A saúde pública é um campo essencial que visa promover, proteger e recuperar a saúde da população, prevenindo doenças e garantindo o bem-estar coletivo. Atualmente, enfrenta desafios como a baixa adesão à vacinação contra a COVID-19, apesar da inclusão no calendário básico e da persistência da doença, e a necessidade de combater a dengue com campanhas de vacinação em massa. Avanços recentes incluem o desenvolvimento de medicamentos como o Lenacapavir para HIV e a expansão de programas como o Mais Médicos Especialistas para qualificar profissionais no SUS, demonstrando um esforço contínuo para aprimorar a saúde da população.
A saúde pública abrange o conjunto de medidas e ações voltadas para a promoção, proteção e recuperação da saúde da população, bem como a prevenção de doenças. Este campo é fundamental para garantir o bem-estar coletivo e a qualidade de vida, abordando desde a infraestrutura sanitária até o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias médicas para o controle de enfermidades. Além disso, a gestão de recursos humanos e a qualificação profissional são aspectos cruciais para a efetividade dos serviços de saúde.
Contexto histórico e desenvolvimento
Historicamente, a saúde pública evoluiu de práticas de saneamento básico e controle de epidemias para um sistema complexo que integra pesquisa, políticas de saúde e acesso a tratamentos. O desenvolvimento de fármacos e métodos preventivos representa um avanço significativo nesse campo. Um exemplo recente é o Lenacapavir, um medicamento inovador que atua na prevenção da infecção por HIV. Este fármaco, administrado por injeção, demonstra alta eficácia ao impedir a replicação do vírus no organismo, contribuindo para a redução da incidência da doença e melhorando a qualidade de vida das pessoas em risco ou já infectadas. Tais avanços são cruciais para a contínua evolução da saúde pública global.
Doenças e Prevenção
A prevenção de doenças infecciosas é um pilar da saúde pública, com o desenvolvimento e a implementação de programas de vacinação sendo estratégias essenciais. A dengue, uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, representa um desafio contínuo, especialmente em regiões tropicais. Em resposta, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem implementado campanhas de vacinação em massa. Em 2026, o SUS iniciou a vacinação de profissionais de saúde da atenção primária com a Butantan-DV, uma vacina de dose única desenvolvida no Brasil. Paralelamente, a vacina internacional QDenga, com esquema de duas doses, teve sua aplicação ampliada para o público de 10 a 14 anos em todos os municípios brasileiros, demonstrando o esforço contínuo para combater a doença por meio da imunização.
Desafios Atuais e Vacinação contra COVID-19
A vacinação contra a COVID-19, iniciada há cinco anos no Brasil, foi crucial para o fim da pandemia, contudo, a doença ainda persiste e requer atenção contínua. Apesar da redução dos casos, a cobertura vacinal tem sido um desafio, com menos de 4 de cada 10 doses distribuídas sendo aplicadas em 2025. Essa baixa adesão contribuiu para que, em 2025, fossem registrados mais de 10.410 casos graves e cerca de 1.700 mortes por COVID-19, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Especialistas alertam que o coronavírus continua sendo uma ameaça significativa, e novas ondas podem surgir a qualquer momento devido ao aparecimento de novas variantes, reforçando a importância da vacinação contínua e atualizada.
Desde 2024, a vacina contra a COVID-19 foi incluída no calendário básico de vacinação para crianças, idosos e gestantes, além de grupos especiais que necessitam de reforço periódico. No entanto, a adesão, especialmente entre o público infantil, é baixa, com apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano vacinado em 2025. A baixa percepção de risco e a disseminação de desinformação (antivacinismo) são apontadas como fatores que contribuem para essa baixa cobertura, mesmo com a comprovação da eficácia e segurança das vacinas. Crianças menores de 2 anos, por exemplo, são o segundo grupo mais vulnerável a complicações graves da COVID-19, atrás apenas dos idosos, e podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).
Para aumentar as coberturas vacinais, é fundamental que os profissionais de saúde se mantenham atualizados com as melhores evidências científicas e recomendem ativamente a vacinação às famílias.
Recomendações de Vacinação contra COVID-19:
Bebês: 1ª dose aos 6 meses, 2ª dose aos 7 meses, 3ª dose aos 9 meses (apenas para vacina Pfizer).
Crianças imunocomprometidas: 1ª dose aos 6 meses, 2ª dose aos 7 meses, 3ª dose aos 9 meses (independente do imunizante), e dose de reforço a cada 6 meses.
Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades: Esquema básico semelhante ao das crianças em geral, com dose de reforço anual.
Crianças com menos de 5 anos que não foram vacinadas ou não receberam todas as doses devem completar o esquema básico.
Gestantes: Uma dose a cada gravidez.
Puérperas (até 45 dias após o parto): Uma dose, caso não tenham tomado durante a gravidez.
Idosos (a partir dos 60 anos): Uma dose a cada 6 meses.
Pessoas imunocomprometidas: Uma dose a cada 6 meses.
Pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indígenas (residentes ou não em terra indígena), ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios: Uma dose por ano.
Pessoas entre 5 e 59 anos que não se encaixam nos grupos prioritários mas nunca foram vacinadas contra a COVID-19: Uma dose.
Recursos Humanos e Desenvolvimento Profissional no SUS
A qualificação e a distribuição de profissionais de saúde são vitais para a saúde pública. Iniciativas como o programa Agora Tem Especialistas visam ampliar a oferta de médicos especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em regiões prioritárias. O projeto Mais Médicos Especialistas, parte integrante deste programa, busca aumentar a qualificação desses profissionais enquanto exercem suas atividades regulares no SUS, por meio de cursos de aprimoramento. Estados, municípios e o Distrito Federal desempenham um papel fundamental na adesão a este projeto, informando as vagas disponíveis e podendo solicitar novas vagas para aprimoramento, ampliando assim a atenção especializada em diversas regiões do país.
Linha do tempo
2024: Inclusão da vacina contra a COVID-19 no calendário básico de vacinação para crianças, idosos e gestantes.
2025: Baixa cobertura vacinal contra a COVID-19, com menos de 4 de cada 10 doses distribuídas sendo aplicadas. Foram registradas mais de 10 mil internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e cerca de 1.700 mortes por COVID-19. Apenas 3,49% do público-alvo de crianças menores de 1 ano foi vacinado contra a COVID-19.
2026: Desenvolvimento e aplicação do Lenacapavir, uma injeção que previne a infecção de HIV com eficácia próxima a 100% ao impedir a replicação do vírus.
18 de janeiro de 2026: O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anuncia a vacinação de cerca de 1,1 milhão de profissionais de saúde da atenção primária contra a dengue, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV.
23 de janeiro de 2026: Prazo final para estados, municípios e o Distrito Federal solicitarem ajustes ou aderirem ao projeto Mais Médicos Especialistas, visando aumentar a oferta de médicos especialistas no SUS.
26 a 28 de janeiro de 2026: Análise das solicitações de adesão ou ajuste ao projeto Mais Médicos Especialistas.
29 de janeiro de 2026: Publicação do resultado final das solicitações para o projeto Mais Médicos Especialistas.
Janeiro de 2026: O Instituto Butantan deve produzir e entregar 1,1 milhão de doses adicionais da vacina Butantan-DV para a vacinação de profissionais de saúde.
2026: Início da vacinação piloto com a Butantan-DV em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) para a população de 15 a 59 anos.
2026: Parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines para acelerar a produção da vacina Butantan-DV, com expectativa de 25 a 30 milhões de doses para o ano.
2026: Ampliação da aplicação da vacina QDenga para o público de 10 a 14 anos em todos os municípios brasileiros, após aquisição de 18 milhões de doses da farmacêutica Takeda.
Março de 2026: Técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China para acompanhar a produção da vacina Butantan-DV.
Principais atores
Organizações de Saúde: Instituições governamentais e não governamentais responsáveis pela formulação e execução de políticas de saúde pública, como o Ministério da Saúde e o SUS.
Indústria Farmacêutica: Empresas que pesquisam, desenvolvem e produzem medicamentos e vacinas, como o Lenacapavir, o Instituto Butantan (Butantan-DV), a Takeda (QDenga) e a WuXi Vaccines.
Pesquisadores e Cientistas: Profissionais envolvidos na descoberta e aprimoramento de tratamentos e métodos preventivos, como os da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Profissionais de Saúde: Médicos, enfermeiros e outros especialistas que atuam diretamente na prestação de serviços de saúde e na implementação de programas como o Mais Médicos Especialistas.
População em geral: Beneficiários e parte ativa na adoção de medidas de saúde pública.
Termos importantes
HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana): Vírus que ataca o sistema imunológico, podendo levar à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
Lenacapavir: Fármaco inovador, administrado por injeção, que impede a replicação do vírus HIV no organismo, prevenindo a infecção.
Replicação viral: Processo pelo qual um vírus se multiplica dentro das células de um hospedeiro.
Dengue: Doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Butantan-DV: Vacina brasileira de dose única contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan.
QDenga: Vacina internacional contra a dengue, com esquema de duas doses, produzida pela Takeda.
Aedes aegypti: Mosquito vetor da dengue, zika e chikungunya.
Vacinação em massa: Estratégia de saúde pública para imunizar grandes parcelas da população contra doenças infecciosas.
Mais Médicos Especialistas: Projeto que visa aumentar a oferta e qualificação de médicos especialistas no SUS, parte do programa Agora Tem Especialistas.
Agora Tem Especialistas: Programa que busca ampliar a qualificação de médicos especialistas enquanto atuam no SUS.
COVID-19: Doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, que pode levar a quadros respiratórios graves.
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Condição respiratória severa que pode ser causada por diversos vírus, incluindo o coronavírus.
Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P): Complicação rara e grave associada à COVID-19 em crianças.