Daily Journal
Daily Journal

Misoginia foi fator central no Massacre de Realengo, dizem pesquisadoras

Quinze anos após o Massacre de Realengo, especialistas apontam a misoginia como um fator crucial e negligenciado no crime, que vitimou majoritariamente meninas, e alertam para o aumento da violência em escolas.

Daily Journal
Foto: Agência Brasil - EBC
||
09/04 às 12:41

Pontos principais

  • O Massacre de Realengo, ocorrido há 15 anos, resultou na morte de 12 alunos, sendo 10 meninas e 2 meninos.
  • Pesquisadoras como Lola Aronovich e Cleo Garcia destacam a misoginia do atirador, evidenciada pelo maior número de vítimas femininas e sua associação a grupos masculinistas.
  • Entre 2001 e 2024, foram identificados 40 ataques em escolas no Brasil, com 25 deles ocorrendo entre 2022 e 2024, todos cometidos por homens.
  • A radicalização é impulsionada por comunidades online que exploram frustrações e raiva, promovendo modelos de masculinidade violenta.
  • Para combater a violência, são necessárias ações integradas que envolvam famílias, escolas, investimentos em educação e saúde mental, além de monitoramento digital.

Quinze anos após o Massacre de Realengo, que vitimou 10 meninas e 2 meninos na Escola Municipal Tasso da Silveira, pesquisadoras e ativistas feministas reavaliam o crime, apontando a misoginia como um fator central e negligenciado. Inicialmente, o debate focou no bullying sofrido pelo atirador, mas evidências como a seletividade das vítimas e a associação do criminoso a grupos masculinistas indicam o ódio contra mulheres como motivação principal.

O cenário de violência em escolas tem se agravado, com 40 ataques registrados no Brasil entre 2001 e 2024, sendo 25 deles nos últimos dois anos. Todos os agressores eram homens, e muitos casos estão ligados a misoginia, racismo e ideologias extremistas, impulsionadas por comunidades online que radicalizam indivíduos. Para enfrentar essa crescente ameaça, são necessárias ações multifacetadas que incluem o envolvimento de famílias e escolas, investimentos em educação e saúde mental, e o monitoramento de plataformas digitais que contribuem para a radicalização.

Comentários

Carregando comentários...