O Brasil custa R$ 610,39 milhões.
Esse é o valor que o Banco Master pagou a autoridades, parentes de autoridades, servidores, partidos, escritórios, igreja, publicitários e influenciadores entre 2022 e 2026, somando item por item tudo o que aparece com valor explícito e destino identificado nos autos. É um piso, não um teto: fica de fora o que foi contratado e não se comprovou pago, o que saiu em espécie, os US$ 55,3 milhões que ele torrou em concierge de luxo e tudo o que ainda não veio a público. A lista que produz esse número está logo abaixo.
Quando a Polícia Federal terminou de extrair o conteúdo do celular apreendido com Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025, o que apareceu foi uma contabilidade: uma lista de pessoas, valores e datas que atravessa o Banco Central, a Polícia Federal, o Senado, a Câmara, o Supremo Tribunal Federal, dois governos estaduais, um banco público, um fundo de pensão com 235 mil beneficiários, uma igreja, uma produtora de cinema nos Estados Unidos e cerca de cinquenta perfis de internet.
O material desse aparelho foi sendo liberado ao longo de 2026, primeiro pelo ministro André Mendonça, depois por Edson Fachin. Nesta terça-feira, 15 de setembro, o plenário do STF se reúne em sessão extraordinária para decidir se autoriza a abertura de investigação contra um de seus próprios integrantes com base nele. Enquanto os ministros discutem o rito, o conteúdo já está público. O que ele descreve é um mercado.
Um mercado com tabela, no sentido literal: preço por serviço, forma de pagamento, intermediário, prazo de entrega. Quem quiser saber quanto custa influenciar uma decisão da República brasileira agora tem um documento com os valores.
A conta, do maior para o menor
R$ 86 milhões. Ao advogado Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico do esquema, pela estrutura de fundos e empresas de fachada que escondia quem era o dono dos imóveis. Ele indicou o próprio cunhado como diretor das empresas compradoras e, segundo a PF, ajustava contratos e extratos para dar aparência de legalidade às carteiras de crédito sem lastro vendidas ao BRB.
R$ 80.223.654,94. Ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, em 22 meses de um contrato de R$ 3 milhões mensais que Vorcaro chamou de "o pagamento mais importante que temos". Os metadados de duas versões da minuta registram como autor da última modificação um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes"; o escritório afirma que consultou o ministro sobre impedimentos antes de assinar e que ele nunca julgou causa do banco.
R$ 74,6 milhões. Em imóveis de alto padrão rastreados até Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, de uma propina ajustada em R$ 146,5 milhões. O restante deixou de ser pago quando Vorcaro soube, em abril de 2025, que o Ministério Público Federal havia aberto um procedimento sigiloso sobre a compra de imóveis; sob a gestão de Costa, o banco público comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do Master.
R$ 65 milhões. Ao filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, remetidos por um doleiro a um fundo dormente no Texas a pedido do senador Flávio Bolsonaro. Era pouco mais de metade dos US$ 24 milhões contratados em 14 parcelas, e a última remessa saiu duas semanas depois de o Banco Central vetar a venda do Master ao BRB.
R$ 60 milhões. Em três temporadas de eventos com autoridades em 2024, entre Londres, Nova York e Lisboa, com uísque, jatinhos, DJs e troféus de cristal. Só em Londres foram US$ 7,5 milhões, para receber três ministros do STF, cinco do STJ, o então ministro da Justiça, o advogado-geral da União, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal.
R$ 35 milhões. Ao fundo Arleen, sócio do resort da família do ministro Dias Toffoli, dinheiro que terminou numa holding nas Ilhas Virgens Britânicas. Saiu em duas tranches, descritas pelo cunhado de Vorcaro como "pagamos 20 milhões lá atrás, agora mais 15 milhões"; Toffoli nega ter recebido valores e afirma que jamais manteve recursos no exterior.
R$ 27,2 milhões. Ao portal Metrópoles, do ex-senador cassado Luiz Estevão, numa movimentação que o Coaf classificou como atípica para o porte da empresa. Estevão diz que é o patrocínio do Will Bank à Série D do Brasileiro e à venda dos naming rights do torneio, mas o Coaf registra que os pagamentos começaram em janeiro de 2025 e a marca só apareceu nas transmissões em julho.
R$ 19,45 milhões. À Igreja Batista da Lagoinha, quase tudo em 26 transferências do cunhado de Vorcaro, que era pastor e presidente da unidade. A conta movimentou R$ 57,1 milhões em um ano, contra um faturamento anual declarado de R$ 950 mil, e R$ 4,9 milhões saíram dela para construtoras e incorporadoras; a igreja diz que cada unidade tem autonomia financeira e que a Belvedere foi fechada.
R$ 18,5 milhões. A Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, em 2024 e 2025. Os documentos da Receita não registram a que serviço o pagamento corresponde, e o período coincide com a negociação da venda do Master ao BRB.
R$ 18,47 milhões. Ao senador Ciro Nogueira, entre mesada de até R$ 500 mil por mês, um deságio de R$ 12 milhões na compra de uma empresa e viagens, em troca da emenda que quadruplicaria a garantia do FGC. A compra da participação ocorreu em abril de 2024, quatro meses antes de ele apresentar no Senado o texto que, segundo a PF, tinha sido escrito dentro do banco.
R$ 18 milhões. Em comissões de 0,6% sobre cada real que fundos de previdência de servidores aplicaram no banco. Eram distribuídas pela Mídias Promotora, do lobista Ricardo Siqueira, sobre aportes que chegaram a R$ 3,69 bilhões só do RioPrevidência, fundo que paga 235 mil aposentadorias no Rio.
R$ 14,8 milhões. Ao senador Jaques Wagner, somando o que a empresa da nora recebeu em quatro anos, um apartamento comprado por terceiro, um repasse a ele como pessoa física e camarote de Taylor Swift. A BN Financeira afirma que prestou serviços regulares de prospecção de convênios de crédito, com nota fiscal, e o senador diz que os R$ 289 mil em seu nome são rendimento de aplicação financeira.
R$ 14 milhões. A Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, por uma consultoria aberta um mês antes de começar a negociação com o BRB. A Pollaris foi registrada em 30 de abril de 2024 e recebeu o dinheiro entre 2024 e 2025; Mantega nega irregularidade.
R$ 12 milhões. Aos dois servidores do Banco Central encarregados de fiscalizar o Master, disfarçados de venda de sítio, lavoura de café e um projeto social para jovens. São R$ 8 milhões ao ex-diretor de Fiscalização e R$ 4 milhões ao ex-chefe de Supervisão Bancária, segundo a sindicância do próprio BC, que os afastou em janeiro e abriu processo na CGU.
R$ 10 milhões. Ao escritório do ex-presidente Michel Temer, por mediação na venda do banco. O pagamento é de 2025, ano da tentativa de compra pelo BRB e da liquidação, e Temer afirma ter recebido R$ 7,5 milhões, em duas parcelas.
R$ 10 milhões. Por 17% do Portal Leo Dias, comprados por um empresário que o vendedor aponta como preposto do banqueiro e que nega ter sido. Além da compra, o portal recebia R$ 1,2 milhão por mês do Master em contrato de mídia e não cobriu a operação que prendeu o dono do banco.
R$ 6,6 milhões. A uma consultoria tributária que declarava faturamento anual de R$ 25,5 mil e repassou parte do dinheiro ao filho do ministro Kassio Nunes Marques. Os pagamentos correm entre agosto de 2024 e julho de 2025, e R$ 281,6 mil chegaram ao advogado, que afirma ter prestado serviços tributários sem qualquer relação com o Supremo.
R$ 6,4 milhões. A dois escritórios de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Os pagamentos correm desde 2023, e Rueda afirma que prestou serviços "estritamente técnicos", com pareceres, reuniões e audiências, sem relação com sua função partidária.
R$ 6,2 milhões. À firma de Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro. Os documentos da Receita registram o valor e o vínculo societário, mas não descrevem o objeto do contrato.
R$ 6,1 milhões. Ao escritório de advocacia em que são sócios o filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e da Justiça. Os repasses correm desde novembro de 2023, e Lewandowski deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de assumir o Ministério da Justiça.
R$ 5,45 milhões. À consultoria de ACM Neto, do União Brasil. O dinheiro entrou entre 2023 e 2025 na A&M Consultoria, que afirma ter prestado serviços lícitos mas não confirma os valores dos documentos fiscais.
R$ 5 milhões. Às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022, doados pelo cunhado do banqueiro dez dias antes do segundo turno. Em proposta de delação rejeitada, Vorcaro afirma que era contrapartida por um acerto com Gilberto Kassab para manter o cartão consignado do banco na folha dos servidores paulistas; Kassab chama o relato de "absolutamente fantasioso".
R$ 3,8 milhões. À empresa de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação de Jair Bolsonaro, que integra a defesa do banqueiro. O pagamento é de 2025, e ele afirma que foi apresentado a Vorcaro pelos advogados, que os serviços são regulares e declarados e que o contrato tem cláusula de confidencialidade.
R$ 3,5 milhões. À rede de 40 a 50 influenciadores e sites contratados para atacar o Banco Central depois que o banco foi liquidado. Foi o que saiu de um plano de R$ 8 milhões, e cada contratado assinava um acordo de sigilo com multa de R$ 800 mil antes de saber qual era o trabalho.
R$ 3 milhões. Ao advogado Engels Muniz, que integrava o conselho fiscal do BRB enquanto o banco público comprava carteiras do Master. O primeiro milhão foi pago 54 dias depois de o BRB aprovar a compra do Master, e os outros R$ 2 milhões em dezembro de 2025, quando ele já era oficialmente advogado de Vorcaro.
R$ 1 milhão. O comprovante de um mês da milícia privada que espionava e ameaçava desafetos do banqueiro, de um contrato mensal do mesmo valor. O chefe operacional dividia R$ 400 mil entre seis integrantes, a R$ 75 mil cada, e o grupo tinha cronograma de férias coletivas no fim do ano.
R$ 91,3 mil. Em cinco diárias no Four Seasons Ritz de Lisboa para Hugo Motta, hoje presidente da Câmara. Foi em junho de 2024, na mesma viagem de Ciro Nogueira; Motta confirmou ter ido de carona no avião de Vorcaro e afirma não ver crime na relação.
R$ 10 mil. Pagos depois que uma mulher escreveu ao banqueiro: "ela disse que ficou com o Kassio! Ela tá me cobrando aqui". Oito dias antes, a mesma interlocutora havia avisado que "as meninas estão prontas" e pedido um endereço; a assessoria do ministro diz que ele não tem conhecimento do contexto das mensagens.
Quatro pagamentos recorrentes aparecem nos autos sem total apurado e por isso entram na soma apenas por uma parcela ou ficam fora dela: R$ 1 milhão por mês à milícia privada, dos quais só um comprovante foi juntado; R$ 400 mil por mês a um agente aposentado da Polícia Federal que dava acesso a inquéritos sigilosos; os R$ 500 mil mensais que um diretor do banco discutia repassar ao filho de Nunes Marques; e R$ 1,2 milhão por mês em contrato de mídia com um portal de celebridades.
E há o que não é compra de influência, e por isso também não entra: US$ 55,3 milhões em concierge de luxo, R$ 300 milhões por 20% do Atlético-MG, R$ 26 milhões para estampar a marca num carro de Fórmula 1, os R$ 24 milhões em publicidade do cartão consignado nas empresas do Grupo Massa, o segundo contrato de R$ 50 milhões que o escritório de Viviane Barci nega ter assinado, os R$ 10 milhões de caixa dois que só existem na delação rejeitada e um acervo bloqueado que inclui um Picasso de R$ 40 milhões e dois Basquiat.
Como ler os números abaixo
Nem tudo aqui tem o mesmo peso probatório, e tratar tudo como equivalente seria desonesto. Os itens que seguem estão em quatro categorias:
Contratos e transferências documentados. Existe contrato assinado, comprovante bancário ou relatório do Coaf. O que se discute é a finalidade, não a existência.
Conclusões de investigação. A PF, o Banco Central ou o Ministério Público afirmam que houve pagamento indevido, com base em provas que reuniram. Ainda não há condenação.
Mensagens. Existe o diálogo, não necessariamente a transação. Uma conversa sobre pagar não prova que o pagamento saiu.
Delação rejeitada. Vorcaro apresentou três propostas de colaboração premiada. Todas foram recusadas pela PF e pela PGR, que não viram fatos novos. O que ele afirmou nesses documentos é a versão de um réu interessado em negociar pena.
Todos os citados negam irregularidade. As negativas estão junto de cada item.
A folha de pagamento
Antes de entrar no que a PF chama de propina, convém olhar o que o banco declarou ao fisco. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado, obtidos pela Folha e por O Globo, mostram que o Master pagou R$ 543 milhões a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025. A curva importa mais que o total: R$ 40,1 milhões em 2022, R$ 56,8 milhões em 2023, R$ 183,7 milhões em 2024, quando a PF começou a investigar Vorcaro, e R$ 262,4 milhões em 2025, o ano do cerco e da liquidação. Quinze bancas receberam R$ 10 milhões ou mais.
Boa parte disso é trabalho jurídico real, e os escritórios dizem exatamente isso. O Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht, segundo maior recebedor com R$ 79,1 milhões, afirma ter atuado em cerca de 28 mil processos e reduzido R$ 305 milhões em passivos, além de não ter recebido parte substancial do que foi contratado. O Gabino Kruschewsky, quarto colocado com R$ 54 milhões, calcula que recebeu cerca de R$ 1.200 por processo em mais de 45 mil ações, valor que diz ser compatível com o mercado. São defesas plausíveis, e não há por que descartá-las.
O que chama atenção é quem mais aparece nessa lista. O maior pagamento foi ao escritório da mulher de um ministro do STF. O terceiro, R$ 76,6 milhões, foi a dois escritórios de Walfrido Warde, advogado de Vorcaro desde 2017, que investigadores citam por ter atuado para evitar a prisão do banqueiro quando a ordem ainda estava sob sigilo. Horas antes da primeira prisão, Warde escreveu ao cliente: "Estamos infernizando ele", numa referência atribuída ao juiz do caso. O escritório afirma que nunca atuou para o Master no Supremo ou no TCU, que a petição foi assinada por várias bancas e protocolada quando a prisão já havia sido decretada, e que os advogados não sabiam da decisão.
E há a outra lista. O Globo somou, nos mesmos documentos, R$ 65,83 milhões pagos entre 2023 e 2025 a políticos, dirigentes partidários, ex-ministros e um ex-presidente:
Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda: R$ 18,5 milhões, entre 2024 e 2025.
Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda: R$ 14 milhões pela Pollaris Consultoria, empresa aberta em 30 de abril de 2024, no período da negociação com o BRB.
Michel Temer, ex-presidente da República: R$ 10 milhões ao seu escritório em 2025, por serviços de mediação. Temer afirma ter recebido R$ 7,5 milhões, em duas parcelas.
Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil: R$ 6,4 milhões desde 2023, em dois escritórios ligados a ele. Diz que os serviços foram "estritamente técnicos" e que não confirma dados fiscais vazados.
Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania: R$ 6,2 milhões à firma da qual é sócio.
Lewandowski Advocacia, que tem como sócios o filho e a mulher do ex-ministro do STF e da Justiça Ricardo Lewandowski: R$ 6,1 milhões desde novembro de 2023. Lewandowski deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de assumir o Ministério da Justiça, e o escritório afirma ter prestado consultoria jurídica ao banco.
ACM Neto, do União Brasil: R$ 5,45 milhões pela A&M Consultoria, entre 2023 e 2025. A consultoria diz que os serviços foram lícitos, sem confirmar os valores.
Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação de Jair Bolsonaro: R$ 3,8 milhões à WF Comunicação em 2025. Afirma que integra a equipe de defesa de Vorcaro, que os serviços são regulares e declarados, e que não ocupa cargo público há mais de cinco anos.
Também aparece nos documentos o nome do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), sem valor discriminado nas reportagens.
Nenhum desses pagamentos é, por si, ilegal. Consultoria e advocacia são atividades lícitas e todos eles emitiram nota. O que os documentos estabelecem é outra coisa: entre 2022 e 2025, um banco que crescia sobre um modelo fraudulento montou uma folha de pagamento que incluía dois ex-ministros da Fazenda, um ex-presidente do Banco Central, um ex-presidente da República, o escritório do filho e da mulher de um futuro ministro da Justiça, dois dirigentes do mesmo partido e o ex-chefe de comunicação de um governo. E gastou com advogados, no ano em que estava afundando, seis vezes mais do que gastava três anos antes.
A publicidade
Duas empresas de comunicação aparecem com valores próprios, fora daquele agregado:
Metrópoles, portal do ex-senador cassado Luiz Estevão: R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, segundo relatório do Coaf que classificou a movimentação como atípica para o porte da empresa e apontou repasses imediatos a outras firmas da família. Estevão afirma que os valores correspondem ao patrocínio do Will Bank à Série D do Brasileiro de 2025 e à venda dos naming rights do torneio, nega superfaturamento e diz que o banco sequer pagou tudo. O Coaf observa que os pagamentos começaram em janeiro de 2025 e a marca só apareceu nas transmissões em julho.
Grupo Massa, da família do governador do Paraná, Ratinho Júnior: cerca de R$ 24 milhões entre 2022 e 2025, divididos entre a Massa Intermediação e a Gralha Azul. A assessoria do grupo afirma que o governador não é sócio das empresas e que os valores vêm de contratos regulares de publicidade, ligados à divulgação do cartão Credcesta.
Dos dois, só o Metrópoles entra na conta desta reportagem. O critério é o do próprio Coaf, que classificou aquela movimentação como atípica para o porte da empresa e registrou os repasses imediatos a firmas da família do dono. Os R$ 24 milhões do Grupo Massa ficam de fora pelo mesmo motivo que ficam de fora os R$ 300 milhões do Atlético-MG e os R$ 26 milhões da Fórmula 1: é publicidade de produto, e nenhum órgão a apontou como outra coisa.
O regulador
O Banco Master era fiscalizado pelo Banco Central. Segundo a PF, dois dos servidores encarregados dessa fiscalização prestavam ao banco o que o relatório chama de "consultoria". Eles revisavam documentos antes de enviá-los à própria autarquia, avisavam sobre alertas internos e orientavam Vorcaro sobre como se comportar em reuniões com o presidente do BC. Havia um grupo de WhatsApp dos três, criado em outubro de 2024.
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC. Cerca de R$ 8 milhões, segundo a sindicância patrimonial concluída pelo próprio Banco Central em março de 2026. A comissão aponta que os repasses foram disfarçados de negócios imobiliários e rurais com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro: a venda de um sítio em Guaxupé (MG) por R$ 5,2 milhões, outro imóvel por R$ 1,5 milhão, R$ 1 milhão em "rendimentos de lavoura de café", R$ 276 mil em "ressarcimento de aparelhos de ginástica". A PF identificou ainda o pagamento de US$ 38 mil a um agente de viagens por uma ida à Disney com a família. A defesa afirma que ele custeou integralmente a viagem, pagou US$ 8 mil em espécie por um pacote de acesso aos parques e que a origem dos recursos é comprovável documentalmente. Nega ter recebido qualquer vantagem.
Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Cerca de R$ 4 milhões, pela mesma sindicância: seis parcelas de R$ 500 mil entre outubro de 2023 e outubro de 2024, mais dez de R$ 100 mil ao longo de 2025. O caminho do dinheiro foram dois contratos de R$ 2 milhões com a Varajo Consultoria, empresa do advogado Leonardo Palhares, que também é diretor da Super Empreendimentos, ligada a Vorcaro. O serviço contratado, no papel, era um "projeto de inserção de jovens no mercado financeiro". Quando Belline concordou com os termos, Zettel encaminhou a mensagem a Vorcaro, que comentou: "Que circo". A PF registra ainda uma viagem dele e da mulher a Paris com jantares reservados por Vorcaro. A defesa sustenta que os contatos com o Master foram estritamente institucionais e que o trabalho de educação financeira era real.
Vorcaro, em depoimento de agosto de 2026, negou ter pago propina aos dois e disse que fez aporte em um projeto social.
A polícia
Marilson Roseno da Silva, agente aposentado da PF. R$ 400 mil por mês, pagos por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, segundo relatório da corporação. O dinheiro passava pela empresa do policial e pela King Participações, de um funcionário de Vorcaro descrito nos autos como "sicário". Em 6 de janeiro, com os repasses atrasados, Roseno cobrou: "Não me deixe a deriva, por favor". Vorcaro pai respondeu que mandaria "imediatamente 400". O policial retrucou que o correto seriam R$ 800 mil.
Anderson Wander da Silva, agente da ativa. Pagamentos por Pix, presentes e um "bônus de fim de ano", sem valor fixado no relatório. Ele acessava o e-Pol, o sistema onde ficam registrados os inquéritos.
O que isso comprava: informação sobre investigações sigilosas em curso. Foi por esse canal que Vorcaro obteve um mandado de prisão contra si mesmo antes do cumprimento e o repassou a um site jornalístico. Roseno, Anderson e outros dois policiais aposentados foram presos preventivamente; uma delegada foi afastada. A PF não identificou pagamentos a ela, e observa que boa parte das mensagens do casal envolvido foi apagada.
A milícia
Havia um quarto núcleo, e ele não comprava ninguém. Fazia o serviço oposto: ameaçava quem não estava à venda. A PF chama de "milícia privada"; os próprios integrantes chamavam de "A Turma", nome do grupo de WhatsApp em que operavam.
O preço. R$ 1 milhão por mês, pagos por ordem de Vorcaro, intermediados pelo cunhado Fabiano Zettel e executados pela funcionária Ana Claudia Queiroz de Paiva, com destino à conta da King Empreendimentos Imobiliários e Participações. Quando o pagamento atrasou, o chefe operacional cobrou: "Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado". Em outra ocasião, Ana Claudia perguntou a Vorcaro: "Vai ser 1 mm como normalmente?". Ele respondeu: "Sim". O comprovante de R$ 1 milhão está nos autos.
A divisão. Perguntado pelo próprio Vorcaro como dividia o dinheiro, o chefe operacional detalhou: "Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando para eles 400 divido entre seis. Os meninos mando 75 para cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda um e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma". As reportagens que publicaram o trecho não esclarecem a que se refere a sigla no meio da frase. O grupo tinha cronograma de férias coletivas no fim do ano e pressionava o banqueiro por decisões rápidas para não acumular trabalho no recesso.
Quem era quem. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas conversas como Felipe Mourão e apelidado de "Sicário", era o coordenador: definia alvos, montava as equipes de monitoramento e gerenciava os dados obtidos. Antes de trabalhar para o banqueiro, tinha sido denunciado por lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular em um esquema de pirâmide financeira em Minas Gerais. Marilson Roseno da Silva, o policial federal aposentado que recebia R$ 400 mil mensais do pai de Vorcaro, era o operador de campo, encarregado de localizar alvos e extrair dados dos sistemas. Fabiano Zettel pagava.
O que faziam. Segundo a PF, o grupo acessava com credenciais de terceiros os sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI. Uma auditoria interna da PF ainda em curso identificou que as consultas indevidas ao e-Pol partiram da delegacia de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Em 24 de outubro de 2025, Mourão encaminhou um print com o logotipo da Interpol e as mensagens "estamos aguardando o relatório principal do FBI" e "a Interpol está limpa". O grupo também simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para acionar canais reservados a autoridades em plataformas digitais, obter dados de usuários e derrubar conteúdo desfavorável.
Os alvos. Uma empregada doméstica chamada Monique, que segundo Vorcaro o estaria ameaçando: "Tem que moer essa vagabunda". Mourão perguntou o que fazer. Resposta: "Puxa endereço tudo". Um ex-funcionário que teria gravado o banqueiro, e o chef de cozinha ligado a ele: "O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar". E o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, depois de uma reportagem contrária aos interesses do banco. Mourão, que já o monitorava, perguntou se ele "bate cartão todo domingo". Vorcaro respondeu que sim e determinou: "Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele". Depois foi além: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Mourão respondeu com dois sinais positivos e informou que estava derrubando os "links negativos". Vorcaro insistiu: "Quero dar um pau nele. Pode?". Mendonça concluiu na decisão que há fortes indícios de ordem para forjar um assalto contra um jornalista.
A agressão não se concretizou. O ministro escreveu que manter "A Turma" solta era deixar funcionando o braço armado de uma organização que já havia causado danos bilionários, e decretou as prisões. Mourão morreu em 4 de março de 2026, depois de atentar contra a própria vida na Superintendência da PF em Belo Horizonte, no dia em que foi preso. Tinha 43 anos.
Em nota, a assessoria de Vorcaro afirmou que ele jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas, que as mensagens foram tiradas de contexto, que respeita o trabalho da imprensa e que qualquer frase mais dura foi desabafo privado, sem objetivo de intimidar ninguém.
O Congresso
Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas. R$ 300 mil a R$ 500 mil por mês, mais de R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, segundo a PF, por meio de empresas das duas famílias. Some-se a compra, por uma empresa do irmão, de 30% da Green Investimentos por R$ 1 milhão quando a participação valia R$ 13,06 milhões, o que Mendonça classificou como vantagem negocial de R$ 12 milhões, um imóvel de alto padrão cedido por tempo indeterminado e R$ 468,7 mil em viagens: seis noites em suíte royal no Park Hyatt de Nova York (US$ 47,7 mil), cinco diárias no Four Seasons Ritz de Lisboa (R$ 91,3 mil), R$ 122 mil em dois restaurantes de Courchevel e um jantar no Gigi, em Paris, sobre o qual Vorcaro instruiu um auxiliar: "não vai deixar eles pagarem, ok?". Em uma lista de pendências de agosto de 2025 consta a anotação "Espécie Ciro 350k"; a PF diz não ter comprovação de que o dinheiro vivo foi entregue. O que esse dinheiro comprava, segundo a investigação, era a Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que elevaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O texto foi escrito pela assessoria do Master, entregue em envelope na casa do senador com a instrução de que o envelope não trouxesse referência ao banco, e apresentado sem alterações. Vorcaro comemorou: "saiu exatamente como mandei". Um diretor do banco calculou o efeito: "Você sextuplica seu negócio". A emenda foi rejeitada. Ciro nega ter apresentado a emenda na íntegra e repudia qualquer ilação de ilicitude.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara. Hospedagem de cinco noites no Four Seasons Ritz de Lisboa, cerca de R$ 91,3 mil, em junho de 2024, no mesmo pacote de Ciro Nogueira. A PF também menciona uma emenda apresentada por ele em 2024 ao projeto que regulamentou o mercado de carbono, de interesse do grupo.
Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado. A PF lista, entre 2023 e 2025: um apartamento de R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador, indicado pelo próprio senador a Augusto Lima, ex-CEO do Master, e comprado com recursos do fundo Hockenheim, gerido pela Reag, por meio da empresa Epítome S.A.; R$ 12 milhões pagos entre 2022 e 2025 à BN Financeira, empresa da nora do senador, conforme os documentos da Receita, dos quais uma transferência de R$ 3,5 milhões em 17 de outubro de 2025 está documentada na representação da PF, feita pela PKL One Participações depois de o enteado dele cobrar Augusto Lima ("amanhã vencem os boletos e são altos"); R$ 63.339 em ingressos de camarote para o show de Taylor Swift em São Paulo, em novembro de 2023, destinados a familiares; quatro voos em aeronaves do grupo sem registro de pagamento, incluindo uma ida com a mulher à Ilha da Paixão, na Bahia; e vinhos de presente avaliados entre R$ 2.500 e R$ 5.300. Em buscas de junho de 2026, a PF encontrou US$ 55 mil e € 33 mil em espécie em endereços ligados ao senador, cerca de R$ 471 mil. Uma planilha apreendida com o advogado da estrutura registra ainda mais de R$ 2,34 milhões pagos em 2024 a um beneficiário apelidado "Dudu", que os investigadores associam ao enteado. O que a PF diz que isso comprava está em quatro frentes legislativas: a Lei 14.431/2022, que ampliou o crédito consignado e na qual Wagner apresentou emenda; a Emenda 11 à PEC 65/2023; a venda do Master ao BRB, que ele teria apadrinhado dentro do governo; e o PL 412/2022 do mercado de carbono, que teve o senador como relator e no qual pessoas ligadas ao banco enviaram sugestões de emendas descritas como "fundamentais". Wagner nega ter recebido vantagem indevida, afirma que o apartamento jamais integrou seu patrimônio e que pediu a compra para recomprá-lo depois e ajudar uma filha, diz que o dinheiro em espécie é de diárias oficiais não usadas e sustenta que sempre atuou contra os interesses do banco. Sua defesa contestou formalmente as onze hipóteses de ilegalidade do inquérito.
Há ainda um papel manuscrito encontrado na churrasqueira da casa de Ciro Nogueira, em maio de 2026, com o título "Câmara" e uma lista de nomes com números ao lado: "Arthur" com 40; "Hugo", "Elmar", "Luizinho" e "Adolfo" com 10 cada. No rodapé, dois valores: 8.750.000,00 e 2.187.500. O documento não traz explicação, e a PF trabalha com a hipótese de que se refira a parlamentares. Nenhum dos citados foi indiciado por causa dele.
O Judiciário e seu entorno
Esta é a parte do inventário em que quase nada foi pago diretamente a um magistrado. O dinheiro vai para escritórios, filhos, fundos, agências de viagem e eventos.
Escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Contrato assinado em 16 de janeiro de 2024 com o Banco Master: 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, R$ 108 milhões líquidos, R$ 131,3 milhões brutos. Em 22 meses, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões. Vorcaro classificou o compromisso como "o pagamento mais importante que temos" e instruiu uma funcionária: "pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for". Quando as parcelas de fevereiro e março de 2024 atrasaram, o ex-ministro Fábio Faria avisou: "O careca não pode atrasar". Os metadados de duas versões da minuta registram como autor da última modificação um usuário chamado "Ministro Alexandre de Moraes". Em maio de 2025 foi firmado um segundo contrato, de até R$ 50 milhões, com a Viking Participações, empresa de Vorcaro, com termo de dação prevendo quitar R$ 40 milhões com cotas de duas empresas donas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1. Segundo a PF, o escritório já utilizava as duas aeronaves em julho daquele ano. O escritório afirma que teve apenas um contrato com o Master, que a proposta de dação não foi aceita, que nada foi assinado e que consultou o ministro sobre impedimentos antes de fechar o primeiro contrato.
Alexandre de Moraes. A PF contabilizou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. As do fim, no período da prisão e da liquidação, pedem que ele interceda junto ao diretor-geral da PF e ao presidente do Banco Central. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso tentando embarcar para Dubai, Vorcaro perguntou: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". As respostas não existem no aparelho porque foram enviadas por visualização única. O relatório registra ao menos nove encontros entre março de 2024 e agosto de 2025 e menciona cartões de crédito que teriam sido emitidos para os dois filhos do ministro. Moraes classificou o relatório como farsa e vingança, pediu sua anulação e apontou interferência externa na produção da peça.
Kevin de Carvalho Marques, advogado, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Mensagens do diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, a Vorcaro tratam de R$ 500 mil por mês. Em julho de 2025: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk". Vorcaro: "Kkkk". O caminho seria a Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025 declarando faturamento anual de R$ 25,5 mil, e repassou R$ 281,6 mil a Kevin. Em 2024, ao comentar uma decisão do STF sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, Rennó escreveu "vencemos Alcídia", citou o placar e compartilhou o contato de Kevin: "Dominado aqui". O escritório de Kevin afirma que ele nunca prestou serviço ao Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro, e que os R$ 281,6 mil foram por serviços tributários sem relação com o STF. O ministro afirma que nunca votou a favor do Master e que o filho nunca recebeu dinheiro do banqueiro.
Kassio Nunes Marques. Em novembro de 2025 viajou de Brasília a Maceió com a mulher em avião da Prime You, empresa que administra bens de Vorcaro; a advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua para o Master, assumiu ter pago a viagem. Em abril daquele ano, a mesma advogada deu carona em voo privado a dois filhos do ministro para Trancoso. Em dezembro de 2024, um agente de viagens de luxo encaminhou a Vorcaro um pedido atribuído ao ministro para montar um roteiro de dez dias pela Europa para cinco pessoas e perguntou se deveria cobrar dele ou do banqueiro. Vorcaro: "Sim. Atende. Tudo". Depois, ao ser perguntado quem pagaria: "Me liga depois". A viagem não se realizou.
R$ 10 mil. Em 7 de março de 2025, uma mulher salva na agenda de Vorcaro como Rayanna escreveu: "A minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com o Kassio! Ela tá me cobrando aqui". Vorcaro pediu "dados e valor". Ela respondeu "10, né!" e mandou a chave de pagamento. Oito dias antes, havia avisado que "as meninas estão prontas" e pedido um endereço. A assessoria do ministro disse que ele não tem conhecimento do contexto das mensagens e nega ter se encontrado com a mulher mencionada.
FIP Arleen. Fundo que recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro em duas tranches ("pagamos 20 milhões lá atrás, agora mais 15 milhões", escreveu Zettel) e que era sócio do resort Tayayá, no Paraná, ligado à família do ministro Dias Toffoli. Em fevereiro de 2025 o fundo foi vendido a um amigo do ministro; no mês seguinte foi registrada a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e alterado o regulamento do fundo para permitir investimento no exterior; em dezembro, R$ 34 milhões foram transferidos para lá. Um relatório de 196 páginas da PF levanta a hipótese de que Toffoli tenha figurado como "beneficiário final ou proprietário de fato" do fundo, registra 12 encontros presenciais e 167 ligações por aplicativo entre os dois, e pede aprofundamento, que não houve. Toffoli nega ter mantido recursos no exterior, nega ter recebido valores de Vorcaro e afirma que os valores negociados jamais totalizaram R$ 35 milhões. O relatório foi arquivado depois que ele deixou a relatoria do caso.
Rodrigo Fux, advogado, filho do ministro Luiz Fux. Em novembro de 2024 Vorcaro pediu ajuda dele sobre um "caso", houve videoconferência, envio de documento para análise e marcação de reuniões. O escritório afirma que nunca advogou para Vorcaro, nunca celebrou contrato e nunca recebeu qualquer valor, e descreve os contatos como tentativa de aproximação comercial que não se concretizou.
André Mendonça, relator do caso até setembro de 2026. Teve um encontro com Vorcaro em março de 2025, intermediado pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens de um advogado do banqueiro sugeriam que ele teria pago um terno ao ministro em uma alfaiataria de luxo; Mendonça apresentou nota fiscal de R$ 16,5 mil paga por ele mesmo naquele dia.
Os eventos
Em 2024, segundo a PF, Vorcaro gastou US$ 11,5 milhões, cerca de R$ 60 milhões, em três temporadas de eventos com autoridades:
US$ 7,5 milhões no 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, entre 24 e 26 de abril. O Master pagou a estrutura e a hospedagem de 70 pessoas, das quais 25 participavam dos debates, além da palestra de Tony Blair e de uma noite de homenagem a Michel Temer com troféus de cristal em um museu. Estiveram lá os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, cinco ministros do STJ, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o advogado-geral da União Jorge Messias, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues. Segundo mensagens no aparelho, Moraes convidou pessoalmente Gilmar Mendes: "é organizado pela CONJUR, Correio Braziliense e Banco Master. Topa?". O ministro também vetou pelo menos um convidado. Vorcaro instruiu: "Ideal nos convites não sair o Banco como realizador do evento, concorda?".
US$ 2,5 milhões na semana do Brasil em Nova York, em maio. A planilha apreendida no celular do banqueiro fecha a semana em R$ 11,9 milhões.
US$ 1,6 milhão em eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, em junho, com DJs, dançarinas, restaurantes e compras em shopping, mais US$ 232,6 mil no fretamento de dois jatos de Lisboa a Brasília nos dias 28 e 29. Em Lisboa, Vorcaro também pagou as diárias de Ciro Nogueira e Hugo Motta no Four Seasons Ritz e organizou um jantar fechado cuja instrução ao produtor foi: "pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista".
O que se bebeu
A parte dos autos que mais chamou atenção do público é a conta do bar, e ela não é anedótica. É a prova documental de que autoridades dos três Poderes estiveram, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, consumindo algo pago por um banqueiro que àquela altura já era supervisionado de perto pelo Banco Central.
Londres, 25 de abril de 2024, George Club, Mayfair. Degustação do uísque Macallan para cerca de 40 convidados, quase US$ 641 mil. O orçamento discrimina £ 443,4 mil na degustação, £ 1.770 em aperitivos e £ 720 no DJ set, mais 15% de taxas locais. Estavam lá, segundo documentos enviados à CPMI do INSS, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República Paulo Gonet, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o ministro do STJ Benedito Gonçalves e o deputado Hugo Motta. As mulheres foram levadas a um museu. No dia seguinte, parte do grupo jantou no Annabel's.
Londres, os shows. Mais de US$ 1 milhão em atrações na mesma semana: o cantor britânico Seal, os DJs Hugel e Keinemusik, a banda do Annabel's e Nikita Kuzmin. O pacote londrino inteiro, de 24 a 26 de abril, custou US$ 6.035.922,37 pelos documentos entregues à CPMI, e incluiu a palestra de Tony Blair e a noite de homenagem a Michel Temer no Wallace Collection, com troféus de cristal.
Nova York, 14 de maio de 2024, The Carnegie Club. A degustação para dez pessoas que ficou conhecida como "farra do uísque": US$ 1.023.646, ou R$ 5,25 milhões. A conta abre em US$ 674.789 só de uísque, US$ 63.956 de locação e charutos, US$ 137.136 de taxas locais, duas taxas de 10% de US$ 73.874 cada e US$ 17 de tarifa bancária. Cada convidado saiu com uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em R$ 30 mil, e uma caixa de charutos. Outros US$ 121 mil foram gastos em 25 garrafas de Macallan 30 anos para presentear. Presentes: Cláudio Castro, Ciro Nogueira, Hugo Motta, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho. Quatro deles eram, naquele momento, candidatos à presidência da Câmara. Motta venceria a disputa nove meses depois. No dia seguinte à degustação, o RioPrevidência aportou R$ 80 milhões em letras financeiras do Master.
Nova York, a "noite das astronautas". Festa na suíte presidencial de um hotel em Manhattan, só com homens, com mulheres russas e ucranianas em malhas prateadas e adereços de vidro na cabeça. A fatura discrimina € 526,2 mil em "artistas, performances com logística e equipe de management" e € 109,2 mil em taxas, pagos por transferência internacional, além de US$ 545,2 mil em produção, som, luz e hospedagem de equipe e US$ 44,6 mil em "pacote de comidas e bebidas e green room" das artistas.
Nova York, o jantar do ouro. No Nusr-Et, do chef Salt Bae, Vorcaro orientou o auxiliar: "pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir [à mesa]". O convidado era Cláudio Castro, que respondeu ao convite com um "você não existe". Um jantar anterior do governador no mesmo restaurante, em 2023, custou US$ 13,3 mil, cerca de R$ 66 mil.
Somados, os eventos de Nova York daquela semana de maio custaram R$ 11,9 milhões.
A PF também encontrou tratativas para custear a viagem a Londres do procurador-geral da República e de seu filho, e um convite ao diretor-geral da PF com a informação de que "todas as despesas [seriam] bancadas por nós". A PGR afirma que Gonet foi como palestrante e que o convite não mencionava detalhes de custeio. O diretor-geral da PF nega irregularidades.
O dinheiro público
Aqui os valores mudam de ordem de grandeza, porque não se trata mais de comprar pessoas, e sim de acessar caixas.
RioPrevidência, fundo de aposentadoria de 235 mil servidores do Rio. R$ 970 milhões em letras financeiras do Master em nove aplicações entre novembro de 2023 e julho de 2024, mais cerca de R$ 2,01 bilhões em fundos do grupo entre dezembro de 2024 e setembro de 2025. O MPF calcula o total em R$ 3,69 bilhões. A PF sustenta que a liberação dependia de "alinhamento político" com o então governador Cláudio Castro (PL) e montou uma cronologia em que cada aporte é precedido ou seguido de um encontro entre os dois: um jantar em Nova York pago por Vorcaro (R$ 66 mil), uma reunião na casa dele cinco dias depois do primeiro aporte, uma degustação de uísque e charutos em Nova York em maio de 2024 que custou US$ 1,02 milhão, com aporte de R$ 80 milhões no dia seguinte. As comissões, segundo a investigação, eram de 0,6% sobre o valor aplicado, até R$ 18 milhões, distribuídas pela Mídias Promotora, do lobista Ricardo Siqueira. Em conversa com um auditor do BC, Vorcaro confirmou que a aplicação do fundo não tinha garantia alguma caso o banco quebrasse: "Não há". Castro nega ter recebido propina e desafia Vorcaro a provar. Em delação rejeitada, o banqueiro afirmou que pagou propina em troca dos aportes do RioPrevidência e da Cedae. O MP-RJ cobra na Justiça a recomposição de um rombo de R$ 1 bilhão.
Cedae. R$ 200 milhões custodiados no Master, conforme mensagens trocadas em março de 2024.
Sete institutos de previdência estaduais e municipais. R$ 3,6 bilhões sob investigação.
BRB, banco público do Distrito Federal. Comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito do Master, das quais cerca de R$ 12,2 bilhões sem lastro, montadas por uma empresa de prateleira criada no fim de 2024. O ex-presidente Paulo Henrique Costa teria ajustado com Vorcaro uma propina de R$ 146,5 milhões em seis imóveis de alto padrão, dos quais R$ 74,6 milhões já foram rastreados como pagos; ele visitava os imóveis com a mulher e os indicava ao banqueiro. O advogado Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico da operação, teria recebido R$ 86 milhões para montar a estrutura de fundos e empresas de fachada que ocultava a titularidade. O prejuízo potencial ao banco é estimado em R$ 5 bilhões. Costa nega ter cometido crime; sua defesa afirma que a hipótese da propina em imóveis não é válida e que as decisões no BRB eram colegiadas.
A opinião pública
Depois da liquidação, a compra mudou de alvo. Passou a ser a narrativa.
Projeto DV. As iniciais do dono. Plano de comunicação de R$ 8 milhões montado pela agência MiThi, do publicitário Thiago Miranda, sócio do grupo Leo Dias. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 foram desembolsados R$ 3,5 milhões. A PF identificou de 40 a 50 perfis de influenciadores, jornalistas e sites contratados, e 46 perfis disparando conteúdo coordenado contra o Banco Central. As ofertas chegavam a R$ 2 milhões por perfil. Antes de saber do que se tratava, o contratado assinava um acordo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil.
BN Publicidade, do apresentador Luiz Bacci, 24,3 milhões de seguidores. R$ 500 mil por mês durante seis meses, por 30 publicações mensais. O grupo confirmou o contrato com a agência e disse não comentar contratos de clientes.
GPS Brasília. R$ 100 mil, com orientação de tom "liberal clássico" e títulos sugeridos. O editor confirmou o contrato e disse tê-lo rompido por incompatibilidade editorial.
Not Journal. R$ 30 mil por mês por 12 publicações. Reconheceu o acordo e negou direcionamento editorial.
Influenciadores procurados que recusaram e tornaram o caso público: um vereador gaúcho, um deputado estadual paulista e perfis de finanças. Outros citados na lista negaram publicamente ter recebido qualquer valor. Uma agência de marketing de influência afirmou ter declinado o projeto em outubro de 2024 por considerá-lo "eticamente incompatível".
Os dossiês. Quem não aderia virava alvo. A PF descreve o levantamento de dados financeiros, patrimoniais e familiares da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que cobria o caso, do gasto no cartão de crédito ao carro que usa. O mesmo método teria sido aplicado ao presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e à mulher dele: "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy", escreveu Vorcaro. "Deixa comigo", respondeu o publicitário. Quando uma reportagem saía do ar, ele comemorava: "Mais um arquivado!". A defesa de Miranda afirma que ele sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade e pelo respeito às instituições.
Em março de 2026, de dentro da Superintendência da PF, Vorcaro assinou um contrato para a produção de um documentário sobre o próprio caso, com entrevistas exclusivas e acesso a documentos.
A imprensa
Antes de contratar influenciadores, Vorcaro tentou comprar veículos. Essa frente é a mais nebulosa do caso, porque quase tudo nela é negado pelos envolvidos e quase nada tem valor confirmado por documento.
O que tem contrato. Em 19 de julho de 2024, o publicitário Thiago Miranda vendeu 17% do Portal Leo Dias por R$ 10 milhões. O comprador formal foi a Foone Empreendimentos, representada pelo empresário mineiro Flávio Jacques Carneiro. Miranda entregou o contrato à colunista Malu Gaspar, de O Globo, e depôs à PF afirmando que sempre soube estar negociando com Vorcaro e que Carneiro era apenas o preposto. O próprio Leo Dias vendeu parte das ações na mesma operação. Carneiro afirma que Vorcaro "nunca foi sócio, direto ou indireto, da Foone" e que os valores citados por Miranda "não correspondem à realidade do negócio".
O que tem mensalidade. Segundo Miranda, o portal recebia R$ 1,2 milhão por mês do Banco Master em contrato de mídia. Ele afirma que nenhum conteúdo favorável ao banco chegou a ser publicado e se lembra de uma única encomenda que nunca saiu, uma pauta sobre desavenças do dono do BTG Pactual, André Esteves, desafeto do banqueiro. O portal, que chegou a criar uma editoria de política inédita, não cobriu a operação que prendeu Vorcaro.
O que é só relato. Miranda conta que, na primeira reunião entre os dois, na cobertura do banqueiro no Itaim Bibi, Vorcaro disse que estava montando um conglomerado de mídia e que já tinha participação na revista IstoÉ e no Brazil Journal. Não há, no material público, contrato, comprovante ou registro societário que sustente essa participação. É a palavra de um interlocutor, e os citados negam. O grupo Entre, que controla a IstoÉ, afirma que "jamais houve transferência de titularidade, cessão de controle ou participação de terceiros" em sua estrutura societária ou editorial, e que a gestão editorial é independente. Carneiro diz que Vorcaro "nunca foi sócio ou investidor do Brazil Journal" e que nem o banco nem o acionista foram sócios, investidores ou anunciantes do PlatôBR.
Há, porém, um fato que não depende de versão: a IstoÉ pertence ao grupo Entre, que controla a Entre Investimentos, a mesma empresa do doleiro que remeteu os US$ 12,3 milhões de Vorcaro ao fundo no Texas que financiou Dark Horse. A coincidência societária está nos autos. O que ela significa, não.
A campanha
R$ 3 milhões para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 10 de outubro de 2022 e R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas em 13 de outubro, ambas doadas formalmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador individual da campanha paulista. Em proposta de delação rejeitada, Vorcaro afirma que as doações foram contrapartida de um ajuste com Gilberto Kassab para manter o Credcesta, o cartão consignado que era o principal ativo do banco, operando na folha dos servidores de São Paulo, e cita mais R$ 10 milhões em espécie fora do caixa oficial e 5% do resultado líquido da operação. Kassab classificou o relato como "absolutamente fantasioso" e disse jamais ter falado com Vorcaro. Tarcísio afirmou que o credenciamento da empresa ocorreu em maio de 2022, na gestão anterior, que sua campanha teve mais de 600 doadores e que as contas foram aprovadas. A PF e a PGR rejeitaram a delação por falta de fatos novos.
O filme
Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, merece capítulo próprio porque é o único item desta lista que tem duas fontes de dinheiro sob investigação ao mesmo tempo, uma privada e uma pública, e porque o valor que Vorcaro colocou nele é maior do que tudo o que ele pagou ao Congresso.
O que Vorcaro pagou. O contrato encontrado no celular do banqueiro, ainda com o nome provisório de Capitão do Povo, previa US$ 24 milhões em 14 parcelas: duas de US$ 2 milhões e doze de US$ 1,666 milhão. Foram efetivamente remetidos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 65 milhões, entre fevereiro e setembro de 2025. O caminho do dinheiro é o que a PF considera atípico: saía da Entre Investimentos, do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", que depois fechou delação premiada homologada, e ia para o Havengate Development Fund, no Texas, administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo Bolsonaro. O Havengate tinha sido criado em 2020 para um empreendimento imobiliário de US$ 21,1 milhões em Melissa, no Texas, vinculado ao programa de vistos EB-5. O empreendimento nunca saiu do papel e o fundo ficou quatro anos inerte, até receber os primeiros US$ 2 milhões do filme em 13 de fevereiro de 2025. A PF quer esclarecer "a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais" e apura se parte do dinheiro custeou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele nega.
Quem cobrava. O senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência. Em áudio de 8 de setembro de 2025, cobrou parcelas atrasadas e disse estar preocupado com a inadimplência perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em 22 de outubro, um mês antes da prisão do banqueiro, avisou que as gravações estavam no terceiro dia, que a produção estava "no limite", pediu que Vorcaro o avisasse caso não pudesse fazer o aporte e o convidou para jantar com os artistas. Em maio de 2026, o senador afirmou que o dinheiro foi "100% investido no filme" e que o último pagamento de Vorcaro tinha sido em maio de 2025. Um relatório do Coaf mostrou depois uma parcela de US$ 1,6 milhão paga em 16 de setembro de 2025, duas semanas depois de o Banco Central vetar a venda do Master ao BRB.
O orçamento. A planilha anexada ao inquérito reserva US$ 4 milhões ao cachê de Caviezel para interpretar Bolsonaro, cerca de R$ 20,5 milhões. A distribuição do resto chamou atenção dos investigadores e de profissionais do setor: 34,7% para pós-produção, 27,8% para pré-produção, 16,7% para o cachê do protagonista, 13,9% para as filmagens e 6,9% para desenvolvimento. Gastar em pós-produção o dobro do que se gasta filmando não é usual em um filme sem efeitos visuais pesados. O plano de negócios projetava bilheteria de US$ 45 milhões no cenário pessimista e US$ 100 milhões no otimista. Um laudo pericial apresentado pela produtora calcula o custo real em R$ 75,2 milhões, dos quais US$ 3,7 milhões gastos no Brasil e US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos.
A segunda fonte. Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público investigam se dinheiro público da Prefeitura de São Paulo financiou a mesma produção. A empresária Karina Ferreira da Gama é, ao mesmo tempo, sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme, e presidente do Instituto Conhecer Brasil, a ONG contratada em 2024 pela gestão Ricardo Nunes para instalar cinco mil pontos de internet gratuita em periferias da capital. O contrato começou em R$ 108 milhões e chegou a R$ 157 milhões com aditivos; a prefeitura informa ter pago R$ 114 milhões. A polícia aponta que a ONG não tinha experiência em telecomunicações, que foi a única a participar do chamamento público, que cobrou R$ 1.800 por ponto quando a estatal municipal Prodam cobra R$ 230 pela instalação e R$ 306 pela manutenção mensal, e que instalou 3.200 dos 5.000 pontos contratados. O balanço juntado aos autos indica que o município deveria ter pago cerca de R$ 43 milhões pelo serviço efetivamente prestado e transferiu R$ 69 milhões, uma diferença de R$ 26 milhões. Outra frente apura R$ 6,2 milhões que teriam chegado à Go Up por meio da Academia Nacional de Cultura, outra entidade da mesma empresária. O deputado Mário Frias (PL-SP), articulador da produção, destinou R$ 2 milhões em emendas ao instituto e pagou cerca de R$ 154 mil de cota parlamentar a uma empresa subcontratada pela ONG; a PF afirma que ele remeteu à produtora valores incompatíveis com a renda declarada e o descreve como agente central de um circuito financeiro fechado. Uma linha do inquérito apura possíveis vínculos de empresas do esquema com o PCC.
Onde está. Flávio Dino unificou sob sua relatoria os inquéritos da Polícia Civil e da PF, retirou o sigilo de cerca de cinco mil páginas e mandou o material para a Polícia Federal. A defesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes transferir a relatoria para André Mendonça, sem sucesso. A perícia de São Paulo devolveu 27 dispositivos apreendidos, entre eles nove notebooks, cinco celulares e treze pen drives, porque os lacres permitiam acesso aos dados sem rompimento. O sócio americano da Go Up, Michael Brian Davis, recusou-se a entregar a contabilidade à PF sem ordem da Justiça dos Estados Unidos.
A prefeitura nega irregularidade e diz que o serviço foi prestado e fiscalizado. Karina da Gama afirma que as notificações fazem parte do fluxo ordinário de prestação de contas e que colabora. Mário Frias nega irregularidade e chama a operação de cortina de fumaça. Flávio Bolsonaro nega que tenha havido uso de recurso público no filme e sustenta que o financiamento foi privado e regular.
Os R$ 65 milhões de Vorcaro entram na conta deste texto. Os R$ 26 milhões do wi-fi não, porque não são dinheiro do Banco Master. São dinheiro de quem mora na periferia de São Paulo.
Os prestadores de serviço
Um mercado desse tamanho não funciona no varejo. O que os autos descrevem é uma cadeia de intermediários profissionais, cada um com sua especialidade:
Fabiano Zettel, cunhado e ex-pastor, operador financeiro: executava os pagamentos, mantinha a lista de pendências, fazia as doações eleitorais em nome próprio. Relatórios do Coaf apontam que ele transferiu R$ 19,205 milhões em 26 operações à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O pai de Vorcaro somou R$ 120 mil, a ex-mulher do banqueiro R$ 101,6 mil e o próprio "Sicário" R$ 22 mil. A conta movimentou R$ 57,1 milhões no período, contra um faturamento anual presumido de R$ 950 mil, e R$ 4,9 milhões saíram dela para construtoras e incorporadoras. A igreja afirma que suas unidades têm autonomia financeira e que Zettel foi afastado.
Felipe Vorcaro, primo, encarregado dos repasses ao senador. Preso temporariamente em maio de 2026.
Leonardo Palhares, advogado, dono da consultoria que contratou o servidor do BC e organizador de viagens.
Ricardo Siqueira, lobista, responsável pela captação junto aos fundos de previdência e pela distribuição das comissões de 0,6%.
Daniel Monteiro, advogado, R$ 86 milhões pela engenharia jurídica que ocultava a titularidade dos imóveis.
Thiago Miranda, publicitário, responsável pela frente de influenciadores e pelos dossiês.
Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, descrito nos autos como operador político: passou o telefone do ministro do STF ao banqueiro, marcou os jantares, acompanhou a negociação do contrato do escritório e avisou quando o pagamento atrasou. Faria afirma que apenas sugeriu o escritório para um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu com a banca e que sequer soube dos valores. O relatório da PF não conclui que ele tenha cometido crime.
Havia ainda, ao redor, uma empresa registrada nos Estados Unidos, a Signature Luxury Services, por onde passaram US$ 55,3 milhões em despesas de luxo entre novembro de 2024 e dezembro de 2025, operadas por uma corretora nas Bahamas.
O que não entra na conta
Há uma segunda camada de gastos, muito maior, que não é compra de influência e por isso fica fora do total. Vale registrar porque dá a medida do que o banco tinha em caixa para distribuir.
O concierge. Entre novembro de 2024 e dezembro de 2025, Vorcaro movimentou US$ 55,3 milhões em uma única empresa, a Signature Luxury Services, operadora de turismo de luxo sediada em Boca Raton, na Flórida, com os pagamentos vindo de uma corretora nas Bahamas. A própria empresa entregou ao STF três faturas que somam US$ 7,75 milhões, e elas descrevem o que esse dinheiro comprava:
Uso exclusivo de uma mansão de 21 suítes no The Fifth Avenue Hotel, em Nova York, por quatro dias em maio de 2024: US$ 1,2 milhão, sendo US$ 100 mil de diária, mais US$ 100 mil por dia de salão de festas e um consumo mínimo contratado de US$ 120 mil em comida e bebida.
Uma acomodação no hotel Aman para o casal Vorcaro: US$ 199,7 mil. Três suítes no Park Hyatt para convidados, uma delas de US$ 69,9 mil.
Dois fretamentos aéreos de Guarulhos a Teterboro, em Nova Jersey, de US$ 176 mil cada.
O aluguel do Chalet Grand Chariot, em Courchevel 1850, por dezesseis noites em janeiro de 2025: US$ 1,29 milhão, o equivalente a € 70 mil por noite. Motoristas, restaurantes e gorjetas, US$ 616,5 mil. Equipamento de esqui, US$ 34,7 mil, com instrutor a € 670 por dia.
Uma subcontratada britânica faturou € 84 mil por serviços dentro do chalé: 82 horas de massagem a € 250 a hora, prestadas por uma profissional identificada apenas como Nora; 14 horas de aplicação de soro intravenoso a € 450 a hora; nove doses de vitamina B12; e quatro concierges presenciais por até dezesseis dias cada.
Em Zurique, um Rolls-Royce com motorista à disposição integral por dois dias: € 5,6 mil.
Em São Bartolomeu, no Caribe, a Villa Ohana por uma semana: US$ 318,7 mil. E o fretamento do megaiate Alfa Nero, de 82 metros, por um único dia de passeio: US$ 186,2 mil.
O acervo. Em julho de 2026, Mendonça autorizou o bloqueio de mais de R$ 1,9 bilhão em bens do grupo no exterior. A lista inclui um Picasso avaliado em R$ 40 milhões, duas telas de Basquiat de R$ 25 milhões e R$ 27,5 milhões, obras de Warhol e Yayoi Kusama sem valor estimado, um duplex na Flórida, uma casa de veraneio com residência de hóspedes no mesmo estado, uma fazenda no Colorado, um iate, outras embarcações, uma Mercedes, um Ford Bronco e R$ 280 milhões vindos da venda de uma aeronave. À parte, foram sequestrados R$ 21,4 bilhões em ativos das instituições liquidadas. Em Belo Horizonte, a PF localizou uma mansão de 2.697 metros quadrados com spa, academia e quadras, comprada por R$ 30 milhões em contrato de gaveta, sem escritura e com cláusula de sigilo, e a casa vizinha, adquirida por R$ 20 milhões pela Viking, a mesma empresa do contrato com o escritório de Viviane Barci.
O esporte. O Master colocou R$ 300 milhões, via fundo Galo Forte, para comprar 20% da SAF do Atlético-MG. Pagou US$ 5 milhões, cerca de R$ 26 milhões, à Aston Martin para estampar a marca na asa traseira do carro de Fórmula 1 e bancar o programa do piloto Felipe Drugovich, que nunca largou em um Grande Prêmio. Comprou, pelo braço digital Will Bank, os naming rights da Série D do Brasileiro, a primeira vez que a CBF vendeu o nome daquela competição.
Nada disso é ilegal por si. Patrocínio é patrocínio. Está aqui porque explica de onde saía a folga que bancava o resto.
O que o preço diz
Postos lado a lado, os valores contam uma história que nenhuma denúncia isolada conta.
Pelos números que aparecem nos autos: a cobrança por uma noite foi de R$ 10 mil. Um agente da Polícia Federal com acesso ao sistema de inquéritos, R$ 400 mil por mês. O chefe do departamento que supervisionava o banco, R$ 500 mil por mês. O presidente do PP no Senado, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês. O escritório da mulher de um ministro do Supremo, R$ 3 milhões por mês, e foi o único pagamento que Vorcaro classificou como impossível de atrasar.
A escala é informativa. Ela indica onde estava o risco e onde estava a decisão. Um banco que vivia de emitir CDBs garantidos pelo FGC, e cujo modelo, nas palavras do próprio dono em depoimento, era "100% baseado no FGC", precisava de três coisas: que o regulador não olhasse muito de perto, que o Congresso ampliasse a garantia e que houvesse dinheiro público institucional comprando seus papéis. Os preços seguem essa lógica com precisão quase administrativa.
E a compra mais barata de todas foi a última: R$ 3,5 milhões efetivamente gastos para tentar reverter, nas redes, a liquidação de um banco com um rombo de bilhões.
O que ainda não está provado
Convém dizer com todas as letras o que o material não estabelece.
Não há, até aqui, condenação criminal de nenhuma das autoridades citadas. Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026 e responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa; suas três propostas de delação foram rejeitadas justamente porque PF e PGR entenderam que ele não entregava fatos além do que já estava no celular apreendido. Nenhum ministro do STF é réu. A PF não conseguiu aprofundar a apuração sobre Toffoli porque ministros do Supremo só podem ser investigados com autorização do próprio tribunal, e o relatório foi arquivado. Parte relevante das conversas com Moraes é ilegível porque as respostas vieram por visualização única. O contrato de R$ 50 milhões com o escritório de Viviane Barci pode nunca ter sido executado. A lista da churrasqueira pode ser qualquer coisa.
Também é verdade que uma parte do que foi revelado só é escandalosa fora do contexto em que aconteceu. Patrocinar fórum jurídico com ministro no painel e passagem paga não é crime no Brasil, é praxe consolidada, e foi defendida publicamente por mais de um magistrado. É precisamente esse o ponto incômodo: o Master não inventou o mercado. Ele se limitou a comprar no varejo o que já estava exposto na vitrine.
Quem paga a conta
O RioPrevidência tem 235 mil beneficiários e um rombo estimado em R$ 1 bilhão que o Ministério Público do Rio quer cobrar dos dirigentes. O BRB, banco público do Distrito Federal, projeta prejuízo de até R$ 5 bilhões. Os detentores de CDBs do Master foram cobertos pelo FGC, um fundo bancado pelo conjunto do sistema financeiro, o que significa que a conta foi rateada entre os clientes de todos os outros bancos. Os servidores paulistas pagaram juros de um consignado cuja permanência, segundo o próprio banqueiro, foi negociada.
O título desta reportagem é uma pergunta, e a conta que a responde é esta:
Daniel Monteiro, advogado da estrutura: R$ 86.000.000. Decisão de André Mendonça na 4ª fase da Compliance Zero, relatada pela Folha
Escritório Barci de Moraes, pago em 22 meses: R$ 80.223.654,94. Contratos anexados ao relatório da PF, com as íntegras publicadas pelo Poder360
Paulo Henrique Costa, imóveis rastreados no caso BRB: R$ 74.600.000. Mesma decisão, detalhada pelo Valor e pela Gazeta do Povo
Filme Dark Horse, US$ 12,3 milhões: R$ 65.000.000. Relatório da PF e delação do dono da Entre Investimentos, no Poder360; orçamento e cachê do protagonista na BBC Brasil
Eventos com autoridades em 2024, US$ 11,5 milhões: R$ 60.000.000. Documentos da PF apurados pela Folha; prestação de contas de Londres entregue à CPMI do INSS, no Poder360; planilha de Nova York na coluna de Malu Gaspar, em O Globo
FIP Arleen, sócio do resort Tayayá: R$ 35.000.000. Relatório de 196 páginas da PF revelado pela piauí e confirmado pelo Estadão
Portal Metrópoles: R$ 27.200.000. Relatório do Coaf revelado pelo Estadão e detalhado pela Revista Oeste
Igreja Batista da Lagoinha: R$ 19.448.600. Relatórios de inteligência financeira do Coaf liberados pelo STF, detalhados pelo g1 Minas
Henrique Meirelles: R$ 18.500.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
Ciro Nogueira, mesadas, deságio societário e viagens: R$ 18.468.700. Decisão da 5ª fase e relatórios da PF, na Folha; teor da emenda no g1
Comissões de 0,6% sobre aportes de previdência: R$ 18.000.000. Decisão que autorizou as buscas contra o ex-governador do Rio, na VEJA; cronologia dos aportes no g1 Rio
Jaques Wagner: repasses à BN Financeira, apartamento, pessoa física e ingressos: R$ 14.802.339. Representação da PF ao STF, cuja íntegra está publicada, e detalhamento no g1
Guido Mantega, pela Pollaris Consultoria: R$ 14.000.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
Servidores do Banco Central: R$ 12.000.000. Relatório final da sindicância patrimonial do próprio BC, no Estadão e na CNN
Michel Temer, escritório de advocacia: R$ 10.000.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
17% do Portal Leo Dias: R$ 10.000.000. Contrato de compra e venda entregue pelo vendedor à coluna de Malu Gaspar, em O Globo
Consult Inteligência Tributária: R$ 6.600.000. Relatório do Coaf e mensagens do celular do banqueiro, no Estadão e na Gazeta do Povo
Antônio Rueda, dois escritórios: R$ 6.400.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
Ronaldo Bento: R$ 6.200.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
Lewandowski Advocacia: R$ 6.100.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
ACM Neto, pela A&M Consultoria: R$ 5.450.000. Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, obtidos pela Folha e por O Globo
Doações às campanhas de 2022: R$ 5.000.000. Registros do TSE e anexo da proposta de delação, revelado pela coluna de Fábio Serapião, no UOL
Fábio Wajngarten, pela WF Comunicação: R$ 3.800.000. Notas da Receita apuradas pela Folha
Rede de influenciadores do Projeto DV: R$ 3.500.000. Decisão da 10ª fase da Compliance Zero, no g1, com os contratos por veículo na Folha
Engels Muniz, advogado: R$ 3.000.000. Notas fiscais levantadas pelo Painel da Folha
Milícia privada "A Turma", um mês comprovado: R$ 1.000.000. Decisão de Mendonça na 3ª fase, no Estadão e no g1
Hugo Motta, hospedagem em Lisboa: R$ 91.300. Relatório da PF sobre as viagens, na Folha e no Estadão
Cobrança por um encontro: R$ 10.000. Mensagens extraídas do celular do banqueiro, publicadas pela Jovem Pan e pelo Estadão
Total: R$ 610.394.593,94.
A precisão dos centavos é falsa e convém admitir. Poucas dessas linhas vieram de extrato bancário; a maioria são valores arredondados de contratos, conversões de dólar e limites máximos apurados pela investigação. Ficam de fora os R$ 543 milhões que o banco declarou ter pago a 91 escritórios de advocacia entre 2022 e 2025, porque a maior parte disso é trabalho jurídico de volume e somar tudo seria desonesto. Ficam de fora também os US$ 55,3 milhões do concierge de luxo, os R$ 300 milhões do futebol, os R$ 26 milhões da Fórmula 1, o segundo contrato de R$ 50 milhões que o escritório de Viviane Barci nega ter assinado, os R$ 10 milhões de caixa dois que aparecem só na delação rejeitada e tudo o que saiu em espécie. O que o número tem de sólido é a ordem de grandeza, e ela é esta: comprar o acesso custou pouco mais de meio bilhão de reais, o equivalente a 4% do que o BRB pagou por carteiras de crédito que não existiam.
Foi um bom investimento até 17 de novembro de 2025.
Fontes
Todo o material desta reportagem é público. A base documental são os inquéritos da Operação Compliance Zero, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça entre 10 e 11 de setembro de 2026 e, depois, por Edson Fachin, somados aos relatórios de inteligência financeira do Coaf liberados em 14 de setembro, ao relatório final da sindicância patrimonial do Banco Central assinado em 5 de março de 2026, às decisões do STF que autorizaram cada fase da operação e às propostas de delação premiada rejeitadas pela PF e pela PGR.
Alguns documentos primários estão disponíveis na íntegra:
Representação da PF sobre o senador Jaques Wagner, de 9 de junho de 2026
Contratos entre o escritório Barci de Moraes, o Banco Master e a Viking Participações, com o termo de dação em pagamento das aeronaves
Acordo de financiamento do filme, sob o nome provisório "Capitão do Povo"
O trabalho de apuração que tornou esses documentos legíveis é de outras redações, e convém dizer quais. As faturas do concierge de luxo e o valor de US$ 55,3 milhões saíram no Valor Econômico, com o detalhamento item a item em reportagem que abriu as três notas. A farra do uísque em Nova York e a "noite das astronautas" são apuração de Malu Gaspar, em O Globo. A suspeita sobre o fundo nas Ilhas Virgens Britânicas é da piauí. A negociação dos US$ 24 milhões do filme foi revelada pelo Intercept Brasil, em maio de 2026. Quem participou da degustação de Macallan em Londres foi levantado pelo Poder360 e pela Gazeta do Povo. O sobrepreço do contrato de wi-fi de São Paulo foi destrinchado pelo g1 e pelo Valor.
Esta reportagem é uma meta análise sobre o Caso Banco Master. Eu (Vinicius) vasculhei a nossa base de dados do Daily Journal para obter às informações. Caso algum valor ou atribuição de fonte esteja incorreta, favor deixar um comentário abaixo com a errata.
Acredito que novos valores serão revelados ao decorrer das investigações. Pretendo manter esta reportagem atualizada.
Caso tiver interesse, a planilha item por item do que foi pago está aqui, sugestões são bem-vindas https://docs.google.com/spreadsheets/d/1cG9VMDWjhnh7Di511wwH1ej3cizPqWyML61GSR1yZXg/edit?usp=sharing
