Wall Street Soars, Midterms Shake Up AI Race, Prediction Markets Win | Diet TBPN
Os apresentadores John Coogan e Jordi Hays analisam os desdobramentos de mercado após as eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, o impacto regulatório sobre a infraestrutura de inteligência artificial, o alerta de risco emitido pelo fundo Elliott Investment Management e os resultados corporativos recentes da Ferrari.
Reação do Mercado e Desempenho dos Mercados de Previsão
Após a divulgação dos resultados eleitorais que deram a vitória aos democratas no Congresso e a aceitação formal do resultado pelas lideranças políticas, os índices acionários registraram fortes altas:
- Dow Jones: alta de 3,00%.
- Nasdaq: alta de 1,88%.
- Russell 2000: alta generalizada no setor de pequenas e médias empresas.
Ron Albahary, diretor de investimentos (CIO) da gestora patrimonial LNW, apontou que o alívio dos investidores de renda variável derivou da transição institucional sem contestações judiciais ou interrupções de infraestrutura.
Eficácia dos Mercados de Previsão
Coogan e Hays destacam o desempenho de plataformas preditivas em relação às pesquisas tradicionais:
- Kalshi: atingiu 95% de precisão no momento da abertura das urnas e mantinha 81% de acerto três meses antes do pleito (contra uma média de 77% do agregador VoteHub no mesmo período).
- A virada na eleição para o governo do Texas foi uma das poucas surpresas onde as probabilidades só se ajustaram nas últimas horas antes da apuração.
Em suas notas sobre o cenário político pós-eleição, Tyler Cowen pontuou a valorização de democratas socialmente moderados e métodos empíricos tradicionais de previsão (como os de Nate Silver), além da rejeição de propostas de impostos sobre grandes fortunas (wealth tax).
Rejeição da Proposta 40 e a Crise dos Data Centers
Na Califórnia, os eleitores rejeitaram expressivamente a Proposta 40 (Prop 40), medida que pretendia tributar ganhos de capital não realizados de bilionários e fundadores de tecnologia. Segundo Hays, a aprovação teria desestruturado o modelo de atração de capital de risco e criação de startups no estado.
Em nível nacional, o avanço da infraestrutura física para IA sofreu forte resistência regulatória local:
- O placar das votações regionais sobre moratórias de construção de data centers foi de 43 a 1 contra novos projetos.
- A única exceção de aprovação foi a cidade de Harwood, em Dakota do Norte.
- No Texas, a nova governadora Gina Hinojosa estabeleceu diretrizes rígidas para aprovação de futuros centros de dados: proibição de subsídios públicos, garantia de postos de trabalho sindicalizados locais e exigência de que o consumo hídrico e energético não encareça as tarifas para a população.
Reconfiguração do Setor de IA: Neoclouds, Hyperscalers e Nvidia
Apoiando-se na análise de Ben Thompson (Stratechery), os apresentadores discutiram como a restrição à infraestrutura altera a cadeia de valor da IA:
- Neoclouds sob pressão de crédito: Empresas menores focadas no aluguel de capacidade computacional sofrem com o aperto do mercado de dívida. As operadoras que travaram contratos de longo prazo a preços fixos ficaram vulneráveis por não capturar a alta do mercado spot de horas de GPU nem conseguirem licenças para construir novas unidades.
- Vantagem dos Hyperscalers: Gigantes como a Amazon (AWS) se beneficiam, pois o freio forçado em investimentos de capital (capex) agrada investidores que demandam retorno de caixa via dividendos ou recompras, além de consolidar a fatia de mercado das grandes nuvens já instaladas.
- Nvidia e a tese de "ISO Power": Embora a redução no volume de novas instalações represente um vento contrário no curto prazo, o cenário favorece chips com maior eficiência de processamento por watt (tokens per watt). Quando a carga energética de um prédio é fixa e limitada, os operadores são forçados a substituir hardwares legados pelas GPUs mais avançadas para maximizar o rendimento dentro do mesmo envelope de energia.
- Alternativas geográficas e conceituais: Executivos canadenses como Harley Finkelstein (Shopify) e Matt Spoke defenderam o Canadá como o destino natural dos investimentos devido à matriz hidrelétrica limpa e clima frio para refrigeração. Menções foram feitas também a projetos de data centers marítimos movidos a energia maremotriz (Panthalassa) e o conceito de processamento orbital levantado por Elon Musk.
FOGO: O Alerta do Hedge Fund Elliott Management
O fundo ativista Elliott Investment Management, que gere US$ 80 bilhões sob o comando de Paul Singer e Jonathan Pollock, alertou seus clientes em carta trimestral para o risco de FOGO (Fear of Getting Obliterated — o medo de ser aniquilado no mercado), em contraposição ao tradicional FOMO (Fear of Missing Out):
- Desempenho da Elliott: O fundo teve retornos estáveis (0%) no terceiro trimestre e acumula ganho inferior a 2% no ano até setembro, ficando atrás de títulos curtos do Tesouro americano (Treasuries a ~3%) e do retorno total do S&P 500 (~13%).
- Sinais de Alerta: Singer compara o momento atual aos anos 1920 anteriores à Grande Depressão, citando distorções por dívida excessiva, opções com vencimento no mesmo dia (0DTE), especulação com meme stocks, déficits orçamentários dos EUA e inflação persistente combinada ao hype desmedido em torno da IA.
- Estratégia: A firma mantém postura defensiva com hedges em crédito e commodities, preparando liquidez para comprar ativos de vendedores forçados quando houver desalavancagem no mercado.
Ferrari e o Mercado de Luxo
A Ferrari divulgou revisão para cima em suas projeções para o ano fiscal, sustentada pela demanda recorde por customização de veículos:
- Fila de espera: Livro de pedidos estendido até 2028 (incluindo o supercarro F80 e a família 296 Speciale).
- Receita estimada: Elevada para cerca de € 8,56 bilhões (contra estimativa anterior de € 7,6 bilhões).
- Lucro ajustado (EBITDA): Projetado em € 2,29 bilhões, com margens operacionais na casa de 30%.
- Entregas no trimestre: 3.368 veículos entregues (33 unidades a menos que no mesmo período do ano anterior, compensadas pelo aumento expressivo do ticket médio e opções de personalização).
Reclassificação de Risco no Mercado de Arte da UE
A Comissão Europeia planeja rebaixar o nível de ameaça de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo no mercado de arte e antiguidades de alto para moderado em sua avaliação de risco supranacional. A diretoria de mercados financeiros do bloco justificou a decisão pela falta de evidências que liguem diretamente roubos notórios a museus europeus a redes estruturadas de financiamento ilícito, apesar de reconhecer a opacidade intrínseca do setor.
