Atlas da Violência aponta queda em homicídios e alerta para desigualdades
O Atlas da Violência 2026 registra a menor taxa de homicídios desde 1998, mas alerta para o aumento de 88,6% em mortes violentas de causa indeterminada.
Pontos principais
- A taxa de homicídios caiu para 20,1 por 100 mil habitantes em 2024, o menor patamar desde 1998.
- O estudo identificou um aumento de 88,6% nas Mortes Violentas por Causa Indeterminada, sugerindo subnotificação de homicídios.
- Pessoas negras representam 77% das vítimas de homicídio, com risco de morte 2,7 vezes maior que o de não negros.
- Casos de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos cresceram quatro vezes entre 2014 e 2024.
- A taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 41,7% na última década.
- O Nordeste concentra 17 das 20 cidades mais violentas com mais de 100 mil habitantes.
- São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal registraram as menores taxas de homicídios oficiais do país em 2024.
- O Amapá destoou da tendência nacional, apresentando um aumento significativo na violência ao longo da última década.
- A taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos recuou 33,9% entre 2014 e 2024.
- Especialistas apontam que a falta de integração de dados entre saúde e segurança pública dificulta a classificação correta das mortes.
O Atlas da Violência 2026 aponta uma tendência de queda na letalidade brasileira em 2024, com 42.590 homicídios registrados, uma redução de 7,4% em relação ao ano anterior. A taxa nacional atingiu 20,1 por 100 mil habitantes, o menor nível desde 1998. Especialistas atribuem o recuo a mudanças em políticas de segurança e tréguas entre facções. Contudo, o estudo alerta que a capacidade de identificar a intencionalidade das mortes tem piorado, com um crescimento de 88,6% nas Mortes Violentas por Causa Indeterminada. Ao aplicar modelos de machine learning, pesquisadores estimaram que 7.083 dessas mortes foram, na verdade, homicídios subnotificados, elevando o total real para 49.673 mortes. A falha na integração de dados entre os sistemas de saúde e as polícias é apontada como um fator crítico para essa subnotificação.
Um dos destaques positivos do relatório é a redução expressiva na violência contra o público jovem. Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios de pessoas entre 15 e 29 anos caiu 33,9%. O Distrito Federal, Goiás e São Paulo foram os estados que apresentaram as quedas mais acentuadas, enquanto São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal consolidaram as menores taxas oficiais do país. Apesar do avanço, a violência letal permanece predominantemente masculina e concentrada em regiões periféricas. O estudo também ressalta disparidades regionais: enquanto o Sul e o Sudeste concentram as cidades menos violentas, o Nordeste abriga 17 das 20 cidades mais violentas com mais de 100 mil habitantes, um cenário influenciado por fatores como desenvolvimento econômico e a presença do crime organizado.
A desigualdade racial e de gênero permanece como um fator estrutural crítico. Em 2024, pessoas negras compuseram 77% das vítimas fatais, enfrentando um risco de assassinato 2,7 vezes superior ao de não negros. No recorte de gênero, embora o total de homicídios de mulheres tenha caído 27,7% na última década, os casos de feminicídio mantiveram-se estáveis. As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de letalidade contra mulheres, enquanto a violência não letal ocorre majoritariamente no ambiente doméstico.
O documento traz dados alarmantes sobre a infância e a adolescência. Os registros de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos cresceram quatro vezes entre 2014 e 2024, sendo que 79,9% desses abusos ocorrem dentro da própria residência. O estudo destaca que 86,9% das vítimas de violência sexual são meninas, evidenciando uma forte estruturação por relações de gênero. Além disso, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos subiu 41,7% na última década. O Atlas introduz o conceito de polivitimização para descrever o acúmulo de agressões na vida da criança, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas que fortaleçam a família como espaço de proteção e intervenção precoce.
Comentários
Carregando comentários...
