O que é o tufão Dolphin
Dolphin é o 13º ciclone tropical nomeado da temporada de tufões do Pacífico Oeste de 2026. Formado no fim de julho em águas abertas do Pacífico, atravessou milhares de quilômetros até atingir o arquipélago japonês no início de agosto e seguir em direção ao litoral leste da China, onde as autoridades esperam sua chegada à costa entre a noite de domingo, 9 de agosto, e a manhã de segunda-feira, 10 de agosto de 2026.
O sistema é tratado por meteorologistas chineses como excepcionalmente incomum pela origem e pela distância percorrida: segundo Dong Lin, meteorologista-chefe do Centro Meteorológico Nacional da China, Dolphin se formou perto da Linha Internacional de Data, algo que "nunca havia acontecido desde o início dos registros meteorológicos".
Evento em desenvolvimento. As informações abaixo refletem a situação até 8 de agosto de 2026. Trajetória, intensidade e impactos podem mudar.
Dolphin é um ciclone tropical do Pacífico Noroeste, a mesma classe de sistema que recebe o nome de furacão no Atlântico. Ele se formou em 26 de julho de 2026 e foi classificado como tufão em 28 de julho, segundo a Al Jazeera.
Em 30 de julho, o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) elevou o sistema à categoria de supertufão. Naquele momento, o ciclone apresentava ventos sustentados de até 240 km/h, pressão central mínima de 935 hPa e gerava ondas superiores a 12 metros no oceano aberto.
Trajetória e por que é considerado raro
Dolphin se formou nas proximidades da Linha Internacional de Data e percorreu uma longa distância pelo Pacífico em direção ao continente asiático. De acordo com Dong Lin, do Centro Meteorológico Nacional da China, é muito raro que um sistema com trajetória tão longa chegue à costa chinesa mantendo essa intensidade.
O meteorologista descreveu quatro características do sistema: formação em águas distantes e abertas, tempo de vida prolongado, circulação de grande dimensão e flutuações frequentes de intensidade. Na tarde de quinta-feira, 6 de agosto, o tufão estava a cerca de 1.130 quilômetros a leste do litoral de Zhejiang.
Impactos no Japão
O tufão atingiu as ilhas Ogasawara e avançou pelo sul do arquipélago japonês, passando por Okinawa e pela ilha de Amami, na província de Kagoshima.
Segundo a Al Jazeera, cinco idosos ficaram feridos sem risco de vida — três deles em quedas provocadas pelo vento — e cerca de 14 mil imóveis ficaram sem energia elétrica. Houve cancelamento de voos em Okinawa, na China e em Taiwan.
Às 03h00 GMT de sábado, 8 de agosto, o sistema estava a cerca de 160 quilômetros a noroeste da ilha de Kume, em Okinawa, com ventos sustentados máximos de 162 km/h e rajadas de até 216 km/h.
A passagem do tufão também afetou a indústria: a Toyota Motor Corp. anunciou a interrupção das operações em nove fábricas no Japão a partir de sexta-feira, com retomada prevista para 17 de agosto, após o período de férias de verão.
Onde e quando deve atingir a China
O Centro Meteorológico Nacional da China projeta a chegada à costa no trecho entre Zhoushan, na província de Zhejiang, e Fuding, na província de Fujian, entre a noite de domingo, 9 de agosto, e a manhã de segunda-feira, 10 de agosto. A previsão é de que o sistema toque o continente com intensidade entre tufão e tufão severo.
São esperados ventos de força 9 a 11 na escala Beaufort, com rajadas de força 12 a 13, no Mar do Leste da China, na baía de Hangzhou, no litoral de Zhejiang, no norte de Fujian e nas águas de Taiwan.
Chuvas e áreas afetadas
De sábado a quarta-feira, é prevista chuva forte a torrencial em Taiwan, no centro e no norte de Fujian, em Zhejiang, em Xangai, em Jiangsu, em Jiangxi, no sul e no centro de Anhui, no leste de Hubei e no leste de Hunan.
Áreas do centro e do leste de Zhejiang, do nordeste de Fujian, do sul de Anhui e da região das montanhas Dabie podem registrar chuva torrencial extrema. Segundo a Al Jazeera, partes de Zhejiang podem acumular mais de 600 milímetros de chuva. Os efeitos de vento e chuva devem se estender pelo leste da China até 12 de agosto.
Medidas de emergência na China
A Administração Meteorológica da China elevou no sábado, 8 de agosto, sua resposta de emergência do Nível IV para o Nível III, ampliando o escopo para incluir tempestades e tempo convectivo severo. O alerta de tufão passou de amarelo para laranja. Xangai, Zhejiang e Fujian ativaram respostas de emergência próprias.
Entre as medidas registradas até 8 de agosto:
- Remoções: cerca de 103 mil moradores previstos para relocação na Nova Área de Pudong, em Xangai; 378 abrigos temporários montados no distrito de Chongming; 1.698 turistas realocados em Zhejiang, com recomendação de cancelamento a 364 grupos de excursão.
- Portos e travessias: todas as operações portuárias e travessias de passageiros de Zhejiang suspensas às 8h de sábado; em Fujian, 40 rotas de balsa suspensas e 76 embarcações retiradas de operação; em Xangai, as travessias foram suspensas às 13h58 de sábado.
- Obras e embarcações: 193 obras ligadas à água paralisadas e 474 embarcações realocadas em Zhejiang; 115 obras costeiras suspensas e 290 embarcações deslocadas em Fujian.
- Aeroportos e voos: o Aeroporto Internacional de Lishe, em Ningbo, suspendeu operações a partir das 23h30 de sábado e cancelou todos os voos de domingo. Voos em Ningbo, Wenzhou, Taizhou, Hangzhou e Xangai foram afetados. Air China, China Eastern, China Southern, Hainan Airlines, Spring Airlines e Juneyao Airlines liberaram remarcação e cancelamento sem custo para passagens compradas até sexta-feira.
- Escolas e turismo: Ningbo determinou o fechamento de escolas e demais estabelecimentos de ensino e a suspensão de todas as atividades aquáticas no fim de semana. Foram fechados 294 equipamentos culturais e turísticos, os 37 balneários costeiros (desde as 18h de quinta-feira) e 155 atrações ligadas à água (desde as 18h de sexta-feira), além de 23 eventos suspensos ou adiados. O Legoland Xangai fecha às 18h de domingo e o Shanghai Disney Resort, às 20h.
Como o Brasil é afetado
Não há impacto meteorológico direto do tufão sobre o Brasil. A relevância para o país é econômica e logística: a região atingida concentra alguns dos maiores portos e aeroportos de carga do mundo — Xangai, Ningbo-Zhoushan e o corredor industrial de Zhejiang e Fujian —, e paralisações portuárias e de voos nessa faixa costeira afetam cadeias de suprimento globais, incluindo o comércio Brasil-China.
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