Apesar da queda do preço do cacau no campo, o chocolate permanecerá caro na Páscoa de 2026, pois a indústria comprou a matéria-prima antecipadamente a valores recordes e prioriza a recuperação de margens de lucro.
Mesmo com a recente queda nos preços do cacau no campo, o consumidor brasileiro não deve esperar chocolates mais baratos para a Páscoa de 2026. A indústria de chocolates comprou a matéria-prima com meses de antecedência, quando os valores internacionais estavam em patamares recordes. Além disso, as empresas priorizam a recuperação de suas margens de lucro, impactadas pela disparada dos custos nos últimos meses, antes de repassar qualquer redução ao consumidor. A expectativa é que uma eventual queda nos preços chegue às prateleiras apenas no segundo semestre do próximo ano.
A alta nos preços do cacau foi impulsionada pela diminuição da colheita em 2024 no Brasil e em países africanos, devido a fatores como o El Niño, pragas e doenças. A recente queda dos preços no campo, por sua vez, é atribuída à recuperação das colheitas e, para alguns analistas, à redução da demanda da indústria, que alterou fórmulas e diminuiu compras. Em meio a esse cenário, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, após protestos de produtores baianos contra os baixos preços e a concorrência externa.