Daily Journal
Daily Journal

Roberto Campos Neto

Roberto Campos Neto é economista, ex-banqueiro do Santander e foi presidente do Banco Central de 28 de fevereiro de 2019 a 31 de dezembro de 2024, período do lançamento do Pix e do ciclo de Selic de 2% a 13,75%. Desde 1º de julho de 2025 é vice-presidente executivo e chefe global de políticas públicas do Nubank. Em 2026, foi convocado pela CPI do Crime Organizado sobre a supervisão do Banco Master e não compareceu.

Daily Journal

Atualizado em

|||2 revisões

Quem é Roberto Campos Neto

Roberto de Oliveira Campos Neto é economista e executivo do mercado financeiro. Nasceu em 28 de junho de 1969, no Rio de Janeiro, e foi presidente do Banco Central do Brasil de 28 de fevereiro de 2019 a 31 de dezembro de 2024. Desde 1º de julho de 2025 é vice-presidente executivo (Executive Vice-Chairman) e chefe global de políticas públicas do Nubank, além de integrar o conselho de administração da Nu Holdings. É neto do economista e diplomata Roberto Campos.

Roberto Campos Neto hoje

Depois de cumprir a quarentena regulatória de seis meses exigida de quem deixa o Banco Central, ele assumiu o cargo no Nubank em 1º de julho de 2025, respondendo ao fundador David Vélez. A função envolve política pública global, relacionamento com reguladores, expansão internacional e estratégia de longo prazo. A nomeação gerou debate sobre a chamada "porta giratória" entre o setor público e o privado.

Formação e carreira

Graduou-se em Economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) em 1993 e fez especialização em Finanças em 1995. Trabalhou no Banco Bozano, Simonsen entre 1996 e 1999, em áreas como derivativos, dívida externa e bolsa de valores. Com a compra do banco pelo Santander, permaneceu na instituição de 2000 a 2019, onde chefiou a renda fixa internacional e atuou na gestão de carteiras e na tesouraria.

Presidente do Banco Central

Foi indicado em novembro de 2018, aprovado pelo Senado com 55 votos favoráveis e assumiu em 28 de fevereiro de 2019, no lugar de Ilan Goldfajn. Em 24 de fevereiro de 2021, a Lei Complementar 179 deu autonomia formal ao Banco Central, com mandatos fixos de quatro anos para a diretoria. Seu mandato terminou em 1º de janeiro de 2025, com a posse de Gabriel Galípolo; sua última reunião do Copom foi em 11 de dezembro de 2024.

Taxa de juros e inflação na gestão

A Selic ficou em 2% ao ano de agosto de 2020 a março de 2021, o menor nível do período, e chegou a 13,75% em agosto de 2022, patamar mantido até agosto de 2023. O IPCA acumulado em 12 meses foi de 1,88% em maio de 2020 e atingiu 12,13% em abril de 2022. O governo Lula criticou publicamente o nível dos juros ao longo de 2023 e 2024.

Pix

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos coordenado pelo Banco Central, foi lançado em 20 de novembro de 2020 durante sua gestão e se tornou um dos meios de pagamento mais usados do país.

Polêmicas

Em outubro de 2021, os Pandora Papers revelaram que ele mantinha uma empresa offshore no Panamá; a Procuradoria-Geral da República arquivou o caso. Um erro nos dados de câmbio divulgados entre 2021 e 2022 também levou a questionamentos no Congresso.

Campos Neto e o caso Banco Master

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em meio a um dos maiores escândalos bancários do país, com impacto de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos. Como o banco foi fiscalizado também durante a gestão de Campos Neto, a CPI do Crime Organizado do Senado tentou ouvi-lo sobre a supervisão bancária no período. Em março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, converteu a convocação em convite, desobrigando-o de comparecer. A CPI aprovou nova convocação em 31 de março, e Campos Neto faltou pela terceira vez em 8 de abril; seus advogados alegaram que a presença obrigatória violaria a decisão do Supremo. No mesmo dia, Gabriel Galípolo afirmou à CPI que nenhuma auditoria ou sindicância interna do BC havia encontrado culpa do ex-presidente no caso. O presidente Lula, por sua vez, atribuiu a Campos Neto a origem do caso, afirmando que ele legalizou o banco depois da recusa de Ilan Goldfajn.

Comentários