que o caso será levado à FIFA, que, como entidade responsável, teria o dever de assegurar os vistos do staff de gestão, executivo, técnico e de apoio que está no acampamento e de que a seleção precisa, até a obtenção de um resultado final. Acusa o "governo transgressor e violador da lei" de estender seu comportamento contra a nação iraniana ao esporte, negando na prática à seleção condições iguais e competição sem discriminação, e impedindo que a equipe dirigente estivesse ao lado de jogadores e treinadores no momento sensível da Copa. Segundo a federação e a mídia estatal iraniana, ~14 dirigentes ficaram sem visto — entre eles o secretário-geral Hedayat Mombeini e o vice-presidente Mehdi Mohammad Nabi —, enquanto jogadores e comissão técnica essencial foram liberados sob condição de entrar e sair dos EUA no mesmo dia de cada partida.
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