Daily Journal
Urgente
Daily Journal

Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial

O Grupo Toky protocolou pedido de recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 1,11 bilhão, gerando incertezas sobre o impacto para clientes e credores.

Daily Journal
Foto: G1 - Economia
||
12/05 às 12:03 · atualizado 17:33

Pontos principais

  • O pedido de recuperação judicial foi protocolado na Justiça de São Paulo em 12 de maio de 2026.
  • A dívida total da companhia, formada pela fusão entre Tok&Stok e Mobly, soma R$ 1,11 bilhão.
  • A empresa justifica a crise pelo endividamento das famílias, juros elevados e falhas logísticas.
  • As ações da companhia (TOKY3) registraram queda de 17,24% após o anúncio da medida judicial.
  • A administração afirma que não deve haver impactos imediatos para os consumidores, apesar dos relatos de atrasos.
  • O processo corre sob segredo de justiça e aguarda ratificação em Assembleia Geral Extraordinária.
  • O caso reforça a tendência de aumento de pedidos de recuperação judicial no setor varejista brasileiro.

O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, protocolou oficialmente um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo nesta terça-feira, 12 de maio. A medida visa reestruturar um passivo de R$ 1,11 bilhão acumulado pela companhia, que se consolidou como um dos maiores varejistas de decoração da América Latina após a fusão das marcas em 2024. A administração aponta que o cenário macroeconômico, marcado por juros altos e menor acesso ao crédito, somado ao endividamento das famílias brasileiras e a desafios operacionais, pressionou severamente o fluxo de caixa. Após o anúncio, as ações da empresa (TOKY3) registraram queda de 17,24% no mercado financeiro.

O processo, que corre sob segredo de justiça e depende de ratificação em Assembleia Geral Extraordinária, busca garantir o fôlego necessário para a renegociação com credores, após tentativas frustradas de resolver o passivo de forma extrajudicial. Em meio à incerteza, a empresa comunicou que não espera impactos imediatos para os clientes, embora a marca já enfrentasse uma crise de confiança devido a relatos crescentes de atrasos na entrega de produtos e entraves para a obtenção de reembolsos. A Justiça agora analisará o plano de recuperação apresentado, que tem como objetivo central a preservação dos empregos e a regularização dos serviços prestados.

Este movimento do Grupo Toky ocorre em um momento de instabilidade no varejo brasileiro, integrando a lista de empresas que têm buscado o Judiciário para contornar crises financeiras. A situação reflete um ambiente de mercado desafiador para o setor, onde a combinação de custos operacionais elevados e retração no consumo tem forçado grandes redes a buscarem proteção legal para evitar a insolvência definitiva. Enquanto a companhia tenta reverter o quadro de instabilidade que impacta o segmento de móveis e decoração no país, a atenção de investidores e consumidores permanece voltada para os desdobramentos da reestruturação financeira.

Fonte primária

Grupo Toky S.A. / CVM

Fato Relevante — Pedido de Recuperação Judicial

Fato Relevante de 12/05/2026 da GRUPO TOKY S.A. (B3: TOKY3, CNPJ 31.553.627/0001-01) comunicando o ajuizamento, nesta mesma data, de pedido de recuperação judicial da Companhia e de suas subsidiárias, nos termos da Lei 11.101/2005, perante a Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça. A medida foi autorizada em caráter de urgência pelo Conselho de Administração em reunião de 11/05/2026. A administração atribui a deterioração financeira a um 'ambiente macroeconômico desafiador, especialmente para o setor de varejo de móveis e decoração, caracterizado por taxas de juros ainda elevadas, maior nível de endividamento das famílias, condições de crédito mais restritivas', resultando em menor confiança do consumidor, postergação de decisões de compra e desempenho de vendas 'abaixo do potencial'. Além disso, cita 'restrições temporárias nos níveis de estoque' com 'impacto significativo na liquidez de curto prazo'. O documento afirma que, 'apesar dos esforços empregados pela Administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando'. Os objetivos declarados do pedido são resguardar a Companhia e as controladas, viabilizar a continuidade das atividades, preservar os serviços prestados, o valor e a função social, e criar condições para negociação e implementação de solução adequada para as obrigações, no interesse de Companhia, controladas, credores, trabalhadores, acionistas e demais stakeholders. O pedido será submetido a ratificação por Assembleia Geral Extraordinária, cuja convocação foi aprovada pelo Conselho em 11/05/2026. Assinado por Marcelo Rodrigues Marques, Diretor Financeiro e de RI. Observação: o documento não cita o valor total da dívida (R$ 1,12 bi mencionado pela imprensa não consta do FR) nem nomeia individualmente as subsidiárias incluídas no pedido — Tok&Stok é mencionada apenas no contexto da negociação com credores.

Comentários

Carregando comentários...