O Banco Central liquidou o Banco Pleno, controlado por Augusto Lima, que possui histórico de fraudes, ligações políticas e foi preso na Operação Compliance Zero.
O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM, citando comprometimento econômico-financeiro e o descumprimento de normas regulatórias. A medida trouxe à tona o controverso histórico de Augusto Ferreira Lima, controlador da instituição e ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lima, que construiu sua carreira no crédito consignado, foi preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras do Banco Master ao BRB, e é conhecido por suas ligações políticas com figuras como Rui Costa e Jaques Wagner, tendo inclusive se reunido com o presidente Lula.
Após deixar o Banco Master, Lima assumiu o controle do Banco Voiter, que se tornou Banco Pleno, e da operação Credcesta. A aprovação da transferência de controle do Voiter para Lima pelo Banco Central, em julho de 2025, veio com a condição de um plano para crise de liquidez. A investigação do BC se aprofunda nas operações do Credcesta, um cartão de benefícios para servidores que se transformou em um controverso cartão de crédito consignado para servidores do governo da Bahia. O Banco Pleno foi oferecido a investidores em um modelo que atrelava a venda à operação do Credcesta, mas as negociações não avançaram.
Embora o Banco Pleno tivesse uma participação ínfima no sistema financeiro nacional, a liquidação resultou no bloqueio dos bens dos controladores e administradores. O patrimônio pessoal de Lima, estimado em R$ 1 bilhão, pode ser acionado para cobrir obrigações do Banco Pleno em caso de quebra. O Banco Central continuará apurando as responsabilidades, com a expectativa de aumento do prejuízo do Fundo Garantidor de Crédito.