Lula e Ramaphosa discutem defesa, terras raras e fortalecem laços
Lula e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa se reuniram para ampliar comércio, assinar acordos e discutir defesa e exploração conjunta de terras raras, visando autonomia tecnológica e prevenção de conflitos, com Lula expressando preocupação com o conflito no Irã.
Pontos principais
- Presidente Lula recebeu Cyril Ramaphosa para visita de Estado, focando em comércio, turismo e investimentos.
- Lula e Ramaphosa assinaram acordos para ampliar a relação bilateral em diversas áreas, incluindo defesa.
- Lula defendeu investimentos em defesa como prevenção a conflitos, afirmando que o Brasil precisa se preparar e criticando a dependência de compra de armas.
- O presidente brasileiro defendeu a exploração conjunta de minerais críticos e terras raras com a África do Sul, visando o desenvolvimento tecnológico e autonomia.
- Lula propôs que Brasil e África do Sul unam seus potenciais para produzir equipamentos de defesa, em vez de comprá-los de outros países.
- Lula manifestou profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente a guerra contra o Irã, e seus impactos.
- A visita faz parte da estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais e fortalecer cadeias produtivas locais, com o Sul Global tendo voz ativa.
- Lula confirmou participação em reunião em Barcelona sobre democracia, regulação digital e inteligência artificial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta terça-feira o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma visita de Estado em Brasília. O encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto, teve como foco principal a ampliação do comércio bilateral e o fortalecimento de parcerias estratégicas em áreas como turismo e investimentos. Lula e Ramaphosa assinaram acordos para intensificar a cooperação, e o presidente brasileiro destacou a importância da defesa, mencionando que países podem ser invadidos se não estiverem preparados, além de defender a produção própria de meios de defesa. Ele ressaltou que o Brasil não possui armas nucleares e que seus drones são para fins pacíficos, mas a defesa é vista como dissuasão. Lula também expressou profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente a guerra contra o Irã, e seus impactos humanitários e econômicos, incluindo a alta do preço do petróleo.
Durante as discussões, Lula defendeu a exploração conjunta de terras raras e minerais críticos com a África do Sul. O objetivo é promover o desenvolvimento tecnológico e econômico de ambos os países, evitando a exportação de recursos sem valor agregado e fortalecendo as cadeias produtivas locais. O presidente criticou o modelo histórico de exportação de commodities e ressaltou a importância de Brasil e África do Sul, que possuem potencial semelhante, buscarem autonomia na exploração desses recursos. Ele também propôs que os dois países unam seus potenciais para produzir equipamentos de defesa, em vez de comprá-los de outras nações, visando tornar o Brasil um mercado relevante para a indústria de defesa e fortalecer o Sul Global. Lula confirmou sua participação em reunião em Barcelona sobre democracia, regulação digital e inteligência artificial.
Brasil e África do Sul mantêm uma parceria estratégica desde 2010, com um fluxo comercial de US$ 2,2 bilhões no ano passado. A reunião faz parte da estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais, buscando novos mercados após o tarifaço dos EUA. A agenda de Ramaphosa incluiu encontros no Planalto e Itamaraty, além de visitas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, com acordos bilaterais em turismo, comércio, investimentos e cultura sendo firmados.
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