Apesar do mercado de trabalho aquecido, famílias brasileiras enfrentam endividamento recorde, impulsionado por juros altos e uso crescente do cartão de crédito para fechar as contas.
O Brasil enfrenta um paradoxo econômico: enquanto o desemprego se mantém baixo e a inflação controlada, o endividamento das famílias atinge níveis recordes. Dados recentes mostram que o endividamento alcançou 49,8% da renda anual, um patamar próximo ao recorde histórico. A inadimplência também preocupa, registrando 6,9% em dezembro no crédito livre, um dos maiores índices da série histórica do Banco Central.
Especialistas apontam os juros elevados como o principal motor desse cenário, com a Taxa Selic em 15% ao ano e a taxa média de juros no crédito livre superando 60% anualmente. O cartão de crédito, em particular, tem sido um dos grandes responsáveis pelo aumento do endividamento, com um crescimento de 17,1% em 2025, sendo frequentemente utilizado pelas famílias para complementar o orçamento mensal. Embora programas como o Desenrola tenham oferecido um alívio temporário, o novo ciclo de aperto monetário e o encarecimento do crédito reverteram essa tendência, indicando que a queda dos juros é crucial para aliviar o custo do endividamento e melhorar os indicadores de crédito.