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What Robert Caro learned about power after studying it for 50 years

Dwarkesh Patel30 de outubro de 20261h01minVer no YouTube|

O biógrafo Robert Caro discute sua pesquisa de mais de cinco décadas sobre a natureza do poder político nos Estados Unidos, analisando as trajetórias de Robert Moses — o planejador urbano que remodelou Nova York — e do presidente Lyndon B. Johnson, além de detalhar seus métodos de apuração, escrita e documentação histórica.

Método de apuração e obtenção de relatos

Caro aponta que o sucesso na biografia exige a mesma recusa a aceitar negativas demonstrada por seus biografados. Para reconstruir rotinas e bastidores não documentados oficialmente, localizou e insistiu em entrevistas com figuras periféricas essenciais, como o motorista e primeiro secretário de Lyndon Johnson durante suas campanhas pelo Texas.

Para conseguir revelações de fontes relutantes, Caro confronta o entrevistado com evidências documentais já obtidas. Como exemplo, cita conversas com John Connally sobre a distribuição de recursos financeiros por Johnson a candidatos ao Congresso: munido de anotações originais em pedidos de financiamento, Caro questionou Connally sobre o critério de Johnson ao despachar pedidos de US$ 1.500 com valores menores (US$ 500), aprovações integrais ou a recusa taxativa com a inscrição "No, never" (Não, nunca). Isso permitiu extrair as motivações e retaliações políticas por trás de cada decisão.

Robert Moses e a capacidade de construção do Estado

Diante do debate contemporâneo sobre a paralisia em obras públicas nos Estados Unidos — como a expansão da linha de metrô da Segunda Avenida em Nova York (cerca de 2,4 km entregues ao custo de mais de US$ 4 bilhões após 50 anos de obras) ou os US$ 15 bilhões gastos na Califórnia sem a entrega de linhas de trem de alta velocidade —, Caro rejeita a tese de que Moses só construiu porque não existiam entraves regulatórios.

Na década de 1920, proprietários de terras e estruturas burocráticas também bloqueavam a expansão viária. Moses superou essas travas por meio de vontade política e manobras institucionais:

  • Jones Beach e rodovias de Long Island: concebeu um parque acessível à população urbana a 43 km de Nova York e viabilizou rodovias cruzando dezenas de propriedades privadas antes de deter amplos poderes de desapropriação.
  • Gênio político vs. regras democráticas: a cada período de estagnação, figuras com talento político singular encontram caminhos institucionais para erguer grandes obras públicas, ainda que isso envolva atrito severo com a opinião pública e proprietários locais.

A transformação de Moses: do idealismo à tirania burocrática

Caro contesta a visão de que The Power Broker retrata Moses apenas de forma negativa. O início de sua carreira foi pautado pelo idealismo técnico:

  • Reforma do funcionalismo público: dedicou anos ao desenvolvimento de critérios de mérito técnico para promoções no serviço civil, visando eliminar o apadrinhamento político.
  • Endurecimento do poder: após sucessivas derrotas em projetos iniciais, Moses concluiu que só realizaria seus planos explorando fraquezas alheias e destruindo opositores. Um exemplo foi o ataque pessoal a Henry Epstein, político do Bronx que propôs desviar a Cross Bronx Expressway em apenas duas quadras ao sul para evitar o despejo de dezenas de milhares de moradores e limitar as remoções a poucas centenas. Moses neutralizou Epstein expondo publicamente que ele mantinha uma amante.
  • Impacto social: a Cross Bronx Expressway resultou na expulsão de dezenas de milhares de pessoas sem assistência de reassentamento e tornou-se um corredor permanente de congestionamento.

A perda de poder e a armadura institucional

Durante a redação do livro (iniciada em 1966/1967), Caro presenciou o declínio prático de Moses. Em entrevistas concedidas na sede da Triborough Bridge and Tunnel Authority, em Randall's Island, Caro notou a transição: de um gabinete apinhado de pedidos de favores políticos para o isolamento absoluto, onde os telefones deixaram de tocar.

Sobre a razão pela qual governadores e prefeitos anteriores não demitiram Moses antes de Nelson Rockefeller aceitar sua ameaça de demissão em 1962:

  • Popularidade e cargos cruzados: Moses acumulou presidências simultâneas na State Power Authority, na Triborough Bridge and Tunnel Authority, na comissão de parques estaduais e de Long Island, com mandatos descompassados e blindagens legais que impediam a demissão em bloco sem imenso custo político e midiático.
  • Questão não feita: após sete entrevistas, Moses rompeu o diálogo quando Caro o confrontou sobre uma doação feita à comissão por um milionário cujo campo de golfe foi poupado pelo traçado de uma rodovia. Se tivesse uma oitava entrevista, Caro afirma que sua única pergunta seria: "Você percebeu que estava mudando?", acreditando que Moses permaneceu cego à própria degradação moral.

Mão de obra e arquitetura na Grande Depressão

A velocidade e o refinamento arquitetônico das obras de Nova York na primeira metade do século XX decorreram das condições de trabalho da Grande Depressão:

  • Moses contratava arquitetos e operários qualificados a preços irrisórios — com filas de milhares de arquitetos desempregados ao longo da Quinta Avenida.
  • A abundância de artesãos e escultores sem emprego permitia ornamentações detalhadas em pedra no topo de edifícios de 15 a 16 andares, algo inviabilizado financeiramente no pós-guerra pelo encarecimento da mão de obra.

Lyndon B. Johnson: alavancagem, persuasão e contraste com Kennedy

Em Master of the Senate, Caro analisa como Johnson exercia controle absoluto sobre os senadores:

  • Persuasão sustentada por poder real: a força física e a insistência pessoal de Johnson só funcionavam porque os interlocutores sabiam que ele controlava a distribuição de assentos em comissões temáticas e o avanço ou sepultamento de projetos de lei.
  • Eleição de 1948 (Means of Ascent): Caro reconhece que o ex-governador Coke Stevenson realizou administrações competentes e mantinha princípios elevados, mas foi derrotado por não conceber até onde Johnson estava disposto a ir para fraudar e vencer o pleito ao Senado.
  • Contraste com John F. Kennedy: Caro sustenta que a legislação de direitos civis e combate à pobreza dos anos 1960 (Great Society) não teria sido aprovada sob Kennedy mesmo que Johnson permanecesse como líder da maioria. Kennedy tinha habilidade em política externa e charme, mas não possuía a obsessão de Johnson por transformar as condições de vida das classes desfavorecidas — convicção que Johnson desenvolveu em 1928 ao lecionar para crianças pobres de origem mexicana em Cotulla, Texas.
  • A tragédia do Vietnã: a escalada militar no Sudeste Asiático consumiu a atenção política e os recursos que Johnson pretendia direcionar integralmente às reformas domésticas, destruindo sua presidência.

Energia e processo de escrita

  • Reserva de trabalho: tanto Moses quanto Johnson trabalhavam cerca de 16 horas por dia movidos por pura determinação psicológica. Johnson realizava ligações para senadores às 2h, 3h e 5h da manhã.
  • A regra de uma frase: para manter a coerência de volumes que levam de cinco a dez anos para serem escritos, Caro passa semanas antes da redação definindo o tema central do livro até conseguir reduzi-lo a uma única frase ou parágrafo-guia.
  • Pesquisa digital e arquivos: o acesso a acervos digitalizados facilita localizar depoimentos orais e documentos (como no caso da Batalha do Vale de Ia Drang para o quinto volume da biografia de Johnson), mas não reduz o tempo de trabalho substantivo, pois ler, confrontar e interpretar as fontes continua exigindo o mesmo esforço manual.
  • Cortes editoriais: o manuscrito original de The Power Broker continha 1.050.000 palavras. Para viabilizar a publicação em volume único de aproximadamente 700 páginas, Caro e seu editor, Robert Gottlieb, cortaram cerca de 350.000 palavras.

Arquivos, Sam Rayburn e o peso da solidão

  • Acervo na New-York Historical Society: Caro vendeu seu arquivo pessoal (com notas datilografadas de cerca de 700 entrevistas feitas para The Power Broker e centenas de depoimentos sobre o Senado) à New-York Historical Society por um valor consideravelmente menor do que o oferecido pela Universidade do Texas, garantindo acesso público e geográfico facilitado a futuros pesquisadores.
  • Sam Rayburn: apontou que materiais inéditos em seus arquivos permitiriam uma biografia completa sobre o ex-presidente da Câmara dos Deputados, figura crucial na aprovação do New Deal de Roosevelt cuja relevância histórica permanece subestimada.
  • A solidão como método: Caro relaciona o isolamento das famílias que colonizaram a região do Texas Hill Country — onde a mãe de Johnson vivia em fazendas isoladas por quilômetros de colinas desabitadas — com sua própria rotina de trabalho em Nova York, onde passa os dias com o telefone desligado em isolamento completo para manter a concentração na escrita.