Mercados globais terão recuperação lenta e inflação persistente pós-conflito
Mesmo com cessar-fogo no Oriente Médio, mercados globais enfrentarão recuperação lenta e inflação persistente, impactando políticas monetárias e mercados de títulos; Brasil pode se beneficiar.
Pontos principais
- Mercados globais precisarão de meses para se recuperar do impacto do conflito no Oriente Médio, mesmo com um cessar-fogo frágil.
- A recuperação depende da retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, impactando os mercados de energia.
- A Oxford Economics reduziu a previsão de crescimento do PIB para 2026 para países do Conselho de Cooperação do Golfo.
- A Verde Asset Management avalia que o conflito resultará em um cenário global mais estagflacionário, com preços de energia elevados.
- Mercados de títulos não devem retornar aos níveis pré-guerra devido à persistência de alta inflação e preços de energia.
- Bancos centrais, como os da Índia e Nova Zelândia, mantiveram as taxas de juros inalteradas, sinalizando possíveis aumentos futuros.
- O Brasil é apontado como um ponto positivo, beneficiando-se do preço elevado do petróleo e do desempenho de seu mercado acionário e câmbio.
Os mercados globais enfrentarão uma recuperação lenta, que pode durar meses, mesmo após um cessar-fogo frágil entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio. A Oxford Economics aponta a necessidade de detalhes operacionais para o acordo e a retomada gradual dos fluxos de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz como fatores cruciais para a estabilização. A consultoria revisou para baixo as previsões de crescimento do PIB para 2026 nos países do Conselho de Cooperação do Golfo, com Catar, Kuwait e Barein sendo os mais afetados, e o setor de turismo na região deve levar meses para se reestabelecer.
Além disso, a Verde Asset Management alerta que, apesar da trégua temporária, o conflito levará a um mundo mais estagflacionário, com preços de energia devendo permanecer altos por um longo período. A liberação do Estreito de Ormuz, mediante pedágio, é vista como uma solução problemática a longo prazo, e a trégua é considerada frágil, com relatos de interrupções no tráfego e ataques contínuos na região. O mercado de títulos global não deve retornar aos níveis pré-guerra, com a persistência de alta inflação e preços de energia impactando as expectativas de cortes nas taxas de juros e as políticas monetárias dos bancos centrais. Analistas preveem que os rendimentos de curto prazo terão dificuldade em cair, e bancos centrais como os da Índia e Nova Zelândia já mantiveram as taxas de juros inalteradas, sinalizando uma postura cautelosa diante dos riscos inflacionários.
Em contraste com o cenário global, o Brasil é apontado como um ponto positivo, beneficiando-se do preço elevado do petróleo e do desempenho de seu mercado acionário e câmbio. A Verde Asset Management, por exemplo, aumentou sua posição em ações brasileiras e zerou posições em juro real, mantendo alocação em crédito e proteção em moedas estrangeiras.
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