Protestos no Irã, iniciados por crise econômica e evoluindo para pedidos de fim do regime teocrático, resultaram em cerca de 5.000 mortes e forte repressão, gerando condenação internacional.
Os protestos que varrem o Irã há mais de 20 dias já resultaram em aproximadamente 5.000 mortes, conforme informações de uma fonte do governo iraniano e um oficial. Inicialmente motivadas pela crise econômica e o alto custo de vida, as manifestações rapidamente evoluíram para um clamor pelo fim do regime teocrático dos aiatolás, marcando uma crise inédita no país. A repressão violenta por parte das autoridades, com relatos de mortes por tiros e o corte generalizado da internet desde 8 de janeiro, tem dificultado a verificação precisa dos dados e a comunicação.
A escalada da violência gerou forte condenação internacional, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando ações. Em contrapartida, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, atribuiu a culpa pelas mortes aos Estados Unidos e ordenou que as forças de segurança "quebrem as costas dos insurgentes". Enquanto os números oficiais são escassos e contestados, organizações como a Iran Human Rights (IHR) e o canal Iran International reportam estimativas de mortos que variam entre 3.428 e 12.000, evidenciando a gravidade da situação e a falta de transparência.
Especialistas, como o comentarista Demétrio Magnoli, destacam que os protestos atuais diferem de movimentos anteriores, como os de 2009 e 2022, pela exigência direta da queda do regime. A situação levanta sérias preocupações sobre os direitos humanos na região e o futuro político do Irã, com os Estados Unidos incentivando os protestos e discussões sobre possíveis negociações com Teerã.