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Hip Hop’s Origin Story, Told by the Legends Who Lived It

a16z31 de outubro de 202624minVer no YouTube|

Painel comemorativo promovido pela fundação Paid in Full reúne os pioneiros e ícones do hip hop Kurtis Blow (Kurtis Walker), Rev Run (Joseph "Joey" Simmons, do Run-DMC) e Roxanne Shanté, com mediação do rapper Nas, para discutir a fundação cultural do movimento em Nova York nos anos 1970, os bastidores dos primeiros contratos e turnês de grande porte, e a linhagem de mentoria que moldou a era de ouro do gênero.

O Contexto Social e as Raízes em Nova York nos Anos 1970

Kurtis Blow relata que o hip hop não nasceu com esse nome; as atividades eram chamadas de rocking, breaking, burning ou simplesmente festas. A cultura emergiu diretamente do trauma social do pós-movimento dos direitos civis nos anos 1960 (marcado pelos assassinatos de Martin Luther King Jr., Malcolm X, John F. Kennedy e Robert F. Kennedy) e do colapso econômico de Nova York na década de 1970.

  • Crise urbana e degradação: No Bronx da década de 1970 (The Bronx is Burning), proprietários colocavam fogo em seus próprios prédios para receber o dinheiro do seguro, espalhando prédios abandonados em quase todos os quarteirões. Jovens ocupavam esses espaços vazios, onde surgiram as primeiras manifestações de graffiti com marcadores.
  • Crise fiscal: A prefeitura de Nova York faliu e o governo federal recusou auxílio financeiro para limpar e reconstruir a cidade. Kurtis Blow enfatiza que a cultura foi erguida "a partir do nada", servindo primariamente como escapismo: jovens iam a clubes e encostavam a cabeça nos alto-falantes para sentir a vibração dos graves.

Da Disco Music ao "Ghetto Disco"

Kurtis Blow define o hip hop embrionário como uma "mutação da disco" ou "ghetto disco":

  • Pesquisa de campo: Em 1975, aos 16 anos, Kurtis comprou uma identidade falsa na 42nd Street que indicava 21 anos para conseguir entrar nos principais clubes de Manhattan, incluindo Leviticus, Nemos, Nell Gwynn's, Superstar Cafeteria, Hotel Diplomat, Ipanema's e The Garage, estudando diferentes estilos de discotecagem.
  • Influências de MCing: Blow viu DJ Hollywood lotar o Club 371 no Bronx com filas contornando o quarteirão. Embora já atuasse como MC desde 1974 no clube The Wham (uma antiga delegacia na 152nd Street com Amsterdam Avenue, em frente ao parque conhecido como battlegrounds), Blow baseava sua impostação de voz imitando o locutor de rádio Hank Spann, da estação WWRL Super 16.

Parceria com Russell Simmons e Estratégia de Mercado

Kurtis Blow conheceu Russell Simmons no City College of New York (CCNY) em 1977, quando ambos cursavam a faculdade:

  • A demonstração: Para convencer Simmons a empresariá-lo, Kurtis organizou uma festa caseira no Harlem para 150 pessoas, com seu time já instruído. Ao tocar Good Times (do grupo Chic), comandou respostas clássicas de plateia (call-and-response), fechando a parceria.
  • Tese de comunicação: Cursando Comunicação, Blow observou que em 1978–1979 Nova York já tinha pelo menos 50 MCs competindo. A estratégia adotada foi não disputar diretamente o centro da cidade de início, mas sim atuar nas periferias e subúrbios (boondocks), construir um histórico de liderança de público nesses mercados periféricos e retornar à cidade grande com tração comprovada.
  • Night Fever's: A dupla abriu a discoteca Night Fever's no Queens (bairro de Simmons), local onde Kurtis conheceu o irmão mais novo de Russell, Joey Simmons (futuro Rev Run).

Mentoria de Joey Simmons (Rev Run) e Dinâmica de Palco

Rev Run detalha que começou aos 13–14 anos prestando serviços básicos para a Rush Productions (produtora de Russell e Kurtis), como colar panfletos na Jamaica Avenue e cozinhar café da manhã para a equipe:

  • Primeiros equipamentos: Kurtis pagava a Joey US$ 35 por apresentação como seu DJ. Com esse cachê, Joey comprou toca-discos da marca Quantas (não tendo dinheiro suficiente para adquirir os Technics da época).
  • Estrutura dos shows: Joey abria o palco discotecando; Kurtis entrava sem se anunciar e assumia os toca-discos enquanto Joey pegava o microfone para rimar. Em seguida, Joey voltava para as pickups para cortar a introdução oficial de Kurtis Blow.
  • Criação dos scratches de chamada: Joey desenvolveu o padrão de scratch vocal chamando "tur-tur-Kurtis Blow". Quando fraturou o pulso e precisou passar as pickups temporariamente para Davy DMX, manteve a técnica; mais tarde, no Run-DMC, pediu para Jam Master Jay usar o mesmo formato para chamá-lo no palco ("Run, Run, Run").

Turnês, Krush Groove e Choque de Gerações

Kurtis Blow foi o primeiro artista de rap a assinar com uma grande gravadora (Mercury Records) e a excursionar em arenas ao lado de grandes nomes de outros gêneros:

  • Grandes circuitos: Blow dividiu turnês com Bob Marley (incluindo show no Madison Square Garden) e Miles Davis.
  • Produção e atrito: Blow produziu os primeiros trabalhos de The Fat Boys e faixas do Run-DMC. Em turnê, o Run-DMC quebrava microfones jogando os pedestais no chão ao fim de cada show; os técnicos de som reclamavam com Kurtis, que simplesmente descontava o prejuízo do cachê dos garotos.
  • Origem de bordões e Krush Groove (1985): Rev Run explica que o bordão "This is my house" (imortalizado no filme Krush Groove) foi tirado de uma piada do comediante Eddie Murphy sobre o próprio pai. Jam Master Jay o incentivou a berrar a frase no palco.
  • Encontro com Prince: Após o sucesso de If I Ruled the World e do filme Krush Groove, Kurtis participou de uma sessão de fotos com Prince em Memphis, Tennessee, em um clube com 3.000 mulheres dentro e 2.000 do lado de fora.

O Impacto de "If I Ruled the World" e o Tributo de Nas

Nas destaca que a mensagem de Kurtis Blow contrastava com a cobertura depreciativa da imprensa sobre o Bronx e o Harlem, oferecendo uma visão afirmativa da comunidade negra:

  • Regravação em 1996: O impacto de ver Kurtis Blow cantar If I Ruled the World no cinema levou Nas a regravar a faixa com Lauryn Hill para seu segundo álbum (It Was Written).
  • Reação de Kurtis: Kurtis relembra ter recebido a fita cassete da nova versão e passado duas horas ouvindo repetidamente no sistema de som de seu carro (um Nissan). Em seguida, ligou para a Sony Music afirmando que, com divulgação padrão, a faixa se tornaria platina dupla — previsão que se confirmou no mercado.

Homenagem da Paid in Full Foundation

Roxanne Shanté encerra formalizando o objetivo da fundação Paid in Full: homenagear e garantir reconhecimento financeiro e histórico aos arquitetos que construíram a base do hip hop antes que ele se tornasse uma indústria global, consagrando Kurtis Blow como homenageado oficial pelo conjunto de suas contribuições.