O Brasil registra 336 homens foragidos por feminicídio e um recorde de 1.518 vítimas em 2025, com média de quatro mortes por dia, evidenciando falhas no cumprimento da lei e omissão estatal.
Um levantamento exclusivo do g1 expõe uma falha crítica no sistema de justiça brasileiro: 336 homens procurados por feminicídio, com mandados de prisão em aberto, permanecem foragidos em 25 estados. A maioria dessas ordens, 260 casos, são de prisão preventiva, indicando que a autoria dos crimes foi identificada, mas as prisões não foram cumpridas. O número inclui também 19 casos de condenados em definitivo que deveriam estar cumprindo pena, além de ordens de recaptura, evidenciando a dificuldade em fazer cumprir a lei contra agressores de mulheres. Estados como São Paulo (108), Bahia (32), Maranhão (28) e Pará (27) lideram as estatísticas de procurados, refletindo a dimensão do problema em diferentes regiões do país.
Este cenário se agrava com o registro de um número recorde de 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, uma média de quatro mortes por dia, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Este aumento ocorre dez anos após a sanção da Lei do Feminicídio e representa um crescimento em relação a 2024, que já havia sido um ano recorde com 1.458 vítimas. Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, criticou a omissão do Estado e o desfinanciamento de políticas de proteção a mulheres, enquanto a Human Rights Watch (HRW) apontou a violência doméstica e de gênero como uma das violações mais frequentes no Brasil em seu relatório anual.
Em resposta a este cenário alarmante, o governo federal, Congresso Nacional e Poder Judiciário lançaram o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, visando uma atuação coordenada para combater a violência contra a mulher. O pacto inclui a criação do site TodosPorTodas.br, que reúne informações, canais de denúncia e busca estimular o engajamento na prevenção da violência. A apuração do g1, que utilizou dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) do CNJ, abrange crimes de mais de duas décadas e destaca que o principal desafio não é a identificação dos autores, mas o cumprimento efetivo das ordens de prisão.
Agência Brasil - EBC • 5 fev, 12:57
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