Daily Journal
Urgente
Daily Journal

Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

A influenciadora foi detida na Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e movimentações imobiliárias ligadas ao PCC.

Daily Journal
Foto: InfoMoney
||
21/05 às 07:35 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • Deolane Bezerra foi presa preventivamente em Barueri após retornar de viagem à Itália.
  • A Operação Vérnix apura um esquema de lavagem de dinheiro com bloqueio judicial de R$ 327 milhões.
  • Investigações apontam conexões entre a influenciadora e o núcleo do PCC via transportadora de cargas.
  • O governador Tarcísio de Freitas confirmou a apreensão de uma caixa de dinheiro destinada à influenciadora com um operador financeiro da facção.
  • A investigação teve origem em 2019, após a apreensão de bilhetes de lideranças da facção na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
  • Autoridades apontam que a influenciadora atuava como uma espécie de 'caixa' para movimentar recursos do crime organizado.
  • Foram apreendidos 17 veículos de luxo e quatro imóveis durante a ação policial.
  • Dados da PF indicam que Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados entre 2018 e 2021.
  • Lideranças da facção, incluindo Marcola e seu irmão Alejandro Camacho, foram alvos de novos mandados de prisão.
  • O Ministério Público aponta que o faturamento da influenciadora cresceu de forma incompatível com seu trabalho a partir de 2022.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo, logo após retornar de uma viagem à Itália. A ação, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil no âmbito da Operação Vérnix, investiga um esquema de lavagem de dinheiro que utilizaria empresas de fachada, incluindo uma transportadora de cargas, para ocultar recursos ilícitos do PCC. As investigações, que tiveram início em 2019 após a apreensão de bilhetes de lideranças da facção na Penitenciária II de Presidente Venceslau, apontam que a influenciadora atuava como uma espécie de 'caixa' para o grupo criminoso. Entre os métodos apurados está o 'smurfing', técnica que fraciona grandes quantias em transações menores para contornar sistemas de monitoramento bancário, além de movimentações imobiliárias que somam mais de R$ 65 milhões.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforçou a importância da operação como parte de uma estratégia de asfixia financeira contra o crime organizado. Durante a ação, a polícia prendeu um operador financeiro da facção, conhecido como 'Temer' ou 'Player', com quem foi encontrada uma caixa de dinheiro destinada à influenciadora. Dados da Polícia Federal indicam que Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados entre 2018 e 2021, período em que bilhetes apreendidos em presídios já mencionavam uma 'mulher da transportadora' ligada a ações da facção. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões em bens dos investigados, sendo R$ 27 milhões vinculados diretamente à influenciadora, cujas movimentações financeiras foram apontadas como incompatíveis com sua renda declarada, com um crescimento patrimonial suspeito a partir de 2022.

Além do bloqueio, a operação resultou na apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis. As investigações revelaram que a estrutura financeira da facção possuía alcance internacional, com movimentações identificadas na Espanha, Itália e Bolívia. Devido à natureza transnacional do esquema, três investigados que estariam no exterior tiveram seus nomes incluídos na Lista Vermelha da Interpol. O caso também atingiu lideranças da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seu irmão Alejandro Camacho, que receberam novos mandados de prisão.

Esta é a segunda vez que a influenciadora é detida em 2024, após ter sido alvo da Operação Integration em setembro, que investigava suspeitas envolvendo apostas online. A defesa de Deolane Bezerra não respondeu aos contatos da reportagem até o momento. O inquérito atual será encaminhado ao Ministério Público, mas a força-tarefa ressalta que a prisão possui um caráter pedagógico para inibir o financiamento do crime organizado por figuras públicas, consolidando o foco das autoridades no uso de influenciadores para a lavagem de dinheiro.

Fonte primária

Polícia Civil de SP / Ministério Público de SP (Agência SP)

Operação Vérnix — Polícia Civil de SP e MP-SP bloqueiam R$ 327 milhões em ação contra o PCC

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual deflagraram em 21/05/2026 a Operação Vérnix contra o PCC, com seis prisões decretadas pela Justiça — entre os detidos, uma influenciadora digital e pessoas ligadas à liderança da facção. Foram bloqueados valores superiores a R$ 327 milhões e sequestrados 17 veículos (incluindo automóveis de luxo) e quatro imóveis vinculados aos investigados. Conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Gaeco do MP de Presidente Prudente, a operação apura um esquema de lavagem de dinheiro com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras envolvendo a influenciadora Deolane Bezerra e integrantes da facção: movimentações milionárias sem lastro econômico compatível, uso de empresas de fachada, contas para circulação de valores e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos. A apuração começou em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, e ganhou nova frente a partir de um celular apreendido na operação anterior Lado a Lado, cujo conteúdo revelou conversas com a cúpula da organização e indícios de repasses financeiros. Três investigados que estariam na Itália, Espanha e Bolívia tiveram inclusão solicitada na Lista Vermelha da Interpol, com apoio da Polícia Federal.

Comentários

Carregando comentários...