Quem é Tim Cook
Timothy Donald Cook nasceu em 1º de novembro de 1960, em Mobile, no estado americano do Alabama. Formou-se em engenharia industrial pela Auburn University em 1982 e concluiu um MBA na Fuqua School of Business, da Duke University, em 1988, onde foi Fuqua Scholar.
Cook comandou a Apple como CEO de agosto de 2011 a agosto de 2026 — o período em que a empresa passou de fabricante de computadores e iPhones a companhia mais valiosa do mundo. Desde 1º de setembro de 2026 ocupa o cargo de presidente executivo do conselho (executive chairman) da Apple, tendo passado o comando operacional a John Ternus.
Tim Cook saiu da Apple?
Não. Cook deixou o cargo de CEO, mas continua na empresa como presidente executivo do conselho de administração.
A Apple anunciou a transição em 20 de abril de 2026, e ela entrou em vigor em 1º de setembro de 2026. O último dia de Cook como CEO foi 31 de agosto de 2026. No mesmo movimento, Arthur Levinson, que presidia o conselho em caráter não executivo, tornou-se diretor independente líder (lead independent director).
Em memorando enviado aos funcionários no último dia no cargo, Cook escreveu: "Não estou deixando a Apple. Mas estou me afastando de um papel que amei profundamente."
John Ternus, o novo CEO da Apple
John Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produto. Tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware em 2013 e passou a integrar o time executivo como vice-presidente sênior da área em 2021. Antes da Apple, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems. É formado em engenharia mecânica pela University of Pennsylvania.
Ao anunciar o sucessor, Cook afirmou que Ternus "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade", e o descreveu como "sem dúvida a pessoa certa para liderar a Apple no futuro". Levinson, pelo conselho, disse que Ternus é "o melhor líder possível para suceder Tim". A escolha foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e resultou de um processo de sucessão de longo prazo, segundo a companhia.
Ternus também passou a integrar o conselho da Apple. O primeiro grande evento de produtos sob seu comando foi marcado para 9 de setembro de 2026.
Trajetória antes da Apple
Cook trabalhou 12 anos na IBM, no negócio de computadores pessoais, onde chegou a diretor de fulfillment para a América do Norte. Depois foi chief operating officer da divisão de revenda de computadores da Intelligent Electronics. Em 1997 tornou-se vice-presidente de materiais corporativos da Compaq, cargo que ocupou por apenas seis meses antes de ser recrutado pela Apple.
Chegada à Apple e a sucessão de Steve Jobs
Cook entrou na Apple em março de 1998 como vice-presidente sênior de operações mundiais, contratado por Steve Jobs. Sua contribuição inicial foi reestruturar a cadeia de suprimentos da empresa — fechar fábricas próprias, terceirizar a produção e reduzir drasticamente o estoque parado.
Em 2007 passou a liderar as operações globais da companhia. Assumiu interinamente o comando durante as licenças médicas de Jobs, em 2009 e no início de 2011. Foi nomeado CEO em 24 de agosto de 2011, semanas antes da morte de Jobs.
A Apple sob Tim Cook
Sob sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de US$ 348 bilhões, em 2011, para mais de US$ 4 trilhões em 2026. Receita e lucro dobraram entre 2011 e 2020.
Cook diversificou o portfólio para além do iPhone: lançou o Apple Watch, os AirPods e o Apple Vision Pro, e expandiu a divisão de serviços. Também moveu a empresa para chips próprios e ampliou a operação industrial na China — relação que se tornaria, ao mesmo tempo, o maior trunfo e a maior vulnerabilidade da companhia.
Fortuna e filantropia
O patrimônio de Cook era estimado em US$ 2,6 bilhões em dezembro de 2025. Em março de 2015, ele declarou que pretende doar toda a sua fortuna a causas filantrópicas.
Sexualidade
Em outubro de 2014, Cook assumiu publicamente ser gay em um artigo assinado na Bloomberg Businessweek: "Tenho orgulho de ser gay, e considero ser gay um dos maiores presentes que Deus me deu." Ele se tornou o executivo mais proeminente de uma empresa da lista Fortune 500 a se declarar homossexual enquanto no cargo.
Controvérsias
A relação da Apple com a China marcou boa parte da gestão. Em 2016, Cook assinou um acordo de US$ 275 bilhões com autoridades chinesas. Em 2019, a empresa removeu da App Store um aplicativo usado por manifestantes em Hong Kong para mapear a presença policial, decisão criticada por parlamentares americanos de ambos os partidos.
Em janeiro de 2025, Cook doou US$ 1 milhão ao comitê de posse de Donald Trump. Como presidente do conselho, segundo a imprensa especializada, deve concentrar-se justamente na gestão das relações institucionais da Apple com o governo americano e com Pequim.
Tim Cook e Steve Jobs
Jobs recrutou Cook em 1998 e o preparou como sucessor ao longo de mais de uma década. Os perfis são opostos: Jobs era o obsessivo de produto e design; Cook, o especialista em operações, logística e execução em escala. Ao anunciar a própria saída, Cook enquadrou a escolha de Ternus como um retorno ao primeiro modelo — a Apple voltando às mãos de alguém que constrói produtos.
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